Com o fecho do mercado de inverno, agora a questão em torno do Dragão é de medir a correspondência entre as contratações efetuadas por Villas-Boas e de Zubizarreta e as aspirações do elenco atual de Francesco Farioli, e saber se a sinergia esperada, tem a capacidade de produzir mais um título nacional para o palmarés do FC Porto, no fim de maio.
O FC Porto é um caso muito interessante, especialmente quando estamos dentro de uma temporada onde o clube colheu os frutos da formidável janela de verão, onde contratou Gabri Veiga, que se estreou pelo clube no Mundial de Clubes, Victor Froholdt, titular indiscutível agora com 19 jogos em 20 jornadas, a dupla polaca de centrais Kiwior-Bednarek, vinda da Premier League, Luuk de Jong e Pablo Rosario (estes dois últimos, jogadores que Farioli conhece das suas passagens pela Eredivisie e o Nice, da Ligue 1, respetivamente), e revelações como Dominik Prpic, defesa contratado ao gigante croata Hajduk Split por quatro milhões. Uma reformulação e rejuvenescimento da equipa se efetuou, mas as três contratações de janeiro, mostram a cautela com o fair-play financeiro, mas também experiência essencial para a fase mais atribulada do campeonato.


Thiago Silva – ‘O Monstro’ volta ao futebol português, após 22 anos, tendo jogado pela equipa B dos dragões entre 2004 e 2005. Thiago Silva saiu do Fluminense a custo zero e volta ao futebol europeu, numa fase crucial para o FC Porto ainda em três competições. O quase excelente percurso do FC Porto, poderá trazer o central vitorioso na conversa das convocatórias de Ancelotti, apesar de não ter voltado desde o Mundial 2022, para os ‘canarinhos’. Thiago Silva definitivamente irá trazer uma aprendizagem de mais de duas décadas para jovens como Prpic, e competir por um lugar no onze inicial. Mesmo com o autogolo em Rio Maior, no duelo contra o Casa Pia, ditando a primeira derrota do FC Porto no campeonato, ainda existem vários motivos e argumentos para não duvidar da experiência e do talento do central de 41 anos, ocupando uma posição que há mais de um ano era dominada por Pepe. O internacional português também estava num contexto similar em termos de idade.


Terem Moffi – O final de Moffi no Nice foi atribulado. Quando o avançado nigeriano de 26 anos enfrentou o Porto no Dragão, a contar para a fase de liga da Liga Europa, a derrota da equipa francesa nesse jogo e três dias depois frente ao recém-promovido Lorient, aumentou o número de derrotas consecutivas para seis, levando a um ataque violento contra Moffi e Jeremie Boga, ao sair do autocarro da equipa após esse mesmo jogo.
Mesmo assim, apesar de não estar na melhor forma, algo evidenciado com a ausência da convocatória da Nigéria na passada edição da CAN, Moffi ainda apresenta qualidades preciosas enquanto extremo, apesar de não se traduzir numa abundância de golos (14 em 45 na Ligue 1). Esta tradução, deverá ser mais bem sucedida em Portugal onde a movimentação e presença na área, capacidade de remate e mobilidade nos flancos para combinar com o meio-campo (um aspeto onde Moffi rivaliza Samu), pode dar grandes frutos, e responder aos problemas no boletim médico, com Luuk de Jong lesionado. Uma boa segunda opção, uma que entra nas contas do clube para a próxima eliminatória da Europa League. O ponta de lança tem uma opção de compra não obrigatória de oito milhões de euros. Terem Moffi tem uma oportunidade de ouro para redenção e voltar aos seus melhores dias em Portugal.


Seko Fofana – Tal como Moffi, ambos são grandes talentos africanos que se destacaram na Ligue 1, uma vez cotados ao patamar do futebol mundial, com uma eventual transferência para a Premier League. Mais um empréstimo que será ótimo para reforçar meio-campo, já preenchido com Rosario, Froholdt e Veiga como opções frequentes. Fofana vem do Rennes, mais foi com o Lens que se destacou na temporada de 2022/23 com a qualificação do clube francês para a Champions League. Desde então, Fofana, juntou-se a uma exclusiva lista de jogadores que voltam ao futebol europeu apos uma passagem curta na Arabia Saudita, onde passou pelo Al-Nassr de Ronaldo.
Porém, os portistas podem esperar um Fofana, fora do auge da carreira, mas que apresenta uma grande vontade na criação de contra-ataques, e de entradas súbitas na área ofensiva, enquanto médio defensivo. Farioli tem de facto um dilema em termos da utilização do médio de 30 anos, com Pablo Rosario se ambos chegarem a partilhar o campo a um determinado momento, e quem deverá ser mais benéfico em determinadas posições para obter um resultado no final do jogo.


Oskar Pietuszewski – Por fim, mas certamente não menos valorizado, chega a promessa polaca de 17 anos. Farioli não só estende o núcleo de jogadores polacos na equipa, como também o nível de criatividade no último terço. A contratação do jovem em plena janela de inverno, não se revela arriscada, tendo em conta que esta temporada não só demonstra o regresso a uma identidade consistente quanto ao jogo dentro das quatro linhas, mas também é uma oportunidade para Farioli impor o seu estilo de jogo, antes uma novidade para os jogadores e novos reforços em agosto e setembro, e agora uma realidade que é estendida aos talentos jovens.
A gestão do tempo de jogo de Rodrigo Mora esta temporada, é um exemplo do que acontecera com Pietuszewski, nestes primeiros cinco meses de dragão ao peito. O polaco não está dentro da lista da fase a eliminar da Europa League.
Apesar da experiência a um nível superior de Moffi e Fofana, que pode elevar o jogo do FC Porto contra adversários mais complicados no panorama europeu, vale ressaltar que o extremo esquerdo nascido em 2008, já tinha feito a sua estreia nas competições europeias aos 16 anos, contra o Ajax, no play-off da Europa League. O plano da evolução do extremo é claro: continuar o trabalho feito pelo Jagiellonia Bialystok, na progressão de minutos em campo.
Internacional sub-21, com titularizados na Conference League esta temporada, Pietuszewski mostra grandes capacidades para sair de situações de um contra um, no flanco esquerdo. Pode servir como um perfil alternativo para Pepê esta temporada, mas certamente as curtas presenças contra o Casa Pia e o Vitória SC, na última jornada do campeonato, provam que o polaco pode ser uma escolha regular no futuro próximo dos dragões.
As quatro contratações feitas servem como uma continuação do trabalho desenvolvido durante o verão passado, e a necessidade que o FC Porto tem de manter os níveis de consistência num período historicamente conhecido como um de desgaste na liderança e consequente abertura do título, para continuar a competir pelo campeonato e possivelmente alargar a vantagem sobre o Sporting.
A nível europeu, estas transferências não enviam a equipa de Farioli a uma colisão direta com o título da Europa League, servindo para consolidar o estilo de jogo já existente, mas sem arriscar uma inversão total dos principais intervenientes da campanha europeia, até agora bem-sucedida.

