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José Monteiro da Costa: O homem da “Segunda Fundação”

David Guimarães · 2 min

José Monteiro da Costa: O homem da “Segunda Fundação”

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a minha eternidade

José Monteiro da Costa era considerado um homem prático e de acção. Administrador de uma empresa de cariz familiar, na área da floricultura – negócio que o levou a mudar-se para Inglaterra – cedo ficou encantado pela modalidade. Foi em terras britânicas que descobriu o futebol, jogo que o deixava inapelavelmente extasiado. Já regressado a Portugal, nos inícios de 1906, com a paixão do “beautiful game” ainda a arrebatar o seu espírito saudoso, tentou seduzir os seus companheiros de “brincadeiras” pertencentes ao Grupo do Destino por forma a transformar a agremiação festiva em clube de futebol. Munido de uma bola comprada em Inglaterra e graças ao seu carácter sedutor, persuasivo e influenciador, logrou os seus desígnios. Assim nasceu o Football Club do Porto, denominação que se deve a um pedido do seu grande amigo António Nicolau d´Almeida, que doze anos antes fundara e extinguira o primeiro FC Porto.

A acção de Monteiro da Costa no seu clube “filho” não se cingiria apenas aos gabinetes. O primeiro presidente do clube foi também responsável pelo arrendamento do terreno onde a equipa de futebol actuava, o campo da Rua da Rainha (o primeiro com relvado em Portugal), e destacou-se também ao ser o primeiro guarda-redes do conjunto portista. Homem polivalente e multifacetado, era omnipresente e incansável na defesa do seu grande amor. Apesar de acérrimo defensor dos ideais Republicanos, Monteiro da Costa escolheu as cores da Monarquia Portuguesa – o azul e o branco –, porque acreditava que o clube iria ter uma expressão nacional forte, representando grandiosamente as cores portuguesas.

A sua actividade foi tão importante no Porto que um aglomerado de associados dos azuis e brancos, como forma de homenagearem o seu jovem mentor, pretendeu instituir um torneio agraciado com uma taça de prata, adquirida através de quotização entre os vários proponentes, implantando no troféu o nome do homenageado. Essa taça era parte integrante do prémio para o vencedor do campeonato do Norte (disputado apenas com equipas sediadas acima do rio Mondego).

Infelizmente, José Monteiro da Costa, uma das personalidades mais emblemáticas na história do clube portuense, não chegaria a assistir à primeira edição da competição, visto que morreu no dia 30 de Janeiro de 1911, aos 29 anos, derrotado por uma doença repentina e fulminante. A sua influência na comunidade portista foi crucial e como tal, o desânimo depois do seu desaparecimento físico infectou o clube. Numerosos associados chegaram a temer pela vida do FC Porto. Mas, com paixão temerária, honra identitária e amor ao jogo, os portistas tiveram alento para perpetuarem o seu emblema. Depois desse início de ano triste para os adeptos e sócios do FC Porto, foi votado o seu sucessor numa Assembleia Geral de 16 de Março de 1911, vencendo o tenente Júlio Garcez de Lencastre.

Foto de capa: fcporto.pt

David Guimarães

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