O “miolo” que faz renascer Otávio e realça as suas qualidades

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Otávio Monteiro tem sido um dos pilares mais importantes do futebol de Sérgio Conceição desde que o técnico português chegou ao FC Porto. Sérgio sempre viu no criativo brasileiro um jogador à porto pela sua irreverência aliada a um espírito competitivo e agressividade acima da média.

Sim, estamos a falar de um desequilibrador nato, mas os seus comportamentos com e sem bola parecem muitas vezes de um pivot defensivo de 1,95 metros de altura. Estamos sim a falar de um jogador com 1,72 metros. O típico número 10 capaz de fazer magia. Isso não chega para Sérgio, e por alguma razão foi noticiado que Otávio era um dos jogadores que o treinador do FC Porto jamais queria perder. A razão do seu espirito competitivo.

Com Nuno Espírito Santo, vimos um Otávio a explodir na etapa inicial do campeonato 2016/2017, mas a jogar mais sobre as alas com constantes deambulações para o espaço interior. Já com Sérgio Conceição vemos o número 25 a jogar mais como um 10, ao ser o terceiro médio, um falso ala, ou até – e aqui vai ser o centro da questão deste artigo – como segundo médio num meio-campo a dois.

Não se trata de um goleador, mas muitas vezes tem aquele papel de criação de jogadas e de desequilíbrio contra qualquer equipa, formando até uma parceria com Tecatito Corona. É, sem dúvida, uma dupla a ter em conta e viu-se isso no Bessa.

Otávio tem estas características que ajudam muito a equipa do FC Porto, mas também tem de se dar muito mérito a Sérgio Conceição pela forma como aposta nas características do jogador brasileiro. O miolo deve ser, quiçá, o ponto de maior conforto de “Otavinho”, e ontem houve uma mudança radical na forma de jogar do FC Porto quando Luis Díaz deu lugar a Uribe e Otávio fez dupla no meio-campo com Sérgio Oliveira.

Não, não se tratava de um meio-campo a três. Era um meio-campo a dois com um jogador já com algumas características de box-to-box (Sérgio Oliveira), e outro baixinho que mostra que não é só o cabedal que impõe respeito.

Não é a primeira vez que Otávio é colocado num meio-campo a dois e julgo que não vai ser a última. É uma opção bastante interessante para o campeonato português e cumpre as exigências mínimas para um duplo pivot com um índice criativo acima da média contra grande parte das equipas portuguesas. A preocupação pode residir em jogos de maior dimensão e internacionais. O meio-campo perde choque físico, mas ganha linhas de passe e capacidade de desequilíbrio gritante. O facto de se tratar de um jogador “agressivo” acaba por convencer no futebol de Sérgio Conceição.

Para termos uma ideia do papel de Otávio ontem em espaços mais interiores, principalmente da primeira parte para a segunda parte, basta ver o golo de Tecatito Corona e o papel de Otávio na assistência ao mexicano, e na jogada que o brasileiro criou para a assistência de Tecatito a Marega no minuto 71. Não se viu mais de Otávio no miolo porque Taremi acabou por entrar para somar mais minutos de azul e branco.

O futuro do jogador no FC Porto não está fácil, visto que a renovação não é garantida e seria muito difícil para Sérgio Conceição encontrar um jogador que o satisfizesse tanto.

Para ainda ser melhor, basta a Otávio entrar mais nas contas dos marcadores de golos portistas e aparecer e mostrar maiores combinações e irreverências na zona intermediária. Com 1,72 metros é assim um jogador mais que completo.

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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