O que deve mudar neste FC Porto?

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Muitos dirão o treinador. Outros tantos a frente de ataque, o meio campo, a defesa ou até mesmo a baliza. Alguns portistas até dirão o presidente. Assim, coloca-se a pergunta – onde falha o FC Porto de 2019/2020? A verdade é que Sérgio Conceição, outrora, já proporcionou futebol de encher o olho e eficaz nos resultados, em 2017/2018. Alguns pilares nessa época embarcaram noutras viagens, mas atletas que marcaram a temporada da conquista do título nacional, como Alex Telles, Marcano, Danilo Pereira e Marega continuam a fazer parte da primeira linha do plantel azul e branco.

Para que se perceba aquilo que é necessário mudar, primeiramente, é essencial que se entenda o porquê de a situação ter chegado a este ponto. Poder-se-á afirmar que um dos principais fatores para a falta de entrosamento e qualidade no futebol praticado começou no final da época passada. A saída de Brahimi, Herrera, Militão, Felipe e até mesmo Óliver Torres fez soar os alarmes do dragão. A substituição de Iker Casillas também era um caso para resolver. A perda dos grandes ativos do FC Porto pedia um mercado de transferências planeado minuciosamente, no sentido de que todas as contratações deveriam ser cirúrgicas.

Durante o verão, foi percetível que a ação do clube azul e branco foi feita “em cima do joelho”. O reforço de algumas posições fulcrais foi demasiado tardio e não está a ter o impacto desejado. Isto porque grande parte dos jogadores chegam de realidades muito diferentes. Díaz, Uribe, Saravia e Marchesín, quatro dos jogadores que foram suspensos na semana passada, ainda não se adaptaram totalmente aquilo que é o futebol português e europeu. Zé Luís e Nakajima já passaram por cá e são conhecedores daquilo que é pretendido, mas a inconsistência nas decisões de Sérgio Conceição corta um pouco a progressão desses mesmos atletas. Marcano mantém-se no centro da defesa e é aquele que parece estar mais adaptado, mas já com uma concorrência mais forte de Mbemba. Dos jovens que foram promovidos à equipa principal, apenas Baró e Fábio têm tido mais utilização, ainda que antes da lesão, Baró ganhara imenso terreno na equipa.

Sérgio e a sua equipa têm nas mãos o poder de fazer a equipa regressar às boas exibições
Fonte: FC Porto

O que origina tudo isto? Inconsistência e falta de comunicação dentro de campo. Num grupo onde existem muitos egos e poucos se conhecem uns aos outros é muito difícil conseguir bons resultados. As ideias de Conceição parecem mudar de jogo para jogo relativamente ao esquema tático e aos onze jogadores escolhidos. A falta de consistência e coerência nas convicções do treinador são, por vezes, prejudiciais. Também o egocentrismo e a sensibilidade/temperamento de Sérgio Conceição com todos os intervenientes no futebol, desde os jogadores do FC Porto, os jogadores e treinadores adversários e os jornalistas, não ajuda a manter um clima estável e propício ao rendimento eficiente do grupo. Sérgio, muita das vezes, é um treinador de “oito ou oitenta” e isso certamente provocará uma reação negativa nos jogadores. O caso de Saravia, por exemplo, que na sua estreia fez um jogo abaixo das expetativas, chegando a ser substituído, não tendo jogado mais até à última partida da Taça de Portugal. O caso de Danilo Pereira e Nakajima, que envolveu polémicas dentro e fora das quatro linhas. A situação de Marega, que até ao momento, é muito pouco transparente. A retirada de Zé Luís do onze inicial quando estava em boa forma. Estas situações jamais aconteceriam num FC Porto em super forma, como os adeptos estavam habituados há alguns anos. Se é culpa da liderança do clube ou do treinador? Não se percebe mas os adeptos merecem mais transparência.

A qualidade do plantel poderá ser julgada, obviamente. No entanto, creio que ainda não vimos o pico de forma de todos os atletas. Desde julho até ao momento que as exibições portistas têm sido uma montanha russa e os últimos jogos da equipa são uma verdadeira descida a “pique”. É necessário arriscar e romper barreiras mas de forma pensada e “saudável”. Algo que Sérgio Conceição parece ter perdido o controlo. Resta saber como serão os próximos episódios.

Foto de capa: FC Porto

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

 

Tiago Moura
Tiago Mourahttp://www.bolanarede.pt
Desde criança a colecionar cromos e recortes de jornais de vários jogadores até às longas carreiras nos videojogos no seu clube do coração, foram muitas as alegrias que o desporto rei lhe proporcionou. Assume ficar fulo quando não consegue acompanhar um jogo da equipa da cidade Invicta, mas no que toca a tudo o que acontece à volta do seu clube sente a obrigação de estar sempre atualizado. Estuda Ciências da Comunicação e é através da escrita que se prefere expressar.

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