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Os desígnios da Taça “a que ninguém devia ligar”

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Em abril de 2007, davam-se os primeiros passos na nova prova do futebol português: a Taça da Liga. Descrita pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional como uma prova inovadora, capaz de dar mais competição às equipas portuguesas. Como não podia deixar de ser, este foi um discurso para aparecer em jornais e tentar credibilizar uma prova que na minha opinião sempre esteve condenada.

De alterações em alterações, Vitória de Setúbal, Benfica (em quatro ocasiões) e Sp. Braga foram vencedores da prova que, ano após ano, foi cada vez mais parecendo o “parente pobre” do futebol em Portugal. Tudo porque, apesar das boas ideias, esta Taça nunca teve efeitos práticos, como a Taça de Portugal tem – o finalista fica com lugar garantido nas competições europeias da época seguinte.

Nesta Taça da Liga nada disso foi previsto nem planeado, pelo que, com exceção de alguns milhares de euros (no caso de equipas pequenas, naturalmente muito importantes), esta foi uma competição que nunca deu muito ao futebol nacional e que também por isso nunca recebeu muito de adeptos e clubes. Não é preciso ir muito longe para perceber que os 10.000 adeptos em Alvalade no jogo contra o Marítimo ou os 12.000 no Dragão no jogo contra o Penafiel são apenas exemplos do interesse do comum adepto na prova. Por parte das equipas, esta foi uma competição que, ao longo dos anos, apenas foi servindo para rodar jogadores ou, em outras palavras, para justificar em alguns casos o investimento que foi feito em alguns atletas.

Chegámos à edição 2013-2014 da Taça da Liga e em vez de se alterarem paradigmas incompreensíveis no regulamento, ainda se piorou a situação. Pelo que sei, o palco da final da prova ainda nem sequer está decidido, quando estamos apenas a dois meses desta acontecer. Por outro lado, não é preciso ser-se muito entendido em assuntos futebolísticos para se perceber que esta é uma prova construída para proteger os grandes, que em três partidas na fase de grupos, disputam duas em sua casa (excetuando o Sporting, por ter ficado em 7.º lugar na última época).

O Sp. Braga foi o último vencedor da Taça da Liga  tuttocalcioestero.it
O Sp. Braga foi o último vencedor da Taça da Liga
tuttocalcioestero.it

Depois, em relação aos critérios de desempate, a questão da “média de idades” é apenas mais uma acha para uma fogueira já demasiado acesa para a Liga. Parece-me, pois, mais do que óbvio que esta Taça da Liga é apenas um pretexto para Mário Figueiredo e seus assistentes encaixarem mais uns euros para a Liga.

A última jornada do Grupo B da Taça da Liga, realizada neste último sábado, foi apenas mais um capítulo desta história que parece não ter fim, apesar de todos já estarem fartos de ler o livro. Em Penafiel e no Dragão, separados por 40 km, discutia-se o acesso à meia-final da competição. Pelos pontos, diferença de golos ou até média de idades, tudo tinha de se resolver na última jornada. O Sporting venceu em Penafiel por 1-3 e, ao mesmo tempo, o FC Porto ia empatando 2-2 em casa frente ao Marítimo. Como as duas equipas estavam empatadas pontualmente à entrada para a última jornada, era o Sporting quem passava. Isto, claro, se as regras tivessem sido cumpridas. No Dragão, o jogo começou mais tarde e por isso, quando terminou a partida em Penafiel, começaram os descontos em casa do FC Porto.

Para mal dos pecados do Sporting, Igor Rossi, que já havia cometido uma grande penalidade (não assinalada) sobre Carlos Eduardo na segunda parte, decidiu fazer outra aos 93 minutos, desta vez sobre Ghilas. Mal o central maritimista sabia que aquele erro infantil custaria o empate à sua equipa, o apuramento ao FC Porto e, mais do que isso, mais uma panóplia de ações e reações contra regulamentos e desígnios deste corpo estranho que se chama Taça da Liga. Quando Leonardo Jardim e seus jogadores já estavam no balneário, Josué cobrou o castigo máximo e levou o FC Porto para as meias-finais da Taça da Liga. Bruno de Carvalho criticou o atraso no Dragão, Paulo Fonseca respondeu em tom altivo e exaltado ao presidente leonino.

No meio da confusão das palavras e das provocações mútuas, parece-me mais uma vez claro que no fim disto tudo quem fica mal é mais uma vez a Taça da Liga. Pelos regulamentos, pelos critérios e pelos “atrasos de vida” que esta competição parece dar às equipas nacionais. Afinal de contas, sete anos depois da sua criação, parece-me claro que esta é uma Taça “a que ninguém liga”. O resto é conversa fiada.

Redação BnR
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