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Dragões em chamas!

André Eusébio · 2 min

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portosentido

O Porto está em crise. Não há muitas oportunidades para afirmar algo deste género. É muito raro um clube bem estruturado e com grande disciplina ter um problema deste tipo entre mãos. Em Coimbra, o Porto voltou a perder pontos e perdeu o primeiro lugar para Benfica e Sporting. No entanto, mais do que três pontos, o Porto perdeu a massa de adeptos. Já referi no passado que na base de um clube estão os adeptos. São eles que conseguem ser o 12º jogador e a força quando já não há força. Sem os adeptos, acaba por não haver Porto.

O jogo com a Académica voltou a provar o actual momento de forma do Porto: terrível e desinspirado. Não há esforço conjunto no relvado. O Porto a jogar parece ser bola no Lucho e fé em Jackson Martinez. Paulo Fonseca insiste em jogar com o duplo pivô quando Fernando nasceu para jogar sozinho. A decisão de jogar com o que eu gosto de chamar falso extremo (Josué) na esperança de manter a ala e, ao mesmo tempo, ganhar mais um homem no meio-campo ofensivo começa a ser demasiado previsível e pouco proveitoso para o jogo azul e branco. A ideia é deixar o corredor aberto para as incursões de Danilo, algo que acaba por destabilizar.

Há, de facto, uma forma de “ganhar” mais um homem no meio-campo ofensivo sem comprometer o equilíbrio da equipa: Fernando tem de jogar sozinho! Em anos recentes, a equipa do Porto sempre, mas sempre, jogou com apenas Fernando no vértice recuado do triângulo. Funcionou e o Porto ganhou títulos. A equação é simples. Com Fernando acompanhado perde-se um homem que acaba por não ter qualquer impacto no jogo.

Após o desaire na cidade dos estudantes, onde Paulo Fonseca se mostrou, pela primeira vez, completamente derrotado, não houve Porto. No entanto, pior do que o jogo em si foi a situação que aconteceu depois. À chegada da comitiva portista ao estádio do Dragão, o autocarro portista foi atacado por uma dezenas de pessoas enraivecidas. Isto é algo com o qual eu não posso compactuar.
Os resultados não são os melhores, as exibições são terríveis. Porém, nunca se deve agir da forma como os estupores que atacaram o autocarro do Porto agiram. O bando de dezenas de pessoas não faz, a meu ver, parte dos adeptos do Porto. O ataque ao autocarro portista é um acto vergonhoso por parte de uns quantos gatos-pingados. O Porto não esteve naquele pseudo ataque. Não foram os adeptos portistas que mandaram aquelas tochas improvisadas e pedras que estivessem à mão. Aquilo foi trabalho de pessoas que não entendem o futebol, que não percebem a verdadeira essência de ser um dragão em chamas.

Os incidentes à chegada da comitiva do Porto Fonte:www.record.xl.pt
Os incidentes à chegada da comitiva do Porto
Fonte:www.record.xl.pt

Entendam uma coisa… A confiança em Paulo Fonseca começa a diminuir. Facto. Mas as verdadeiras chamas que estiveram no Porto não são as das tochas atiradas ao autocarro. As verdadeiras chamas dos dragões estão nos adeptos, na equipa, na direcção, em tudo. A verdadeira chama é a nação portista. E essa… Essa nunca se vai apagar.

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

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