Óliver Torres: o asterisco na era Conceição

- Advertisement -

De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento; não convém colocar em dúvida a sabedoria popular, certamente, contudo não é necessário seguir o provérbio à letra, Sérgio. Falo não só em meu nome, como também dou voz àquelas que apontam o “Caso Óliver” como o principal asterisco no percurso de Sérgio Conceição enquanto treinador do FC Porto.

É algo que, desde o primeiro segundo, me deixou com a pulga atrás da orelha: uma visão de jogo (muito) acima da média, qualidade no passe, com destaque para as longas distâncias, comprometido com o grupo, enfim, tudo indicava que era um dos jogadores que cairia no gosto do homem. Tal não aconteceu. E, aparentemente, não acontece até hoje.

No início desta época, mais do mesmo. Óliver era, indiscutivelmente, dos jogadores menos aproveitados do plantel; contudo, tudo parecia chegar a um fim quando, após a derrota na Luz, o espanhol começou cada vez mais a merecer a confiança do treinador. Confiança essa que era retribuída com assistências, com passes teleguiados, com muita classe. O seu momento tinha chegado. Era altura de vanglória, no meu caso; no meu e no dos restantes defensores fervorosos do nosso número 10.

Mas, pegando noutro ditado popular, alegria de pobre dura pouco (e considere-se pobre aquele que, assim como eu, via algo a mais no médio espanhol). Desde o jogo do Bessa, Óliver em nenhuma ocasião teve a oportunidade de estar no interior das quatro linhas durante os 90 minutos: desde substituições, quer ao intervalo (ou até antes disso) frente a Portimonense e Santa Clara, quer à hora de jogo, frente ao Boavista, passando também pelo banco, de onde não saiu frente ao Galatasaray, e pela bancada (frente ao Moreirense no último jogo no Dragão). Um verdadeiro déjà vu.

Óliver obteve uma sequência de excelentes exibições, de entre as quais frente ao Marítimo, no Funchal
Fonte: FC Porto

Após este discurso apaixonado, permitam-me que recupere os meus traços imparciais. Sejamos objetivos: a qualidade das exibições de Óliver Torres, ao longo do tempo, haviam se deteriorado. Já não era o mesmo jogador faminto por bola que, a todo custo, queria agarrar com unhas e dentes a oportunidade que o treinador lhe concedeu; pelo contrário, aliás. Não era notória a sua presença em campo, pouca interferência no jogo, menor acerto nos passes, menor lucidez.

E os resultados refletiam esses factos: nas três últimas partidas a contar para a Liga NOS, o FC Porto saiu sempre para o intervalo num cenário de empate. Talvez não haja nada de novo nessa informação e, tendo em conta que uma existem onze jogadores no terreno de jogo, não era intelectualmente honesto “culpar” o espanhol por esses resultados. Contudo, como já referi anteriormente, nessas três ocasiões Óliver foi substituído relativamente cedo no jogo; e o interessante vem agora: após a sua substituição, os dragões conseguiram dar a volta ao resultado em todos esses jogos. Definitivamente, algo que não pode ser ignorado, até porque um raio não cai duas vezes no mesmo sítio.

Conclusão? Bom, apesar de considerar-me suspeito neste assunto, julgo que Óliver consegue ser verdadeiramente uma mais valia, na medida em que as suas características não conseguem ser replicadas por nenhum dos nossos outros homens de meio campo. Entrou bem na equipa, mudou as exibições do FC Porto para melhor; todavia, baixou o seu rendimento e acaba sempre por ser o sacrificado: sacrificado visto que dificilmente outro elemento do meio campo será substituído no seu lugar (Danilo e Herrera acabam por ser intocáveis). Portanto, há que pensar no seguinte: é rentável ter um jogador com o perfil, classe, talento e valor de Óliver no banco?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

José Mário Fernandes
José Mário Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Um jovem com o sonho de jogar futebol profissionalmente. Porém, como até não tinha jeito para a coisa, limita-se a gritar para uma televisão quando o FC Porto joga.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Atenção: antigo alvo do Benfica no mercado

Thiago Almada prepara-se para trocar de clube no mercado de transferências. O jogador não entra nos planos do Atlético Madrid.

Seleção feminina de Portugal joga no Estoril em junho

A seleção nacional de futebol feminino disputa no dia 5 de junho o último jogo em casa da qualificação para o Mundial 2027, frente à Letónia, no Estádio António Coimbra da Mota.

Claudio Ranieri despedido da AS Roma e Gian Piero Gasperini já reagiu: «Não fiz nada, não me coloquem ao mesmo nível»

Claudio Ranieri despedido do cargo de conselheiro especial da direção da AS Roma, após críticas públicas ao treinador Gian Piero Gasperini, que entretanto já reagiu.

Diretor do Bayern Munique comenta situação de João Palhinha

Christoph Freund, diretor desportivo do Bayern Munich, comentou esta sexta-feira o futuro de João Palhinha, que está emprestado até ao fim da época ao Tottenham.

PUB

Mais Artigos Populares

«Tendo em conta a sanção prevista na norma, vejo pouco fundamento para recorrer»: Diogo Soares Loureiro, advogado especialista em Direito Desportivo sobre o castigo...

O Bola na Rede contactou Diogo Soares Loureiro, advogado especialista em Direito Desportivo, para analisar o castigo da UEFA aplicado a Gianluca Prestianni.

Bernardo Silva foi oferecido ao Real Madrid: espanhóis já deram resposta

Bernardo Silva foi oferecido ao Real Madrid, mas o emblema espanhol não quis avançar para a contratação do português.

FC Porto prepara queixa contra Gonçalo Inácio

O FC Porto decidiu que vai apresentar queixa contra Gonçalo Inácio, depois da entrada do defesa central no jogo da Taça de Portugal.