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O corpo é que paga!

José Mário Fernandes · 2 min

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Está nas leis do trabalho: a qualquer funcionário deverá ser assegurado, pela entidade patronal, um período de férias, um período de descanso. Período esse que tem como finalidade, sobretudo, o “recuperar de forças” para que, por fim, a produtividade daquela pessoa permaneça intacta.

Bom, interligando tudo isto com o futebol: alguns jogadores do FC Porto, de certa forma, também clamam por “férias”. Casos, por exemplo, de Alex Telles, Hector Herrera ou Felipe, jogadores que têm vivido meses extremamente intensos, no que toca a minutos dentro das quatro linhas, tais minutos que, por vezes, influenciam (e muito) as suas exibições, limitando, assim, as suas intervenções naquilo que é o jogo.

Todavia, o outro lado da moeda merece ser ressaltado: todos os jogadores desta equipa (principalmente aqueles mencionados anteriormente) são atletas de alta competição, de alto calibre, atletas que conseguem suportar milhares de minutos nas pernas em cada temporada. Contudo, há que ressalvar o seguinte: não existe nenhum par de pernas neste planeta que consiga suportar o insuportável.

Por instantes, relembrem os contornos do jogo de Santa Maria da Feira: passados que estavam apenas quatro dias dos 120 minutos de Champions, Sérgio Conceição colocava em campo exatamente o mesmo onze que havia vencido a AS Roma.

Esta opção, na minha ótica, poderia ter arredado, definitivamente, o FC Porto da luta pelo título. Num “dia não” portista, o Feirense poderia, facilmente, ter roubado, pelo menos, dois pontos à turma de Sérgio Conceição, muito por demérito desta.

O jogo contra o CD Feirense foi marcado pela falta de frescura física do FC Porto
Fonte: FC Porto

Naquela partida, a meu ver, existiam opções no banco de suplentes que mereciam ver a “luz do dia” (apesar de estar de noite e de nem sempre haver luz). Óliver, Brahimi, Manafá: são alguns nomes que deveriam ter entrado naquele onze inicial.

Agora, não consigo apontar apenas o dedo a Sérgio Conceição por um simples motivo: não é possível criticar uma opção se não existirem outras. Por muita boa vontade que o técnico possua, é impossível ver todos os elementos do nosso plantel como opções. E isso é um aspeto muitíssimo relevante nesta discussão: os bons acabam por pagar a fatura dos medianos fisicamente. Um plantel com apenas 14/15 opções, no verdadeiro sentido da palavra, é curto para quem quer levantar todos os troféus. Infelizmente, por agora, não há nada a fazer quanto a isso.

Depois de todos estes tópicos levantados, cada vez mais vejo com bons olhos a pausa internacional que se avizinha. Bem aproveitada, será sem dúvidas uma peça-chave na luta pelo primeiro lugar.

Tempo para delinear estratégias, para recuperar jogadores, para melhorar o entrosamento da equipa… Enfim, uma oportunidade para manter os níveis de intensidade altos. Não estarão todos no Olival (é o preço que pagamos pelo sucesso), contudo os que lá estiverem tratem de aproveitar estes “dias de férias”. Depois disto haverá uma taça para levantar, um primeiro lugar para conquistar e um país para representar.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

José Mário Fernandes

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