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De grão em grão, enche o dragão o papo?

José Mário Fernandes · 2 min

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E já lá vão oito: oito triunfos consecutivos após o duplo desaire frente a Gil Vicente e Krasnodar. Triunfos que, apesar de pouco convincentes, conseguiram trazer muitas das vezes para o grupo de trabalho azul e branco alguma tranquilidade e estabilidade que pareciam ser raras no início da temporada.

Vitórias pela margem mínima, ao cair do pano, muito suadas, facto é que os dragões foram já capazes de anular, de certa forma, os efeitos negativos de Barcelos, uma vez que foram já capazes de dissipar, após o brilhante triunfo no Estádio da Luz, a vantagem de três pontos que o SL Benfica possuía.

Contudo, se a princípio não estranhava algumas exibições um pouco mais “tremidas” da equipa, tendo em conta todas as mexidas que ocorreram na sua estrutura, atualmente começa a beirar o aflitivo facto de a equipa não conseguir efetivamente matar o jogo. Tal revela-se aflitivo, na medida em que uma equipa a vencer por apenas um golo de diferença estará sempre mais próxima de um tropeço, tropeço esse que poderá ser decisivo na luta pelo primeiro lugar num campeonato onde os candidatos ao título perdem cada vez menos pontos (apesar de o FC Porto já ter provado que não são apenas as vantagens de um golo que propiciam um tropeço).

FC Porto somou a oitava vitória consecutiva com o golo solitário de Marega
Fonte: FC Porto

E esta situação voltou a verificar-se no jogo de domingo, em Vila do Conde. Apesar de ter chegado cedo à vantagem, a equipa treinada por Sérgio Conceição, sobretudo durante o decorrer da segunda metade do encontro, nunca conseguiu ter o controlo total do jogo.

A esse facto juntam-se ainda exibições apagadas de Danilo (infelizmente, não tem sido caso ímpar por estes dias) e de Zé Luís (quando não marca, desaparece quase que por completo do jogo), juntamente com a exaustão coletiva a que se assistiu nos últimos minutos do jogo.

De positivo, o poder de decisão de Moussa Marega (novamente), a volta às grandes exibições de Alex Telles e, por último mas não menos importante, a entrada decisiva de Chancel Mbemba. E, por falar no defensor congolês, fica ainda uma questão no ar: a sua titularidade é para quando?

Uma última questão: e as vitórias tranquilas são para quando? Porque um dragão que luta por títulos não conseguirá alimentar-se apenas de meros grãos, meros “uns a zeros”. Que exibições mais consistentes e eficazes venham aí…

Foto de capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Joana Mendes

José Mário Fernandes

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