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“Depois de mim virá quem de mim bom fará”

André Eusébio · 2 min

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eternamocidade

Não tenho palavras. Nem sequer ideias para escrever este texto. Perdoe-me, caro leitor, mas este FC Porto deixa-me sem ideias, sem palavras, sem espírito para escrever em algumas linhas aquilo que é a minha opinião. É triste dizê-lo, sobretudo de uma equipa tricampeã nacional, de uma equipa que tem tantos títulos conquistados nos últimos anos, dentro e fora de portas.

Mas então, o que se passa com este Porto? Não é preciso ser-se muito entendido em futebol para se perceber que esta é uma equipa cansada, triste, que desilude quem a vê e que não faz tremer quem a enfrenta. Ao olhar para este “FC Porto”, parece que só resta uma coisa de todas essas épocas de glória: as camisolas. Voltando ao início desta história, talvez valha a pena recordar que quando foi anunciada a saída de Vítor Pereira, a esmagadora maioria da plateia azul e branca ficou radiante. O futebol não cativava, a equipa até jogava a passo, mas no final de contas…foi campeã duas vezes. Das cinzas, Vítor Pereira conseguiu acordar em duas ocasiões uma equipa, e acabou por ir buscar dois campeonatos. O futebol nunca foi o melhor, Vítor Pereira não entusiasmava no discurso, mas acabou por ganhar. Se calhar, na mente de alguns aquela ideia de que “no FC Porto qualquer um é campeão” cada vez se tornou mais realista depois de Vítor Pereira. Nos inícios de Julho, quando a equipa entrou na pré-época, acreditava-se numa nova era, num novo ciclo. Vindo de Paços de Ferreira, vinha um treinador que havia feito o impensável: levar o Paços à Champions. Dizia-se que era o melhor que podia acontecer ao Porto, e houve até quem já o comparasse com André Villas Boas.

Paulo Fonseca vs Nacional
Paulo Fonseca / Fonte: Record

Passados 4 meses, como é possível que a história se tenha alterado tanto? A equipa não aparece, não joga, não intimida. Este sábado até nem foi por uma falha individual, mas sim por um erro de equipa. E sim, esta equipa parece cada vez mais um erro, dos pés à cabeça. Sem imaginação, sem garra, sem alma, sem atitude, não foi o FC Porto que perdeu em Coimbra. Sem inteligência tática e sem capacidade de finalização, não foi o tricampeão nacional que perdeu sete pontos em três jogos. O FC Porto que nos habituou tinha tudo isto e muito mais: partia para cima do adversário, controlava sempre, e triturava até marcar e ganhar os jogos. Vítor Pereira tinha isto, mesmo que sem o brilho de outros. Este treinador não o tem: não vou entrar no discurso gratuito, nem no insulto sem sentido. Acho que a falta de qualidade não deve levar a exageros no discurso. Porém, como autor deste texto, permita-me que diga que acho que já chega. Que não dá mais. Que a situação tem que chegar ao fim. Não é sorte nem azar, nem mera falta de finalização. É falta de atitude e daquilo que é ser FC Porto. É falta de garra e de espírito tripeiro.
Afinal de contas, nunca isto fez tanto sentido, ao olhar para um passado apenas com quatro meses: “Depois de mim virá quem de mim bom fará”.

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

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