Mágico pegou na batuta, mas o verdadeiro maestro voltou…

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Com a eliminação precoce da Argélia da CAN’2015, o Futebol Clube do Porto viu retornar “a casa” o jogador que até então era o grande motor do jogo ofensivo da equipa, assumindo-se como o maestro de um ataque que entoava (e entoa…) ao som da voz de ‘Cha Cha Cha’ Jackson: falo, claro está, de Brahimi.

Mas a ausência do argelino foi, e de que forma, aproveitada pelos dois extremos que continuaram disponíveis no plantel: Tello e Quaresma. E agora, terá Lopetegui dores de cabeça em saber como jogará já no próximo jogo do campeonato ou será uma equação simples de equilíbrio de equipa? Uma coisa é certa: a curto prazo, Brahimi voltará a entrar no onze dos Dragões. É também verdade que retirar o espanhol ou o português será sempre ingrato, tendo em conta o nível que têm apresentado, mas a verdade é que o argelino já demonstrou de forma clara que é um dos indiscutíveis do xadrez do técnico portista.

Analisemos as três hipóteses mais prováveis de acontecer:

i) Manter Quaresma e Tello: para seguir o “politicamente correcto” e tendo em conta o actual desempenho apresentado nos últimos jogos por ambos, seria normal que na próxima partida ainda jogassem os “titulares”, mas essa chance parece-me remota porque, como disse anteriormente, Brahimi tem algo mais do que os seus “rivais” de posição;

ii) Manter Quaresma e apostar em Brahimi: esta seria a mais arrojada solução, porém a que mais agradaria aos adeptos. Brahimi é o grande desequilibrador da equipa e aquele que consegue impor ou baixar o ritmo de jogos dos dragões(junto com Óliver), enquanto Quaresma, numa trivela, numa finta, numa magia ou numa arrancada deambulante, pode decidir jogos ou deliciar adeptos; e que mais o adepto quer? Futebol espectáculo! Vamos então ao terceiro factor, aquele que quanto a mim mais pesará na cabeça do treinador…

iii)  Manter Tello e apostar em Brahimi: não seria esta a escolha que agradaria mais o adepto, de todo! Pensando pelo treinador e analisando o jogo da equipa, a verdade é que Tello, apesar de ainda falhar demasiados golos (também cria imensas situações devido à velocidade que tem), é também o extremo mais diferente que o plantel azul-e-branco tem: é mais prático e equilibra melhor a equipa em termos de exposição ao contra-ataque e ao posicionamento defensivo, ao passo que quer Brahimi quer Quaresma são jogadores quase 100% ofensivos, libertando-se de tarefas defensivas para poderem reservar-se às explosões e diabruras que costumam deixar adversários pelo caminho. Note-se que no “clássico” 1-4-(1+2)-3 do Futebol Clube do Porto, e sabendo que Herrera e Óliver (mais o mexicano) costumam aparecer em zonas claras de finalização, no interior da área, por vezes até com Herrera a “fazer” de Jackson Martinez, torna-se importante ter um elemento que tenha pulmão, velocidade e disponibilidade para poder fazer todos os movimentos contrários aos de certos jogadores da equipa. Isto é: se Herrera cai na linha, um extremo tem de fechar no meio; se Herrera vai procurar ganhar o cruzamento ao segundo poste, o extremo tem de movimentar-se para a natural posição que seria deste jogador se os pressupostos do “avançado ao primeiro poste e extremo ao segundo” clássicos do futebol fossem utilizados por este Porto. Exemplo disso é o golo de Herrera ao Paços de Ferreira, onde Jackson cruza e Herrera aparece na cara do guarda-redes. E a fazer este tipo de movimentos – mesmo sabendo que com a entrada de Brahimi o argelino pode fazer muitas vezes flexões para o meio e cair Herrera na linha – Tello é mais forte, tem uma grande cultura táctica, fruto da escola que o formou e que é a base do jogo espanhol (tentado implementar por Lopetegui no Porto).

Não estando a dizer, de todo, que só esta poderá ser a solução (não esquecer Quintero ou Hêrnani), parece-me, na qualidade de espectador, que estas poderão ser as mais fortes dúvidas que pairam na cabeça do timoneiro dos Dragões.

E tu, caro Dragão, o que farias no lugar de Lopetegui?

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Redação BnR
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