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É duro jogar com dez

André Eusébio · 3 min

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Andar uma semana a preparar um jogo para em cinco minutos ter um jogador expulso daquela forma é simplesmente ridículo. O primeiro amarelo é totalmente aceitável. O segundo? Por favor… Se for para seguir as regras “à risca” então a expulsão faz todo o sentido, mas nesse caso a equipa do Zenit teria saído do Dragão com mais dois ou três amarelos. A falta de coerência e de critério por parte daquele árbitro foi abismal! Então expulsa o Herrera no espaço de um minuto mas não dá o segundo amarelo ao Lucho, já na segunda parte, pela falta cometida muito perto da grande área? E percebe-se que o primeiro cartão amarelo mostrado aos jogadores do Zenit só tenha sido aos 36 minutos, já depois de várias faltas para cartão? E que tal o lance entre Jackson e Lodygin? Os dois chocam, o jogo continua, e 10 segundos depois o árbitro lá se apercebe de que o guardião está no chão e interrompe a partida. Quando apita para recomeçar, milagre da transformação: falta a favor do Zenit!

Um dos nossos três jornais desportivos dizia o seguinte: “Paolo Tagliavento é bastante rigoroso. Esteve bem na expulsão do Herrera, só falhou em casos pequenos”. Esta justificação constante de que só porque o árbitro é “rigoroso” os lances chave ganham outra razão é completamente estúpida! Paolo Tagliavento é rigoroso no campeonato italiano e, ao que parece, nas competições da UEFA também. Howard Webb é duro, mas também é famosíssimo em Inglaterra por deixar seguir aqueles pequenos lances em que não se passa nada, mas que em outros campeonatos seriam motivo para interromper a partida. Menos nas competições da UEFA. Se têm boa memória sabem do que falo. FC Porto x Atlético de Madrid. Quantas vezes não foram os ataques do Porto prejudicados por o senhor Webb marcar falta em lances que só beneficiam o infrator? A justificação foi outra: os árbitros têm de se adaptar à competição e não podem apitar nas competições internacionais da mesma forma que apitam nas do seu país. Eu percebo que os árbitros ajuízem as situações de maneira diferente e que cada país tem o seu campeonato, o seu estilo de jogo e forma de ajuizar, mas nas competições europeias o modelo é sempre o mesmo. Ou se apita de maneira muito generalizada ou muito específica! Os memorandos da UEFA não valem de nada a não ser para os clubes. E, atenção, eu não digo que o que se passou na terça feira tenha sido um roubo, apenas acho que aquele árbitro é péssimo. Queremos castigar jogadores que se portam mal, treinadores que abusam, adeptos que só querem fazer desacatos, mas quanto aos árbitros, esses, ninguém lhes toca, ninguém lhes fala. São sempre os jogadores a terem que se adaptar aos juízes e nunca o contrário. Árbitros como Paolo Tagliavento podem ser bestiais em Itália, mas têm tudo para serem bestas na Europa.

A expulsão de Herrera / Fonte: http://i.smimg.net/
A expulsão de Herrera / Fonte: http://i.smimg.net/

Outra nota vai para Paulo Fonseca. Durante a partida um dos comentadores disse que a falta em que Jackson Martínez levou amarelo refletia bem o jogo do Porto. Não podia ter dito melhor. A jogar com dez contra um adversário direto num jogo em que tinha de ganhar, Paulo Fonseca devia ter mexido na equipa de outra forma. Quem joga no limite fica cansado, e quem fica cansado comete mais faltas. E é assim que se vêem cartões! Até tivemos alguma sorte em jogadores como Otamendi, Fernando ou Josué não terem perdido um pouco mais a cabeça e dado uma boa razão para saírem mais cedo. Jackson estava esgotado e Ghilas entrou tarde. Grande erro de Paulo Fonseca. Não deixo de pensar que aquele talvez fosse o jogo perfeito para meter o Quintero na segunda parte. Só posso imaginar como seria tê-lo em campo, assim como ao Herrera.

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

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