Evolução na defesa

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Ao longo da história do Futebol Clube do Porto sempre tivemos jogadores com raça, que não viram a cara à luta e que são como um relógio suíço em campo, cumprindo com regularidade a função que se lhes destina. Este tipo de jogador – muitas vezes designado “jogador à Porto” – era habitual no sector mais recuado da defensiva portista, onde as características apontadas acima são provavelmente mais importantes do que a inconstância de um génio capaz de dribles estonteantes. Ao longo da minha vida assisti a vários defesas que marcaram a história do Porto pela forma como se apresentavam em campo; jogadores como Aloísio, Jorge Costa, Ricardo Carvalho, Pepe (que evoluiu muitíssimo no Dragão), e, até certa altura, Bruno Alves são alguns exemplos de centrais que foram comandantes em campo e que tinham/têm qualidade enquanto futebolistas. E o sector defensivo sempre foi importante para os Dragões; geralmente contámos com defesas agressivos e cumpridores.

A defesa deste ano (e também do ano passado) parece carecer de uma figura de proa, de alguém que dê a confiança de que não vai falhar e que vai puxar os companheiros sempre que a motivação falhar. Mas a verdade é que os números apresentados não são maus e a forma como são constantemente chamados para a circulação de bola é um factor chave no jogo do Porto. E é nestes dois aspectos que gostava de me focar.

O Basco conseguiu melhorar a defesa portista
O Basco conseguiu melhorar a defesa portista

O Porto não sofre um golo no Dragão para o campeonato há 11 meses! É em casa que a equipa de Lopetegui mais solta a classe que tem e que menos oportunidades consente ao adversário. Fora de casa, para o campeonato, tem quatro golos sofridos, e para a Liga dos Campeões também quatro sofridos, sendo que do total de golos sofridos na champions só um foi de bola corrida legal (o primeiro contra o Dínamo de Kiev). No entanto não quero ilibar a equipa da desatenção no segundo golo dos ucranianos, embora tivesse havido um fora-de-jogo que não foi assinalado.

Nota-se que houve uma evolução defensiva especialmente a nível da maturidade em campo e da atenção – já não se vê aqueles disparates que se viu no ano passado com diversos golos sofridos devido a erros individuais. Estão mais jogadores à Porto. Maicon é o patrão da defesa e é quem faz muitas dobras (revela bom posicionamento) e Marcano tem o vigor e a rapidez de reflexos que um bom central deve ter. São diferentes mas a dupla tem funcionado e Indi também tem cumprido. A nível defensivo estou satisfeito com a nossa defesa e principalmente com os laterias Maxi e Layún. O caso do mexicano merece até uma análise profunda que fica para outra altura; não só é bom jogador como é um grande atleta!

Maicon começa a ser a grande referência portista na defesa
Maicon começa a ser a grande referência portista na defesa

O outro ponto chave de uma defesa inserida numa equipa como o Porto é a qualidade que empresta ao jogo ao nível da posse de bola. Os centrais devem ser os jogadores com a bola mais tempo nos pés e são fundamentais para fazer a ponte para o ataque e para diminuir o desgaste físico dos companheiros mais adiantados. Defesas fracos com a bola obrigam a equipa a vir buscar o jogo a terrenos muito recuados ou a um posicionamento menos avançado no terreno. Há logo uma perda de tempo e qualidade demasiado grande para ser ignorada. Uma defesa que não saiba ter a bola compromete todo o jogo ofensivo de uma equipa – já não estamos no tempo do central que chuta para onde está virado.

E talvez esta evolução na confiança com a bola seja o maior mérito de Lopetegui na defesa! Não há milagres: ainda ninguém quebra o jogo ao estilo de Beckenbauer – grande parte da relação que um jogador tem com a bola (o passe, a recepção, a visão de jogo, o “timing”) já nasce com ele e vai-se aprimorando com o tempo, mas sem dúvida que houve evolução no Porto nesse sentido. A vinda de Casillas, que joga bem com os pés, obrigou os jogadores a tratarem melhor a bola mas também lhes deu mais confiança para a circulação defensiva.

Há sinais que mostram evolução e a defesa é um deles. Acredito mesmo que esta evolução se vá traduzir a médio prazo no campeonato e em mais uma boa campanha na Liga milionária.

 

Fotos: FC Porto

Pedro Nuno Silva
Pedro Nuno Silva
Portista de corpo e alma desde que se conhece e amante de futebol, quando o assunto é FC Porto luta para que no meio do coração lhe sobre a razão.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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