Azul, Branca, Indomável, Imortal

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Chegamos ao Natal e resta apenas um jogo ao FC Porto neste ano 2017. Numa altura em que todos começam a rever as suas acções e pedem desejos, não só para a noite de consoada mas também para o futuro, achamos importante rever o percurso azul e branco até ao momento, o percurso de uma equipa que iniciou a época com muitas promessas e que, até agora, não tem desiludido.

O “Universo” portista anseia pela conquista do campeonato! É certo, sempre o admitimos, não temos medo de o dizer em voz alta. Queremos o FC Porto campeão e para isso é preciso uma estrutura forte, capaz de se aguentar às investidas externas, capaz de vencer em campo, jogo após jogo. Depois de mais uma desilusão na época passada, com Nuno Espírito Santo no comando técnico, o Verão trouxe-nos Sérgio Conceição. Mais um homem da casa, mais um ex-jogador, mais um exemplo da raça e mística do clube. Só que, para além de Conceição, não chegava mais ninguém, nenhum reforço. No ataque, um dos sectores mais carenciados em 2016/17, perdeu-se André Silva e havia a consciência de que era preciso alguém, mas o anúncio de contratações tardava em chegar. Em vez disso, regressos! Olhámos com desconfiança para a integração de Aboubakar e Marega na pré-época, conscientes de que estes estavam a ser preparados para ser opções recorrentes na equipa principal. Um tinha dito publicamente que não queria regressar ao Dragão, o outro não tinha deixado, de todo, boas memórias. Agora, olhamos para trás e vemos duas apostas ganhas.

A impossibilidade de contratar levou a um mercado como nunca antes vimos, um mercado que obrigou a recuperar jogadores que haviam sido emprestados e que fechou deixando a sensação de que o plantel tinha ficado curto para atacar todas as frentes. Feitas as contas, a época arrancou com o FC Porto presente em quatro competições: a Liga Portuguesa, a Taça de Portugal, a Taça da Liga e a Liga dos Campeões. Agora, cinco meses depois e prestes a deixar 2017 para trás, continua presente em todas elas.

O primeiro objectivo estabelecido era a passagem aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Inserida num grupo bastante equilibrado, a equipa entrou em falso no primeiro jogo, frente ao Besiktas JK mas, mesmo sem carimbar uma fase de grupos brilhante e regular, garantiu a presença na fase a eliminar da prova, goleando o AS Mónaco FC no Estádio do Dragão. Pelo meio houve um deslize na Alemanha, uma vitória segura no Principado e uma boa resposta na recepção ao RB Leipzig. Pelo meio também, foi lançado José Sá. O guarda-redes assumiu a baliza frente aos alemães, na Red Bull Arena, e parece ter vindo para ficar, sendo agora aposta recorrente no onze titular, deixando Iker Casillas no banco de suplentes.

A sintonia entre equipa e adeptos tem sido a imagem do FC Porto às ordens de Sérgio Conceição Fonte: FC Porto
A sintonia entre equipa e adeptos tem sido a imagem do FC Porto às ordens de Sérgio Conceição
Fonte: FC Porto

Nas competições internas, com jogos a meio da semana a intercalar taças e campeonato, o FC Porto tem no seu percurso na Taça de Portugal duas goleadas, frente ao Lusitano GC e, mais recentemente, frente ao Vitória SC. Pelo meio, um teste complicado em casa, frente ao Portimonense SC, com os dois golos que garantiram a vitória a chegarem já em período de compensação. No final dessa partida, a 17 de Novembro, ouviam-se rumores de que a equipa começava a perder o gás. E, nos três jogos seguintes, três empates. O primeiro deles, quatro dias depois, não podia ser considerado um mau resultado. O 1-1 na Turquia, frente ao Besiktas JK, deixava a decisão dos oitavos para a última jornada do grupo e independente de terceiros. No entanto, os dois que se seguiram foram a contar para o campeonato, fazendo a vantagem na liderança da tabela encurtar até se tornar novamente nula e voltar a divisão do primeiro lugar.

Primeiro, a noite de 25 de Novembro, na Vila das Aves. Era, em menos de 10 dias, o terceiro jogo que o plantel fazia e a exibição foi condicente com a noite: fria e cinzenta. Depois, no feriado de 1 de Dezembro, chegou ao Porto o primeiro clássico da temporada, frente ao rival da Luz. Todos esperavam a vitória mas a sorte, Marega, e a interferência de terceiros não o permitiram. Nessa noite, o Dragão assistiu a uma grande falta de inspiração do avançado maliano, que falhou três ocasiões claras de golo, mas também a uma péssima exibição da equipa de arbitragem, que (e discussões sobre penáltis à parte!), anulou um golo limpo a Aboubakar, um golo que permitiria a conquista dos três pontos. Nessa noite, ainda assim, o FC Porto demonstrou que não estava acabado, abatido pelo cansaço. Pelo contrário, nessa noite todos saímos do estádio, ou da frente da televisão, conscientes de que estamos prontos para tudo, com total capacidade para demonstrar superioridade em campo, no jogo jogado.

Olhando para as estatísticas do campeonato, e não havendo mais jogos para disputar este ano, vemos um domínio azul e branco: com 39 golos marcados e apenas seis sofridos a equipa tem o ataque mais concretizador e a defesa menos batida. A juntar a isso, 39 pontos valem a liderança, ainda que partilhada em igualdade pontual com o Sporting CP. Para terminar 2017, apenas mais uma partida pela frente, em Paços de Ferreira, a contar para a Taça da Liga. O primeiro encontro da competição, com o Rio Ave FC, valeu mais uma vitória segura, por três bolas a zero, com Soares, Marega e Aboubakar a mostrarem serviço e a deixarem claro que, este ano, podem contar com o FC Porto activo e na luta em todas as frentes.

Para tudo isto, tem contribuído um treinador de ideias fixas, capaz de as transmitir aos seus jogadores, um treinador que sente o clube e quer, junto com os adeptos, a conquista de títulos. Para além dele, uma defesa segura liderada por Marcano e Felipe, imperiais no centro, uma frente de ataque com veia goleadora, com Marega e Aboubakar a brilharem no pódio dos melhores marcadores do campeonato e Danilo Pereira, um gigante no meio-campo.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Joana Quintas
Joana Quintashttp://www.bolanarede.pt
O gosto pela escrita e a paixão pelo desporto, particularmente pelo futebol, tornaram claro que o jornalismo desportivo seria o caminho a seguir. A Joana é licenciada em Ciências da Comunicação, gosta de estar atenta ao que a rodeia e tem, por norma, sempre uma palavra a dizer sobre tudo.                                                                                                                                                 A Joana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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