O plano B do Zé Povinho

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hic sunt dracones

Numa das mais recentes partilhas do site Souportista surge um vídeo com uma opinião de Rodolfo Reis na SIC Notícias, depois do empate do FC Porto no Estádio dos Barreiros. De uma forma muito resumida (para quem não quiser perder tempo a ver o vídeo), Rodolfo Reis defende que Lopetegui deve procurar mudar o sistema de jogo quando vê que a equipa adversária está a ser competente a defender a sua baliza e o FC Porto já não consegue criar situações de perigo. Chega até a sugerir o 4-4-2 numa procura por maior presença azul-e-branca dentro da área adversária. O pior chega nos últimos trinta segundos… Rodolfo Reis refere que se deve procurar colocar a bola na área à espera de um ressalto para que alguém coloque a bola lá dentro.

No Souportista dizem que a opinião do antigo jogador é partilhada por todos os adeptos portistas e que não há nada a acrescentar. Suponho que devo ter-me esquecido da minha paixão azul-e-branca algures por aí, uma vez que estou longe de concordar com aquilo que é dito. Pior do que isso é ver uma opinião destas ser assim tão valorizada.

Muito se partilha por esse mundo fora que o FC Porto deve jogar num sistema diferente ou procurar mudar o sistema a meio do jogo, porque aquele não está a funcionar. Longe de mim conceber isso como primeira e única solução. Parece que o comum adepto tem tendência a procurar uma solução mais fácil, como se os problemas do FC Porto e do futebol fossem assim tão fáceis de resolver. Não funciona desta maneira? Funciona da outra. Se não funcionar da outra quem é que vai dizer “Bem, pelo menos tentou…”? Ninguém! Vão dizer que a mudança foi errada, que o primeiro sistema demorou muito tempo a ser mudado, vão inventar mil desculpas.

Palestras e mais palestras… Flashback? Fonte: Facebook do Porto
Palestras e mais palestras… Flashback?
Fonte: Facebook do FC Porto

Rodolfo Reis ainda vive muito num futebol do passado, em que muito do futebol era deixado ao acaso. A modalidade evoluiu de forma a diminuir ao máximo o fator sorte. E não é por se mudar o sistema que as coisas vão começar a correr bem.

A mudança do sistema de jogo deveria ser a última solução. Porém, o plano B do Zé Povinho é colocar mais jogadores na área, bombear bolas para a área, fazer remates quando houver um pouco de espaço… algum há de entrar, certo?

Caro Zé Povinho, o mais importante é mesmo ser competente dentro do sistema de jogo (4-3-3) que escolhemos. Ser muito bom nos quatro (+2) momentos de jogo e conseguir criar ocasiões de golo. Porque, embora não possamos ganhar sempre, estaremos sempre mais perto de o conseguir. Parece que todos os dias/jogos se pede ao treinador que mude o sistema de jogo. Mas cada treinador tem o seu e muitos não são versáteis o suficiente para conhecer a fundo as vantagens e as debilidades de todos os sistemas. O 4-4-2 é um sistema com vantagens e desvantagens. O 4-3-3 é um sistema com vantagens e desvantagens. O 4-5-1 é um sistema com vantagens e desvantagens. E por aí fora. Lopetegui acredita que o 4-3-3 o aproxima da vitória e é nesse sistema em que aposta. Se lhe pedirem um 4-4-2 ele pode não saber como orientar o treino para tirar o máximo partido do sistema. Mas quem diz Lopetegui diz Mourinho, Guardiola e outros.

Agora, se Lopetegui sabe orientar a equipa para que ela seja boa num 4-3-3? Isso já é outra história e dá pano para mangas. Atenção que não estou a dizer que a equipa não deve ter um plano B! Longe disso. Mas, se é para tê-lo, que o prepare durante os treinos e depois, com os processos verdadeiramente assimilados, que faça uso desse plano B. Se sou apologista de um plano B? Não, não sou. Porque depende imenso do fator sorte. Prefiro ser bem mais competente naquele em que acredito do que tentar arranjar um “remendo”.

Para terminar, até porque o artigo já vai bastante grande, queria só pedir-vos um favor… Se alguém encontrar por aí a minha paixão pelo FC Porto que me avise, por favor! Oferece-se recompensa!

Foto de capa: Facebook do FC Porto

Nuno Ribeiro Margarido
Nuno Ribeiro Margaridohttp://www.bolanarede.pt
O Nuno sabe que o futebol se assume muitas vezes como a perfeita metáfora da vida. Entre muitas frases do mundo do futebol que o marcam há uma que guarda e que o inspira em tudo o que faz: "Ganhar, ganhar, ganhar... e voltar a ganhar, ganhar e ganhar... é isto o futebol".                                                                                                                                                 O Nuno não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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