FC Porto 4-1 Académica: Caloirada ao som de Cha Cha Cha

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Para garantir a presença na meia-final da Taça da Liga, o FC Porto precisava de vencer a Académica, no Dragão. Para tal se concretizar, Lopetegui voltou a mexer de forma acentuada na equipa, apenas levando a jogo Danilo, Tello e Jackson da equipa que perdeu na Madeira, diante do Marítimo, no último fim-de-semana.

Perante um adversário já de si frágil e ainda mais diminuído em função da política de poupanças promovida por Paulo Sérgio, o FC Porto entrou bastante rápido e intenso na partida, pressionando a todo o campo e não deixando a Briosa respirar. Foi fruto dessa pressão, aliás, que logrou chegar ao golo logo à passagem do sexto minuto, por intermédio de Jackson, ainda que o erro do central da Académica, Aníbal Capela, muito tenha contribuído para esse desfecho.

Ligado à corrente – foi este o estado de espírito com que os dragões encararam os primeiros 45 minutos. Grande capacidade de circulação de bola, com rapidez e mais assertividade do que o habitual, ainda que com a habitual e imutável tendência da procura das zonas laterais do campo (e nunca da penetração horizontal). Aliás, se o futebol do FC Porto fosse mais objectivo, e não procurasse ainda e sempre os flancos como último meio para fazer chegar a bola à área e ao golo, ou seja, se dispusesse de outra variabilidade, os dragões tinham tudo para ser uma melhor (e mais feliz) equipa. De qualquer forma, ainda que o padrão de jogo se tenha mantido, o que é certo é que se viu um FC Porto com mais velocidade e intensidade na circulação de bola, com dois nomes à cabeça a contribuir para esta produção acima da média: Campaña e Rúben Neves. O primeiro talvez seja mais um ‘8’ do que um ‘6’ e possa vir a surgir, futuramente, como uma verdadeira hipótese nas contas de Lopetegui; o segundo, face a Casemiro, é muito mais ágil, mais móvel, mais rápido, mais fiável, em suma, melhor. É possível que tenha acontecido mas não me lembro de o ter visto falhar um passe em todo o jogo.

Voltando ao jogo jogado, o FC Porto dispôs de variadíssimas oportunidades para ampliar o marcador, sobretudo por intermédio de Tello, aos 10’ e 48’ – momentos estes em que o FC Porto soube aproveitar proficuamente o tal potencial que o jogo interior lhe pode dar, abandonando, por escassos momentos, a preocupação excessiva que os seus médios têm em, assim que recebem a bola, virar a cabeça para um dos flancos e fazer o passe (os únicos que fogem a esta regra são, em planos diferentes, Rúben Neves e Quintero). Por outro lado, a Académica limitou-se a (tentar) defender com um mínimo de organização, apenas conseguindo o seu primeiro remate aos 36’.

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FC Porto e Académica disputaram, no Dragão, a 4ª jornada do grupo D da Taça da Liga

Já na 2ª parte, a dança das substituições ditou a troca de Campaña e Jackson por Quintero e Gonçalo Paciência, respectivamente, já depois do ‘Cha Cha Cha’ ter assinado uma obra-prima, com um golo de calcanhar na sequência de um canto, aos 58’. Tanto Quintero como o estreante Gonçalo – cada um à sua medida – vieram  animar o jogo: o primeiro, com a tal fuga à rotina, trouxe o açúcar ao jogo da equipa; o segundo porque carrega, além do apelido, um potencial anormal, com as pitadas necessárias de irreverência mas já com maturidade no seu jogo. Ah, e magia! A que lhe permitiu marcar um golo de craque aos 75’, já depois de Ricardo, isolado, ter desperdiçado. E quem esteve sempre na jogada? Pois, Quintero.

Antes disso, porém, aproveitando o excessivo balanceamento de José Ángel (excelente primeira parte, caiu bastante na segunda), Hugo Seco aproveitou a auto-estrada, vulgo lado esquerdo defensivo portista, para oferecer o golo ao recém-entrado Mbala. 2-1 à entrada do último quarto-de-hora, antes da tal dupla saída do banco portista ter desequilibrado (ainda) mais o jogo. E tanto que veio desequilibrar que foram os mesmos protagonistas a criar o lance do 4-1; Gonçalo Paciência estava perante a baliza no momento em que foi derrubado por João Real, dando azo a um penalty eficazmente convertido por Evandro. “E quem fez o passe?” Ah, Quintero.

Com uma exibição sólida e que teve momentos bastante interessantes (sobretudo na primeira metade), o FC Porto garantiu o 1º lugar do Grupo D, na Taça da Liga, agendando encontro com o Marítimo, no próximo dia 11 de Fevereiro. Exactamente o mesmo adversário que lhe causou um imenso dissabor na última jornada da Liga. Liga essa que tem no próximo fim-de-semana um osso que pode ser duro de roer: Paços de Ferreira. E só porque quero que a vida de Lopetegui seja tão mais simples quanto possível, aqui segue a dica: Fabiano, Danilo, Marcano, Indi, Alex Sandro, Rúben Neves, Óliver, Quintero, Quaresma, Ricardo e Jackson.

 

A Figura
Rúben Neves – Alguém lhe falsificou o BI! Todos os elogios que lhe dediquei em cima são mais do que merecidos. Tem maturidade e posicionamento, intensidade e visão de jogo, capacidade de passe e simplicidade de processos. É ele quem está emprestado pelo Real Madrid?

O Fora-de-Jogo
Tello – Continua sem provar toda a aura que alguém terá por ter “nascido” em La Masia e por chegar proveniente do Barcelona. Muita, muita velocidade; pouca, pouca inteligência e acerto na hora da finalização. Além disso, continua a tomar muitas decisões erradas e esconde-se do jogo durante largos momentos.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Filipe Coelho
Filipe Coelho
Ao ritmo do Penta e enquanto via Jardel subir entre os centrais, o Filipe desenvolvia o gosto pela escrita. Apaixonou-se pelo Porto e ainda mais pelo jogo. Quando os três se juntam é artigo pela certa.                                                                                                                                                 O Filipe não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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