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Queria escrever um artigo com asneiras, um artigo com muitos pontos de exclamação e com críticas tão agressivas que ofendessem todo e qualquer individuo com responsabilidade no actual estado do Futebol Clube do Porto. Queria mas não o vou fazer, porque afinal eu escrevo sobre o Porto e não sobre aqueles que não são Porto mas que calham lá estar neste momento. O mais fácil é culpar Paulo Fonseca (seguramente a personagem que mais gostaria de criticar), mas também jogadores e dirigentes merecem ser alvo de críticas neste momento difícil para o clube.

Sendo de Lisboa acabo por não conseguir ver o Porto ao vivo como gostaria de o fazer. Quando há jogos na Amoreira, no Restelo, em Setúbal, faço questão de ir. Em jogos na 2ª circular opto por não o fazer porque sei bem como são recebidos os adeptos do Porto lá (não sou hipócrita, estou seguro de que benfiquistas e sportinguistas também não são presenteados com canapés e flutes de champagne quando se deslocam ao Dragão). Na passada Quinta-Feira fui ver o Porto ao Dragão para a Liga Europa contra uma medíocre equipa alemã. Saí de lá com menos 50 euros, com cânticos alemães na cabeça, e com um golo do Quaresma na memória. Apenas isso.

Como escrevi na semana passada, acreditei que um jogo para a Europa seria um bom mote para a equipa, mas não, nem a motivação de jogar com os holofotes europeus serviu. Aquela que era uma das melhores defesas da Europa é agora uma portagem com Via Verde; o meio-campo, depois da saída de Lucho, está medíocre – Carlos Eduardo ainda não está em forma e com Josué a jogar à frente de Herrera e Fernando, o Porto simplesmente não funciona; por último, o ataque parece não conseguir produzir, muito devido à inconcebível forma de Jackson Martinez, que apenas está bem de costas para a baliza, tendo perdido os seus dotes de finalizador que na primeira época tanto encantaram os adeptos.

Um empate com sabor a derrota por goleada  Fonte: Mais Futebol
Um empate com sabor a derrota por goleada
Fonte: Mais Futebol

Quanto ao jogo contra o Estoril, simplesmente escuso-me a fazer qualquer comentário, agradecendo apenas que o penalty do golo tenha sido bem assinalado, evitando as habituais e absurdas criticas ao Porto a cada lance em que é beneficiado. Em resumo, boa arbitragem, razoável Estoril (estando até uns furos abaixo do que já fez este campeonato) e um Porto inacreditavelmente mau, porque mau é o único adjectivo que a sua prestação merece.

Há poucos minutos li num site que “Paulo Fonseca resiste”, arregalei os olhos e festejei silenciosamente. Passados alguns segundos reparei que o verbo empregado era o “resistir e não o verbo “rescindir”. Quem, como eu, leu “rescinde” não leu mais que um assumir de responsabilidades que efectivamente não aconteceu. Não rescindir é não ter coragem para admitir erros sucessivos que relegaram uma equipa tri-campeã para um terceiro lugar a 7 pontos do Benfica, assim como deram uma desvantagem numa eliminatória europeia contra um mísero Eintracht Frankfurt; não rescindir é continuar a tapar os olhos a uma época até ao momento falhada (em que apenas e só na teoria o Porto ainda poderá ganhar títulos importantes), é ter maior orgulho do que razão. E aí Pinto da Costa está a falhar, porque está a impor a sua palavra (a sua escolha do treinador) até ao fim, mesmo que isso implique que esta seja uma época a zeros.

Um empate com sabor a derrota por goleada  Fonte: Mais Futebol
Quaresma tem feito valer os bilhetes dos adeptos
Fonte: Mais Futebol

Em tempos de crise é hábito encontrar-se um bode expiatório para afastar e tornar as coisas melhores. É mais fácil despedir um mau treinador que vinte jogadores. Paulo Fonseca desiludiu. E não o fez nesta última semana ou neste último mês, tem-no feito desde o início de época, a pouco e pouco. Lucho saiu e a equipa perdeu força, perdeu vontade, e ninguém veio para o seu lugar. Quaresma regressou, deu perfume e raça ao Porto, mas um jogador não faz uma equipa e, se há uns anos tinha quem o acompanhasse, hoje está sozinho.

Não quero ver o Porto assim, nenhum portista quer. Custa ver tanto talento desperdiçado, porque o está em campo não está bem, e o que está no banco está ainda pior.  Paulo Fonseca vai-se embora e, aconteça o que acontecer, o treinador já está de saída do clube desde que assinou no último Verão. Pedro Emanuel, Nuno Espírito Santo, Sérgio Conceição, Domingos Paciência? Não é preciso ir muito longe para encontrar substituto, todos queremos o Porto entregue ao Porto.

 

Redação BnR
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