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“O Mundo é coberto por 2/3 água, o resto é coberto pelo Fernando”

André Eusébio · 2 min

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Fernando Reges tem 26 anos, quatro Ligas Portuguesas, três taças de Portugal, cinco supertaças de Portugal e uma Liga Europa. Numa altura em que se discutia quem iria substituir Paulo Assunção, Fernando acabaria por estrear-se na Luz contra o Benfica, corria a época 2008/2009. A seu lado, no “seu meio-campo”, jogaram nomes como Raul Meireles, Guarin, Belluschi, João Moutinho e Lucho Gonzalez. Uns saíram, uns entraram, outros até saíram e voltaram, o Polvo manteve-se cá…
A questão que apresento é simples: Como é possível que o jogador mais consistente do actual Porto esteja em iminente saída (ainda para mais a custo zero)?
O melhor médio-defensivo em Portugal, discutível para uns, óbvio para outros, foi melhorando ao longo das suas épocas; deixou de ser apenas intransponível, começou a aventurar-se um pouco mais, foi-se libertando, ganhando confiança, e hoje, hoje é completo.

O "polvo" Fernando com Ibrahimovic http://globoesporte.globo.com/
O “polvo” Fernando com Ibrahimovic
http://globoesporte.globo.com/

Numa equipa em construção, num meio-campo que sente a tremenda falta de um João Moutinho e que se apresenta num triângulo que efectivamente não é habitual no Porto, Fernando tem lutado, tem salvado, e tem marcado. Ao seu lado tem Defour/Herrera (nenhum faz efectivamente esquecer Moutinho, nem esquecer nem substituir); no actual 4-2-3-1, Fernando não só constrói na 1ª fase como começa a subir um pouco mais, entrando já na zona de Criação (nalguns casos chega até à zona de finalização, como no jogo contra o Vitória para a Taça de Portugal).
Chegou como equilibrador e homem de coberturas, hoje começa aos poucos a entrar no meio-campo ofensivo. Tremendo nas superioridades numéricas defensivas, é um pulmão num meio-campo que já não se imagina sem Fernando. Primeiro nas 2as bolas, 1×1 defensivo possante e rapidíssimo na posição que ocupa, o seu trabalho no Porto-Zenit é uma demonstração de qualidade e de raça, é um exemplo perfeito de como um médio-defensivo pode efectivamente brilhar.

Renovar com Fernando é hoje improvável, a sua saída a custo zero em Junho é, com uma profunda tristeza, o mais certo. Resta-me a mim e aos restantes adeptos acreditar que a melhor direcção do futebol português estabeleça prioridades no plantel, que entenda que talvez seja mais benéfico negociar um excelente contrato com Fernando do que duplicar ordenados já milionários de outros jogadores que não deram 1/5 do que o Polvo deu ao Porto em cinco anos.
No caso de esta renovação não se dar, espero contentar-me em vê-lo de novo ao lado de João Moutinho; quem sabe ao lado de Raul Meireles, também. Fernando não é português, não é preciso um iluminado para chegar a essa conclusão; no entanto, Fernando ganhou o direito de jogar por Portugal e pode fazê-lo. Quem amou ver Deco e quem sentiu a garra de Pepe na selecção não pode agora dizer não a um dos melhores médios-defensivos do Mundo, não pode… Não o quero na selecção por ser portista, quero-o por ser português.

André Eusébio

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