As grandes decisões de Pinto da Costa: Depois de Estádio das Antas, que seja “Estádio do Dragão”

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A liderar os destinos do FC Porto há trinta e cinco anos, Jorge Nuno Pinto da Costa é um nome incontornável na história do clube. No entanto, e numa das suas decisões mais marcantes enquanto presidente, não quis que fosse o seu nome a ficar para sempre associado a um dos maiores símbolos da equipa: o agora Estádio do Dragão.

A evolução do futebol e das exigências para competir ao mais alto nível, aliadas a cada vez mais modernidade e necessidade de conforto para os adeptos da modalidade, tornavam imperativo que o FC Porto se lançasse na construção de um novo estádio, ou pelo menos na remodelação das Antas. O Euro 2004, organizado nesse ano em Portugal e para o qual várias exigências da FIFA teriam de ser cumpridas, trouxe o incentivo que faltava para que isso acontecesse. A 16 de Novembro de 2003, era inaugurado no Porto o Estádio do Dragão, com um jogo que opôs os da casa ao FC Barcelona. Concebido pelo arquitecto Manuel Salgado e com capacidade para cerca de 50.000 pessoas, a nova fortaleza dos azuis e brancos ergueu-se poucos metros abaixo do palco que até aí havia acolhido a equipa.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Considerado um dos símbolos mais importantes de um clube, o estádio reflecte parte da sua história e o seu nome não deve deixar dúvidas sobre as cores que representa. Estádio Pinto da Costa seria, por isso, perfeitamente adequado. Assim acreditou muita gente, assim não quis o próprio. Ao longo dos anos de presidência do líder azul e branco, foram várias as decisões e declarações que pautaram o seu percurso e, quer se goste ou não, o seu nome ficará sempre ligado ao FC Porto. Talvez por isso se tenha pensado que o seu nome poderia ser dado à nova casa dos dragões. No entanto, e numa decisão que foi contra uma maioria absoluta, Jorge Nuno Pinto da Costa não permitiu que isso acontecesse.

“Um dia, em plena reunião, pela primeira vez, não aceitei a votação de uma maioria absoluta, que pretendia que o novo estádio tivesse o meu nome”.

A escolha de “Dragão” foi sua. Mais do que apenas uma pessoa que é parte da história, entre muitas outras que foram deixando a sua marca, o dragão é figura de destaque no símbolo que representa o FC Porto, no emblema que todos carregam ao peito quando envergam a camisola da equipa. Transmite poder e invencibilidade e, acima de tudo, unanimidade. A presidência de Pinto da Costa, embora incontestavelmente importante no crescimento e afirmação do clube, gera discórdia entre adeptos e seria certamente motivo para que alguns, caso o seu nome fosse dado ao novo estádio, se manifestassem contra.

Aliás, sempre ouvimos dizer que “não se pode agradar gregos e troianos” e, se isso é regra para a vida, também o é no futebol. Dragão foi o mais simples que se podia ter pensado. Uma só palavra que remete para a força e querer do FC Porto, para o seu emblema, para a grandeza de um clube que começou pequeno, batalhou para crescer e se afirmou não só no panorama nacional, mas também internacional. Um Dragão cujo poder se fez sentir logo no ano da sua inauguração, com a equipa a realizar já no seu novo reduto parte de um percurso que culminou com a conquista da Liga dos Campeões.

Foto de Capa: FC Porto

Joana Quintas
Joana Quintashttp://www.bolanarede.pt
O gosto pela escrita e a paixão pelo desporto, particularmente pelo futebol, tornaram claro que o jornalismo desportivo seria o caminho a seguir. A Joana é licenciada em Ciências da Comunicação, gosta de estar atenta ao que a rodeia e tem, por norma, sempre uma palavra a dizer sobre tudo.                                                                                                                                                 A Joana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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