FC Porto B 0–0 CD Santa Clara: Um Bocejo em 90 Minutos

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O FC Porto B entrou em campo frente ao CD Santa Clara na máxima força: ou seja, com todos os futebolistas disponíveis. António Folha dispôs a equipa num 4-3-3 em que, no meio-campo, Francisco Ramos e Fede Varela se colocavam como interiores à frente do trinco Omar Govea. Na equipa do CD Santa Clara merece nota de destaque a ausência de Serginho, habitual guarda-redes titular da equipa açoriana.

Num jogo com pouca história, na primeira parte destaca-se a disposição conservadora da equipa do FC Porto B em campo, com Francisco Ramos a colocar-se sempre muito junto de Omar Govea na construção, sendo depois sentida a sua falta na função em que o jovem médio português é mais forte: a criação. Do lado do CD Santa Clara, a equipa procurou sempre jogar um futebol mais apoiado, embora, na fase de criação, com um recurso por vezes excessivo à capacidade desequilibradora do extremo Dennis Pineda. O FC Porto B foi sempre uma equipa com menos foco no coletivo, com demasiada condução de bola por parte dos seus jogadores e com uma escassa procura de criar perigo a partir do corredor central, sendo que apenas Fede Varela aparecia, ocasionalmente, entre linhas nessa zona do terreno de jogo.

Foi precisamente Fede Varela que, aos 17 minutos, surgiu entre linhas para rematar por cima da baliza à guarda de Pedro Soares. Aos 23 minutos deu-se o lance de maior perigo em toda a primeira parte, com Kayembe a cruzar bem para Galeno, que, antecipando-se a Rui Silva, rematou por cima da baliza já numa zona na qual se impunha finalizar com mais qualidade. Aos 29 minutos a bola acabou por entrar na baliza do FC Porto B, mas a jogada já havia sido interrompida por João Reis – que se encontrava em posição de fora de jogo –, que se fez ao lance que acabaria por ser finalizado por Joel Silva.

O final da primeira parte fica também marcado por algumas das cenas mais lamentáveis do encontro. Aos 34 minutos de jogo, Accioly pisa – de forma aparentemente intencional – Galeno, mas o árbitro da partida, não entendendo o gesto como intencional, optou por não expulsar o defesa brasileiro do CD Santa Clara. Já após o apito para o intervalo, Carlos Pinto – que esteve extremamente nervoso ao longo dos primeiros 45 minutos – e Paulinho Santos envolveram-se em confrontos, acabando ambos por receber ordem de expulsão.

A equipa de Folha continua sem convencer Fonte: FC Porto
A equipa de Folha continua sem convencer
Fonte: FC Porto

Ainda obnubilados, após 45 minutos extremamente desinteressantes, deu-se início à segunda parte do jogo. O CD Santa Clara veio mais perigoso após o intervalo, com oportunidades de golo num cruzamento-remate de João Reis aos 58 minutos e num remate de Clemente aos 69 minutos, que acabaria por passar ao lado da baliza à guarda de Gudiño. Contudo, foi apenas no último quarto de hora que o encontro começou a apresentar alguns momentos de interesse.

O primeiro foi protagonizado por Kayembe, que, aos 74 minutos, conduziu a bola na direita e picou para Fede Varela, que, isolado frente a Pedro Soares, acabaria por desperdiçar a oportunidade. Dois minutos depois, João Graça, que havia entrado no jogo para o lugar de Francisco Ramos, remataria por cima da baliza do CD Santa Clara. Já a fechar o encontro, aos 88 minutos, Fede Varela isolou André Pereira – que havia entrado pouco tempo antes para o lugar de Rui Pedro – para este rematar ao lado da baliza à guarda de Pedro Soares. Finalmente, aos 92 minutos de jogo, bom lance individual de Ismael Diaz – que havia entrado ao longo da segunda parte para o lugar de Galeno – que, fora da área, rematou forte para uma boa defesa de Pedro Soares.

Num jogo taticamente pobre e que valeu por alguns fogachos individuais, a equipa de António Folha não foi além de um empate, mantendo-se assim na zona perigosa da tabela classificativa. Já o CD Santa Clara apresentou bons argumentos coletivos, mas falta de qualidade individual para levar de vencida a equipa do FC Porto B.

Foto de Capa: FC Porto

Francisco Sampaio
Francisco Sampaiohttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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