Garra e motivação: ingredientes em falta neste Dragão?

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Relembrar o plantel do FC Porto da época passada e compará-lo com o atual não parece, à partida, uma tarefa complicada. Grande parte dos jogadores são os mesmos e tivemos ainda o regresso de Danilo, depois de uma longa paragem. Ainda assim, são evidentes as diferenças naquilo que vemos semana após semana, nos jogos. Comparar isso, sim, já se começa a tornar complexo.

As saídas de Marcano, Ricardo Pereira e Diogo Dalot foram as grandes mexidas do plantel no mercado de verão. Muito se falou de possíveis transferências, como de Alex Telles, Brahimi e até de Marega, mas a verdade é que foram apenas dois dos habituais titulares a deixarem a equipa (e Diogo Dalot, claro está, que seria a opção óbvia para substituir Ricardo Pereira). Para o lugar de Marcano foi chamado Diogo Leite nos primeiros encontros oficiais (que deixou boas indicações e continua a ser uma opção com qualidade) e Militão, mais tarde, que parece já ter agarrado definitivamente o lugar e ter feito esquecer o espanhol. Para a direita da defesa, Maxi Pereira. Uma solução que já estava dentro de portas mas que já não tem o fulgor de outros tempos.

O uruguaio garantiu estar disposto a trabalhar em dobro para retribuir a confiança de que foi merecedor, sobretudo por parte do treinador, mas a verdade é que a idade começa já a ser um fator importante no seu desempenho, nomeadamente na rapidez para percorrer o corredor.

O núcleo duro azul e branco permanece o mesmo mas a resposta em campo tem sido diferente
Fonte: FC Porto

No entanto, outras peças importantes do puzzle azul e branco do ano passado estão, esta época, menos “brilhantes”, o que acaba por se refletir no conjunto. Neste momento, com sete jornadas decorridas, o FC Porto soma já as mesmas derrotas que averbou em toda a época passada. Ainda assim, continua a encabeçar a lista de melhor ataque, a par com o SC Braga, com 16 golos. Já a defesa, que terminou o ano passado como a melhor, ocupa neste momento o terceiro lugar, com seis golos encaixados. Aboubakar destaca-se para já entre os melhores marcadores, com quatro golos e apenas atrás de Dyego Sousa, com cinco, mas a lesão que o vai afastar até ao próximo ano rapidamente o tirará do pódio.

E essa é outra semelhança deste FC Porto e do do ano passado: as lesões no ataque. Tal como no arranque passado, Soares lesionou-se neste início de época e, fruto disso, nem chegou a ser inscrito na Liga dos Campeões. Quando regressou, o azar bateu à porta de Aboubakar e um Marega menos arrebatador do que foi tem deixado os dragões longe do ataque demolidor a que habituou os adeptos.

Neste momento, talvez falte na equipa a garra que se viu durante toda a época passada. A sede de conquistar o título e afastar o SL Benfica de um feito que mora apenas na Invicta, terá funcionado como uma motivação extra. Neste momento, precisa-se de um Brahimi que volte a dizer “Nós vamos ganhar”, de um Herrera presente e decisivo no meio campo, de um Marega capaz de desequilibrar qualquer defesa. Éder Militão, substituto do fundamental Marcano, está a dar a resposta que todos esperavam e a encher o centro da defesa. Quanto a todos os outros, são peças já habituadas a jogar entre si e ao treinador, peças habituadas ao Dragão e à sua exigência.

O que cada um sabe e demonstrou no passado, essencial para a conquista, continua por certo a saber. A mudança, parece-me, terá de vir de dentro, da motivação para encarar cada jogo como decisivo, de não relaxar quando a vantagem já é de dois golos e, sobretudo, de não encarar nenhum adversário como fácil. No campo, estou certa que a competência de cada um é a mesma. O mar azul, esse, continua também presente.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Joana Quintas
Joana Quintashttp://www.bolanarede.pt
O gosto pela escrita e a paixão pelo desporto, particularmente pelo futebol, tornaram claro que o jornalismo desportivo seria o caminho a seguir. A Joana é licenciada em Ciências da Comunicação, gosta de estar atenta ao que a rodeia e tem, por norma, sempre uma palavra a dizer sobre tudo.                                                                                                                                                 A Joana não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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