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Mais um <i>whisky</i>, se faz favor!

João Pedro Monteiro · 3 min

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Na passada quinta-feira viu-se um Porto com atitude e vontade de vencer durante 90 minutos. Presumo que tenha sido uma brincadeira de mau gosto…

Não estamos habituados a ver isto… Ou, antes, aquilo! Vi o jogo no café, pela televisão, mas não estava a acreditar. O Porto, na Alemanha, a impor o seu jogo? O seu futebol? A dominar? Não… Ri-me e mandei vir mais um whisky. O empregado já me conhece e deixou a garrafa. Porque desde que Paulo Fonseca entrou para comandar os Dragões que não se vê um jogo em que o Porto domine por completo contra uma equipa mais do que competente. Mas o forte marca-passo da equipa azul e branca, que não se deixou abalar por nada e que elevou o seu futebol a um nível de esforço e empenho nunca antes visto, ficou sempre ligado à terra por um pequeno fio a que chamámos “falhas defensivas”. Aquelas a que já estamos habituados. E essa foi a única razão que me impediu de acabar com o Red Label lá no café…

O Porto entrou a pressionar, mas as transições ofensivas não estavam a funcionar. Os alemães cobriam bem as alas, forçando o “deslocamento” da nossa posse de bola para o centro, onde não somos tão eficazes. Na primeira parte as melhores oportunidades surgiam quase todas através de cruzamentos antecipados ou passes em profundidade, pois quando chegávamos à linha de fundo já os defesas alemães eram senhores no seu domínio. O Frankfurt lá ia jogando, passando bem a bola nos segundo e terceiro terços do campo, sempre com movimentações rápidas, mas felizmente para nós as leituras de jogo de Fernando, Herrera e, de vez em quando, Maicon e Mangala incapacitaram os ataques mais perigosos. O golo do Eintracht surgiu de uma falha de marcação, e não de uma boa jogada.

Ghilas ganhou pontos na corrida pela titularidade Fonte: Maisfutebol
Ghilas ganhou pontos na corrida pela titularidade
Fonte: Maisfutebol

A segunda parte começou com o Porto a querer jogar difícil, com opções de passe que não eram as melhores, mas o 2-0 veio corrigir isso. O resultado era complicado, mas a prestação da equipa de Paulo Fonseca deu-me uma nova confiança ao ponto de acreditar em algo que precipitou o meu vaticínio em público: o jogo ia acabar 3-3. A entrada de Ghilas acrescentou o apoio ofensivo que a equipa precisava. Jackson Martinez não tem estado bem. Talvez precise de alinhar os seus chakras. Ele e o Mangala. Mas Ghilas permitiu que Jackson se libertasse de um lugar onde não só estava sozinho como também desorientado. O argelino estava com vontade de mostrar trabalho e marcar golos. Foi uma mexida muito bem conseguida e deixou uma ideia que talvez valha a pena reter: Jackson pode jogar muito melhor com Ghilas a segundo avançado, pois deste modo o posicionamento ofensivo nunca fica comprometido e um pode libertar espaço para o outro.

O resto da história já se conhece. O Porto empata, o Eintracht aproveita mais uma falha defensiva, e Ghilas encerra o resultado, tal e qual o que eu previ. Não foi confiança cega, apenas li o jogo e percebi que seria uma questão de tempo até o Porto marcar, pois o tal controlo emocional de que falei na semana passada esteve presente. A perder 2-0, não perdemos a confiança nem nos deixámos levar. Conseguimos o empate porque aqueles onze jogadores nunca deixaram de acreditar, e nem dois golos sofridos abalaram a confiança que, mais uma vez, não foi cega, mas apenas o resultado de uma leitura simples e directa.

Para terminar acrescento apenas que, mais do que o futuro de Paulo Fonseca, este jogo pode ter definido o futuro de Ghilas. Só espero que durante o próximo jogo não precise de mandar vir um sumo de laranja natural. Não há nada de errado com um whisky de vez em quando…

João Pedro Monteiro

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