Frente a frente: Ricardo Quaresma vs Yacine Brahimi

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Na rubrica “Frente a Frente” desta semana colocamos em perspetiva os desempenhos de dois dos jogadores mais fantasistas que passaram pelo FC Porto no presente século. Num duelo de titãs, Ricardo Quaresma e Yacine Brahimi são os “concorrentes” designados para esta feroz disputa. O português teve duas passagens pelo FC Porto (2004-2008 e 2013-2015) num total de 5 épocas e meia de dragão ao peito e o argelino, ainda a representar o clube, conta com 4 épocas completas de azul e branco (2014-2018).

Para começo de conversa, ficam alguns dados estatísticos (valem o que valem) sobre ambos:

 Ricardo Quaresma:

Jogos pelo FC Porto: 225

Golos pelo FC Porto: 50

Média golos/jogo: 0,22

Títulos pelo FC Porto: 3 Campeonatos, 1 Taças de Portugal, 2 Supertaças, 1 Taça Intercontinental

Yacine Brahimi:

Jogos pelo FC Porto: 166

Golos pelo FC Porto: 41

Média golos/jogo: 0,25

Títulos pelo FC Porto: 1 Campeonato

Começando pelo internacional português, chega ao FC Porto no verão de 2004 envolvido no negócio que levou Deco para o FC Barcelona. Depois de uma passagem fugaz pela Cidade Condal, Quaresma regressava a Portugal (havia representado o Sporting CP) para relançar uma carreira que prometera ser brilhante. Quatro épocas bastaram para se tornar rei no Dragão e voltar a tentar a sorte num gigante europeu, o Inter de Milão.

Quaresma, na sua segunda passagem pelo FC Porto
Fonte: FC Porto

O mustang (um dos nomes que o celebrizaram), era e é dono e senhor de uma técnica apurada e de uma capacidade de drible ímpar. Viveu na primeira passagem pelo clube aquela que foi, porventura, a fase mais consistente da sua carreira. Pese embora alguns momentos de apagão e, até, de conflito com a bancada, Ricardo Quaresma construiu, com o clube e com os adeptos, uma relação de amor eterno.

Era um jogador singular. Muito vertical, jogava com igual à vontade nas duas faixas, muito mais pela valia da sua trivela do que pelo poder do seu pé mais fraco, o esquerdo. Apesar de todo o seu virtuosismo, foi a qualidade dos seus cruzamentos e o número de assistências que fazia que mais me impressionaram.

Chegou ao clube numa fase ganhadora e aproveitou esse facto para juntar um significativo número de títulos ao seu palmarés.

Passemos agora ao mago magrebino. Yacine Brahimi chega ao FC Porto em 2014 pela mão de Julen Lopetegui. Um desconhecido para os menos atentos ao campeonato do país vizinho. Chegava ao FC Porto um jogador tecnicista e muito elogiado em Espanha e que acabara de realizar um Mundial 2014 muito interessante com a sua seleção. Nessa primeira temporada de azul e branco foi, curiosamente, colega de equipa de Ricardo Quaresma.

Brahimi, na comemoração do seu único título de campeão nacional
Fonte: FC Porto

Jogando preferencialmente pela esquerda, o argelino é, ao contrário do campeão da Europa por Portugal, um jogador que dá primazia a movimentos interiores. Apesar de similares no talento individual diferem muito no que concerne ao estilo. Se Quaresma ia consistentemente à linha cruzar, Brahimi exige que a largura seja dada pelo lateral e aparece mais vezes em zona de finalização. O que mais impressiona no camisola 8 dos dragões é a velocidade em condução e drible e a agilidade com que muda de direção. Apesar de períodos de nível superlativo, Brahimi pautou o seu desempenho no FC Porto por alguma inconsistência. Fez no último ano, sob o comando de Sérgio Conceição, a melhor temporada de Dragão ao peito e que culminou com o único título conquistado pelo argelino na sua carreira sénior.

Bernardo Lobo Xavier
Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.

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