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O adormecimento do maestro

Ricardo Anselmo · 2 min

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De indiscutível a prescindível, de futuro risonho a intermitente evolução, Oliver Torres viveu, à imagem do clube, uma época agridoce. Adquirido a meio da época a título definitivo pela respeitável quantia de 20 milhões de euros, o jovem prodígio espanhol perdeu gás na parte final do campeonato, acabando relegado para o banco de suplentes quando, supostamente, a equipa mais precisava da sua fantasia em campo.

Não haverá uma reposta exata e bem elucidativa dos motivos que levaram Nuno Espírito Santo a “encostar” o elemento mais criativo da “sala de máquinas” que é o meio campo. Oliver mantém uma relação ímpar com a bola e muito dele dependia a organização ofensiva deste FC Porto nos primeiros dois terços da época. Extremamente eficaz num futebol que privilegie a posse, Oliver sente-se peixe fora de água quando o estilo de jogo passa por rebaixamento de linhas e aposta declarada no ataque rápido, com base em transições.

Oliver tem perfume no seu futebol Fonte: FC Porto
Oliver tem perfume no seu futebol
Fonte: FC Porto

Ora, sendo o FC Porto uma equipa talhada para, em Portugal, dominar os adversários e fazê-los correr, constantemente, atrás da bola, exercendo uma posse esmagadora sobre a maior parte dos oponentes, o médio espanhol encaixaria perfeitamente num estilo de jogo em que fosse necessário fazer a redondinha correr rapidamente entre os jogadores azuis e brancos, criando posteriores ruturas que desfizessem as defensivas contrárias.

Não eram esses os planos de NES para o estilo de jogo azul e branco e Óliver, longe das deliciantes produções de 2014/2015 (então com Lopetegui), ressentiu-se claramente dessa opção pelo constante vaivém entre o momento defensivo e ofensivo e, sobretudo, pela não menos constante variação tática implementada pelo treinador, com a aplicação de vários modelos de jogo dentro do próprio jogo.

Neste momento, a questão que se impõe passa por perceber até que ponto o médio espanhol encaixará na ideia que Nuno (na eventualidade de continuar no FC Porto) terá para ele em 2017/2018. Certo é que o FC Porto não pode correr o risco de desvalorizar um dos maiores ativos que tem no plantel e que, num futuro não muito longínquo e, se bem aproveitado, poderá render muitos e muitos milhões ao clube. Para já, consequência deste “desaparecimento”, Oliver Torres não vai ao Europeu de sub-21.

Foto de Capa: FC Porto

Ricardo Anselmo

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