O que te aconteceu, muchacho?

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Atualmente, no futebol português, reside um mistério que mesmo os mais entendidos ainda têm dificuldade em explicar. Este mistério tem como ponto de origem a cidade Invicta e manifesta-se sob a forma do extremo mexicano Jesús Corona. Teoricamente, a Jesús Corona não falta nada! O mexicano é dotado de uma técnica acima da média, é rápido e temível no um-para-um. No entanto, esta época não tem conseguido render. Alguém consegue desvendar este mistério?

A chegada de Jesús Corona ao FC Porto, em 2015, por uma verba a rondar os 10 milhões de euros, despertou o olhar dos mais atentos e desde cedo os focos se viraram para o mexicano. Corona não desiludiu, e logo na estreia bisou! Nos jogos que se seguiram Tecatito continuou a deslumbrar, sendo que a sua aquisição foi mesmo uma das poucas positivas na “Era Lopetegui”. Na época de estreia, Corona terminou com o registo interessante de oito golos marcados em 35 jogos.

Terminada a época de adaptação de Corona ao futebol português toda a gente esperava uma segunda época de explosão e afirmação no reino do Dragão. Apesar de a sua época ter sido positiva, com um registo de seis golos em 41 jogos, não correspondeu totalmente às expetativas que os adeptos tinham depositado em Corona. Os adeptos queriam mais e Corona podia dar mais!

A contratação de Jesús Corona é condicente com uma das fases menos positivas do FC Porto nos últimos anos. Durante esta seca de títulos, Corona foi orientado por Julen Lopetegui, José Peseiro e Nuno Espírito Santo. O mexicano não foi capaz de sobressair realmente com nenhum deles, algo muito negativo já que os verdadeiros craques vêm ao de cima quando a sua equipa mais precisa. No entanto, com a chegada de Sérgio Conceição esta época, esta inconsistência “crónica” de Corona parecia finalmente ter cura.

Sérgio Conceição era e é um treinador diferente de todos os outros e conseguiu, de forma inequívoca, potenciar algum dos talentos adormecidos do plantel, tal como Herrera e Brahimi. Todos os adeptos ansiavam em ver o que é que o “toque mágico” do técnico português era capaz de fazer com Corona, mas pelos vistos não surtiu qualquer efeito.

Jesús Corona foi aposta de Sérgio Conceição desde o início da época e todos pensavam que o extremo fosse capaz de acompanhar e de se moralizar com o excelente momento da equipa. Tal não aconteceu e Corona está a ter, atualmente, a pior época de dragão ao peito com apenas dois golos em 37 jogos.

Corona tarda em cumprir aquilo que “prometeu” aquando da sua chegada ao FC Porto
Fonte: FC Porto

A inconsistência do mexicano é inacreditável! Por cada jogo bom, Corona faz uma série de jogos maus. Um jogador que reúne tantas caraterísticas invejáveis, que qualquer extremo almeja possuir, e não é capaz de aproveitar o dom e o talento que tem. É uma pena!

Jesús Corona já foi decisivo esta época, com um golo isolado na Pedreira, em Braga, num dos jogos mais difíceis da época, em que o FC Porto bateu os minhotos por uma bola. Desde então, o extremo baixou e muito de forma e o seu nome no onze inicial vai variando de jogo para jogo. Ora joga de início, ora entra e cumpre alguns minutos, como aconteceu neste último embate frente ao Boavista FC. O nome de Corona deixou de ser temido pelos defesas adversários. Cada vez mais, o mexicano é só mais um em campo e não aquele jogador capaz de desequilibrar e destruir defesas adversárias como prometeu ao início.

É um mistério difícil de explicar. O jogador tem oportunidades, talento não lhe falta e, a juntar a isso, a equipa vive um excelente momento de forma, praticando um futebol atrativo. Será que Corona não consegue sair da sombra de Brahimi? Será que ele está insatisfeito de dragão ao peito? Quem saberá?

Foto de Capa: FC Porto

Nélson Mota
Nélson Motahttp://www.bolanarede.pt
O Nélson é estudante de Ciências da Comunicação. Jogou futebol de formação e chegou até a ter uma breve passagem pelos quadros do Futebol Clube do Porto. Foi através das longas palestras do seu pai sobre como posicionar-se dentro de campo que se interessou pela parte técnica e tática do desporto rei. Numa fase da sua vida, sonhou ser treinador de futebol e, apesar de ainda ter esse bichinho presente, a verdade é que não arriscou e preferiu focar-se no seu curso. Partilhando o gosto pelo futebol com o da escrita, tem agora a oportunidade de conciliar ambas as paixões e tentar alcançar o seu sonho de trabalhar profissionalmente como Jornalista Desportivo.

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