Mudaram-se os artistas mas o circo mantém-se

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À décima segunda tentativa, eis que a derrota apareceu. Já tinha aparecido a Benfica e Sporting, mas desta vez coube ao FC Porto sofrer dos seus males e passar pelo primeiro grande desaire da época, com uma consequência imediata: a eliminação da Taça de Portugal. Apesar de todo o alarido à volta do plantel portista e das profecias que se faziam há algumas semanas – de que com o plantel que o FC Porto tinha, tudo venceria esta época -, admito que a derrota de sábado não foi uma surpresa para mim.

De facto, depois dos ameaços de Alvalade e de Lviv e da sofrida vitória em casa frente ao Sp. Braga, percebia-se que não iria demorar muito a primeira derrota portista. Pela incapacidade que a equipa demonstrava em mostrar solidez, pela constante rotação que já ninguém percebe por parte de Lopetegui, por todos os erros defensivos e ofensivos que a equipa cometia, era fácil prever que o dia da derrota iria acontecer. Contra o Sporting, mais do que dois golos oferecidos, um penálti falhado e um punhado de defesas “impossíveis” de Rui Patrício, ficou mais uma vez provado que apesar da mudança do elenco para esta época, há coisas que não mudaram no FC Porto. Por entre a revolução feita no plantel portista ficaram os erros defensivos individuais, ficaram os golos oferecidos e ficou a incapacidade para dar a volta a resultados e equipas complicadas. Mesmo com todas as “estrelas” que supostamente vivem no Dragão, o circo de insuficiências mantém-se e, como no ano passado sempre afirmei que Paulo Fonseca não era o único responsável, também não acredito que Lopetegui possa ser o único acusado pela irregularidade que a equipa demonstra.

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Lopetegui não é o único culpado pelas prestações menos positivas do FC Porto
Fonte: fcpnacaoportista.wordpress.com

Ainda assim, e porque não estou de acordo com toda a rotatividade que o treinador tem imposto, obviamente que o técnico espanhol tem uma enorme culpa no que aconteceu porque voltou a inventar e a complicar uma tarefa que já de si seria complicada: do quinteto defensivo que tanta solidez mostrava nos primeiros jogos, apenas Maicon e Danilo ficaram na equipa; no meio campo, optou por um jogador que veio de lesão (Casemiro) em virtude de um jovem que tem mostrado credenciais; no ataque, optou por retirar Oliver da sua zona de conforto (o meio campo); colocou Quintero sobre uma ala e insistiu mais uma vez num Adrián López que parece desconectado de tudo. Com Alex Sandro e Martins Indi na bancada e Fabiano, Rúben Neves, Brahimi e Tello de fora, o jogo com o Sporting tinha tudo para correr mal… e acabou por correr. De forma incompreensível, Lopetegui optou por colocar o FC Porto com apenas dois médios posicionais, deixando William Carvalho completamente solto para construir o jogo ofensivo leonino. Em termos defensivos, Casemiro nunca foi uma solução sólida e as constantes falhas da defesa levaram o Sporting a superiorizar-se perante um FC Porto que tremia sempre que tinha a bola na sua posse.

Dois meses depois do início da temporada a primeira competição já foi, e apesar de todo o mérito do Sporting na vitória do passado sábado, fiquei mais uma vez com a impressão de que foi o FC Porto que se pôs a jeito para que tudo aquilo acontecesse. Por incapacidade de alguns jogadores e por escolhas incompreensíveis do treinador, o FC Porto sai do clássico com menos uma carta no baralho e sobretudo com muitas dúvidas na sua cabeça e nas dos adeptos. É que no campeonato o segundo lugar atual não traz garantias e a desvantagem de quatro pontos já praticamente não permite mais erros aos comandados de Lopetegui. Ainda que no futebol não haja fórmulas exatas, acredito que com menos rotação e mais rotinas de jogo as coisas possam começar a resolver-se. Para isso, basta pôr os melhores a jogar e inventar menos. É que, no futebol, está mais do que provado que jogar simples dá sempre mais resultados. É bom que Lopetegui e os jogadores percebam isso… é porque à custa dos erros do passado, o Jamor em maio do próximo ano já é uma miragem.

Redação BnR
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