FC Porto 3-0 Vit. Guimarães – Jackson? Não, Aboubakar!

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O FC Porto entrou na Liga NOS com o pé direito… de Aboubakar. Como assim? Frente ao Vitória de Guimarães, o camaronês bisou e ofereceu os primeiros três pontos da nova estação futebolística aos azuis e brancos. O 3-0 é um resultado que não deixa margem para dúvidas sobre qual foi a melhor equipa em campo e permitiu aos espectadores tirar diversas ilações sobre a equipa da casa e sobre o Vitória.

Com mais de 48 mil a lotarem o Dragão, Lopetegui fez entrar o onze esperado face à lesão que apoquentou Brahimi durante toda a semana. Apesar de ter convocado o argelino, o timoneiro dos dragões preferiu não arriscar e apostou em Varela a titular (que também fez o gosto ao pé), assim como em Danilo Pereira, que, com Imbula e Herrera, completou o trio de meio campo. Por sua vez, a equipa de Armando Evangelista procurava redimir-se da humilhação europeia e entregou as despesas atacantes a Henrique Dourado, que, apoiado por Tozé (nas costas) e Tomané e Alex nas alas, pareceu sempre insuficiente para fazer tremer a defesa portista.

O FC Porto controlou desde cedo o rumo dos acontecimentos. Com trocas de bola seguras entre a defesa e o setor intermediário e face ao bloco médio-baixo que o Vitória de Guimarães dispôs, o golo surgiu logo aos oito minutos: bom entendimento entre Varela e Alex Sandro no flanco esquerdo, com o último a cruzar para Aboubakar, que rematou para o primeiro tento da partida (a bola ainda sofreu um desvio em João Afonso).

Com o passar do tempo, o reforço francês Imbula foi mostrando a sua apetência ofensiva com aproximações constantes à grande área vimaranense e apoio direto ao ponta-de-lança Aboubakar. Num resto de primeira parte tranquilo, nota negativa para Héctor Herrera, que denotou demasiada lentidão no processo ofensivo e tomada de decisões. Varela procurou sempre jogar simples e rapidamente, algo que alcançou de forma positiva, e combinou quase sempre bem com o parceiro de flanco, Alex Sandro, e os dois companheiros da frente. Danilo Pereira jogou de cabeça erguida e nunca ficou sobressaltado perante a pressão de adversários.

Do lado do Vitória, sempre muito expectante, foi Bouba Saré a evidenciar-se, já que procurou transformar o momento de recuperação do esférico no primeiro instante ofensivo da equipa. Dourado e Tozé tentaram segurar a bola, mas a ajuda dos homens das alas demorou quase sempre a chegar. Sinal menos para Luís Rocha, muito desapoiado e impotente perante as mudanças de velocidade de Cristian Tello.

No entanto, a segunda parte iniciou-se com a mudança de filosofia da equipa de Guimarães. Evangelista fez o bloco subir e a pressão resultante dessa ação começou a dar frutos. A defesa dos dragões começou a sentir-se apertada, o meio-campo não conseguiu sair a jogar e Tozé podia mesmo ter faturado, não fossem a atenção e os reflexos de Iker Casillas. Julen Lopetegui soube ler o jogo, substituindo Herrera (apagadíssimo) por André André, de modo a contrariar o ascendente vitoriano e conferir maior intensidade ao miolo.

Varela foi feliz e faturou, no regresso ao Estádio do Dragão Fonte: Página do Facebook do FC Porto
Varela foi feliz e faturou, no regresso ao Estádio do Dragão
Fonte: Página do Facebook do FC Porto

Aos 53 minutos, Tello protagonizou um falhanço escandaloso à boca da baliza de Douglas. Com o guarda-redes batido, o espanhol conseguiu não aproveitar a oportunidade clamorosa (resultante de mais um bom cruzamento de Varela) e permitiu o desvio de João Afonso em cima da linha de golo. À passagem da hora de jogo, surgiu o golo da tranquilidade, e mesmo no momento certo: Maxi Pereira, com o auxílio de André André, recuperou o esférico no meio-campo e entregou para Aboubakar, que após um sprint rematou forte e sem hipótese para o keeper dos vimaranenses. “Abombakar” estava de regresso ao Dragão, com o segundo golo da sua conta pessoal, festejado efusivamente pelos portistas.

A partir deste momento, o FC Porto limitou-se a gerir o resultado e a rotação do jogo, atacando apenas pelo seguro e evidenciando grande tranquilidade no reduto defensivo. Evandro entrou para o lugar de Imbula, que esteve mais discreto na etapa complementar, e a partir daí o Vitória não mais ameaçou a baliza de Casillas. Aos 84 minutos, Silvestre Varela fixou o resultado final, depois de combinar com Maxi e tirar Luís Rocha do caminho; num remate fulminante, o internacional português voltou a marcar no Dragão, depois de uma época “fora de casa”. O extremo luso foi bastante aplaudido quando foi substituído por Brahimi.

Apito final, e o FC Porto vitorioso a confirmar o favoritismo. Bons apontamentos dos comandados de Lopetegui, que, em termos gerais, realizaram uma exibição francamente boa e, acima de tudo, competente. Para o Vitória de Guimarães adivinham-se tempos difíceis. Em três jogos oficiais, o saldo é de três derrotas e ainda não foi desta que se viram ideias de jogo positivas do lado da turma de Armando Evangelista. No Dragão, o speaker voltou a gritar “golo” e a entoar o nome de um matador: Jackson Martí… Perdão. Vincent… Aboubakar! A máquina já parece estar oleada, e agora… venha o Marítimo no tão malfadado “Caldeirão dos Barreiros”.

A Figura

Aboubakar – Osvaldo que se cuide. O camaronês está em alta e abriu a época com dois golos, um dos quais à entrada da área, num pontapé fulminante, sem dó nem piedade. Numa altura em que a nação azul e branca (ainda) está apreensiva com a saída de Jackson Martínez, Vincent Aboubakar picou (e bem!) o ponto e deve ter garantido a titularidade, pelo menos no futuro próximo. Mas não foram só os golos: as movimentações, saídas da área e decisões foram quase sempre perfeitas e tomadas na altura certa. Saudades do ‘Cha Cha Cha’? Para já, estão esquecidas.

O Fora-de-jogo

Herrera – Sempre em ritmo lento, foi substituído pouco depois do início da segunda parte. E sem surpresa. Más decisões, passes errados e pouca desenvoltura foram as falhas do mexicano, coroadas por um falhanço imperdoável na cara de Douglas, ainda na primeira parte. O ‘Tribunal do Dragão’ não perdoou, e Herrera foi brindado com muitos assobios no primeiro jogo oficial da temporada azul e branca.

Foto de Capa: Página do Facebook do FC Porto

Francisco Sebe
Francisco Sebehttp://www.bolanarede.pt
"Acordou" para o desporto-rei quando viu o FC Porto golear a Lazio, no dilúvio das Antas. Análises táticas e desportivismo são com ele, mas o amor pelo azul e branco minimiza tudo o resto.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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