O peso da camisola

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A época caótica está a chegar ao fim. Os factos são claros: o Porto perdeu o campeonato, foi eliminado das Taças de Portugal e da Liga pelo Benfica e caiu na Liga Europa aos pés do agora finalista Sevilha. No entanto, embora os jogos que faltam sejam apenas para cumprir calendário, há que respeitar o emblema que se utiliza ao peito.

O “peso da camisola” é algo que muitas vezes é utilizado para criticar a falta de empenho de um jogador num determinado clube. Caso um jogador e/ou equipa não estejam no seu melhor surgem sempre ataques à determinação e à dedicação dos mesmos. Na verdade, a meu ver, comentários deste género acabam por ser pertinentes. O jogo de ontem do Porto no reduto do Olhanense mostra isso mesmo. Apesar de o campeonato estar perdido, os jogadores têm de defender o emblema da camisola que envergam. O Porto é um clube que desde a época 78/79 ganhou 19 títulos de campeão nacional. Isto é, em 36 anos o Porto venceu 22. Pelo meio, duas Taças dos Campeões Europeus (já apelida de Champions League na segunda vez), uma Taça UEFA, uma Liga Europa e uma Supertaça Europeia.

Nos últimos anos, e sobretudo desde a chegada de Jorge Nuno Pinto da Costa, o Porto tem-se vindo a afirmar no panorama nacional e internacional. A equipa do Porto protagonizou grande parte dos grandes momentos do futebol português e é, hoje, reconhecido na Europa. Embora as conquistas para o palmarés do clube sejam importantíssimas, o Porto conseguiu sucesso para além disso.

Do Porto saíram grandes jogadores e treinadores que se tornaram dos melhores do mundo nas respectivas posições. Tais são os casos de Ricardo Carvalho, Pepe e José Mourinho. Mais recentemente, Falcao, James Rodriguez, Hulk e até Moutinho, que quando chegou ao Porto proveniente do Sporting subiu de rendimento de uma forma astronómica.

Pepe foi um dos jogadores que rumaram a grandes equipas vindo do Porto  Fonte: sports.terra.com
Pepe foi um dos jogadores que rumaram a grandes equipas vindo do Porto
Fonte: sports.terra.com

Posto isto, e sabendo que, como os adeptos dizem, “somos Porto”, foi com grande pesar e desilusão que vi o jogo de ontem em Olhão. A equipa que subiu ao campo, sejam titulares ou jogadores com estatuto mais secundários, como é o caso, por exemplo, de Tozé, não fez jus ao Porto a que fomos habituados nos últimos anos. É natural que, por vezes, as coisas não corram bem. Passes que não entrem, remates que saiam tortos… Os jogadores, por muito bons que sejam, têm direito a falhar. Nem o Pelé marcava todos os golos. Não pode é, no entanto, haver falta de coração. Se estiver a correr mal faz-se por melhorar. Com ou sem campeonato em causa não se podem arrastar pelo campo durante os 90 minutos como se estivessem com o maior incómodo do mundo. O Porto mostrou ontem que simplesmente não queria saber. Que estar em jogo ou não era indiferente.

Os jogadores do Porto têm de perceber que a camisola pesa. O clube tem uma imagem a manter, uma imagem de uma equipa tricampeã, com estatuto de “grande” em Portugal, capaz de se impor na Europa. Há um emblema a defender. Quando está tudo perdido, como é o caso deste ano, resta apenas jogar pelo clube. Jogar por aqueles que os aplaudem quando são grandes e que os apoiam quando as coisas correm mal. Dar tudo o que podem pelo clube que os recebeu e que lhes dá a oportunidade de fazer algo que adoram e que os torna quase ídolos dos mais pequenos. Joguem por nós e vão ver que nós vamos estar convosco. O Porto é Porto e somos nós que fazemos dele o melhor clube de Portugal.

José Rafael Lopes
José Rafael Lopes
O José rejeita a expressão “portista desde pequenino”, uma vez que até nem nasceu do Porto. Mas rapidamente entendeu que é no norte que se pratica bom futebol. E, como defensor dessa prática, afirma convictamente que o Porto é mesmo a melhor equipa em Portugal.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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