O querer permite sonhar em novas glórias europeias | FC Porto

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O dia 9 de Março vai ficar, com certeza, guardado para sempre no coração de cada adepto portista, que, neste dia, já viveu emoções das quais jamais esquecerá. Distantes em quilómetros, mas adjuntas em distância temporal, 17 anos separam Manchester e Turim: a 9 de Março de 2004, o FC Porto eliminava o Manchester United nos oitavos de final da Liga dos Campeões, garantindo assim o empate (1-1) e o apuramento para os quartos de final. Neste mesmo dia, 9 de Março, agora de 2021, os azuis e brancos eliminam a Juventus FC da prova milionária, com a derrota mais jubilosa da sua história, ao perderam por 3-2, no entanto, a remanescerem na competição graças aos golos fora e à vitória, por 2-1, no jogo da primeira mão.

Sem querer alentar qualquer tipo de coincidência histórica, teoria ou déjà vu, na realidade, a campanha do FC Porto tem sido tão ilustre e competente quanto a de 2004, que permitiu então a conquista do título da maior competição de clubes do mundo. É interessante atentarmos que, em 2003, o FC Porto passou em 2.º lugar, ficando atrás do colosso Real Madrid CF dos “galácticos” que terminou a fase de grupos em primeiro lugar do grupo. Nesta época, 2020/21, o Porto também fica em segundo lugar do grupo atrás de um colosso milionário, o Manchester City, com apenas uma derrota, tal como em 2003, em que o FC Porto perdeu por 3-1 contra a “super equipa” do Real Madrid.

Este exercício de comparação torna-se ainda mais singular e inusitado quando observamos que, a única derrota que o FC Porto teve em 2020/21 na fase de grupos foi contra o eminente Manchester City, também por 3-1, sendo que o jogo da 2.ª volta terminou empatado, 0-0, tal como o segundo jogo contra Real Madrid CF, 1-1, em 2003/04. Com isto, como aleguei anteriormente, não pretendo suster qualquer tipo de coincidência histórica, aliás, nenhum adepto portista se deve agarrar a esta teoria de “a história estar a ser repetida”, com base nestes fatores históricos.

Claro, devem almejar e lutar pelo título da Liga dos Campeões, tal como se notou neste último jogo contra a Juventus FC, no entanto, há que ser realista. De há 17 anos para cá, ganhar a maior competição de clubes do mundo, tornou-se cada vez mais difícil: o mercado futebolístico demudou-se, o fluxo de dinheiro que circula nele é cada vez mais exorbitante, o que acentua ainda mais o desnível financeiro existente entre os diferentes campeonatos europeus. A então capacidade financeira do campeonato português é muito inferior a qualquer liga situada no top 5, sendo estas capazes de atrair jogadores de maior qualidade, através de objetivos de carreira de salários elevados.

Não devemos somente atentar para esta realidade, porém devemos também atender para a situação atual do FC Porto. As exibições dos azuis e brancos são completamente diferentes no campeonato e na Liga dos Campeões, sendo que, nesta última, o FC Porto tem conseguido melhores resultados. Atualmente, o FC Porto encontra-se a dez pontos do líder da Primeira Liga, o Sporting CP, sendo que foi recentemente eliminado pelo SC Braga na Taça de Portugal. Para além disso, as exibições portistas têm sido fracas e inconsistentes, por via do cansaço físico e das limitações existentes em certas posições do plantel.

No entanto, as performances do FC Porto na Liga dos Campeões, como já referi, são diferentes. Parece que o estado anímico da equipa se altera, o que é perfeitamente normal nestes jogos, e as lacunas que existem são “tapadas” através do esforço coletivo. Com cinco vitórias, um empate e duas derrotas (sendo esta última extremamente agradável), o FC Porto soma 14 golos marcados e 7 golos sofridos, acumulando exibições de superação que são constantemente comentadas pelos diversos meios de comunicação social europeus. O FC Porto fez frente ao Manchester City, 2.º lugar da liga inglesa 2019/20, considerada por muitos a melhor liga do mundo, ao atual campeão grego, o Olympiacos FC, e, recentemente, ao eneacampeão italiano, a Juventus FC, que acabou por ser eliminada da competição.

Daqui para a frente, resta então ao FC Porto sonhar: a equipa com o valor mais baixo de plantel entre os 16 finalistas, está presente entre as oito melhores equipas da Europa. Diferentemente das restantes equipas em competição, que possivelmente estarão nos 1/4 de final da liga milionária, o FC Porto não investiu para ganhar a competição, ou seja, daqui para a frente não existe uma obrigação de estar, mas sim a do querer estar. Os azuis e brancos têm a consciência que daqui para a frente não há adversários fáceis, por isso, por maior que seja o poderio financeiro e a qualidade do plantel do adversário, em campo são onze contra onze e, no final, como todos sabemos, ganha quem tiver mais competência e vontade.

No entanto, se analisarmos os possíveis adversários do FC Porto nos 1/4 de final da Liga dos Campeões, tendo em vista que ainda há jogos por jogar, na minha ótica, Borussia Dortmund, o vencedor entre Real Madrid e Atalanta ou o vencedor entre Chelsea e Atlético Madrid seriam adversários interessantes aos azuis e brancos. No entanto, a essência do FC Porto é jogar contra os melhores, e, independentemente do adversário, a equipa portuguesa sabe que deve fazer ainda mais e melhor do que fez contra a Juventus FC.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Felipe Ribeiro
Felipe Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Felipe é um jovem que estuda Jornalismo na Escola Superior Comunicação Social. Gosta sempre de dar a sua opinião quando de futebol se trata, atentando sempre para os mínimos detalhes que acontecem dentro de campo. É devoto do Porto, daqueles que conta os dias que faltam para o jogo. Vê o futebol como um livro recheado de particularidades únicas, onde várias opiniões diferentes compõem a história.                                                                                                                                                 O Felipe escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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