Publicidade

Os gritos, o realismo, o frio

Gaspar Ribeiro Lança · 1 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

amarazul

Já tinha saudades de sair de casa em dia de jogo com um destino bem definido. Na verdade, o único possível, a existir um: o estádio. Tinha saudades dos gritos, da troca de sorrisos e emoções, de os ver ali tão perto. E do frio que sempre nos acolhe.

Ontem, quase quatro meses depois, voltei a ver o meu Porto. Regressei aos relvados. Ah, como é bom! Perseguido pela maldição Lopetegui que começou na minha estreia no Dragão (e o frio tão característico). Lá estava eu, perante os nossos heróis, desejoso por gritar ‘Golo!’.

À batalha dentro do campo antecederam-se outras, todas elas igualmente difíceis de ultrapassar: o mau acesso, a longa espera e, sobretudo, o frio. E a esse o Dragão não resistiu. Em noite gelada, foi congelado. A defesa, o cérebro de Fabiano no lance que resulta na grande penalidade e, de certa forma, o resultado.

Não faltou, contudo, emoção. Os comandados de Lopetegui, mais uma vez alinhados de forma diferente, bem tentaram, mas foram mais uma vez traídos por golpes surpreendentemente maus no sector defensivo – aquele que continua a ser, ainda assim, o melhor do campeonato português.

Mas voltemos ao estádio e às emoções únicas que nos proporciona. Tinha saudades. Saudades de ver a equipa aquecer e de bater palmas sempre que Quaresma se aproxima da bancada azul e branca. Saudades de gritar ‘golo!’ como se não houvesse amanhã. Sentia, acima de tudo, saudades de sofrer como nunca se sofre atrás de um ecrã. Como é bom ir ao estádio.

De ser treinador de bancada… na bancada. E comigo estavam muitos outros assim. “Passa, para este lado!”, “Cruza, cruza a bola!”, “Remata… nunca rematamos” foram algumas das expressões mais ouvidas. E assim, noventa e cinco minutos passados, chegou ao fim mais um dia único. Vestido de azul e branco, com pouca voz e feliz. Porque acima de tudo fomos Porto.

Gaspar Ribeiro Lança

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Brasileirão: 19 treinadores já caíram e só quatro portugueses resistem

Leonardo Jardim lidera o Brasileirão ao comando do Flamengo, Abel Ferreira mantém-se no Palmeiras, Artur Jorge continua no Cruzeiro e Pedro Emanuel procura afirmar-se no Vasco da Gama. Luís Castro e Franclim Carvalho já ficaram pelo caminho. Dezanove treinadores já caíram no Brasileirão 2026. Entre a instabilidade que varre os bancos brasileiros, os portugueses resistem: seis passaram pelo campeonato e quatro continuam de pé. Fernando Diniz, atualmente no Corinthians, foi a mais recente vítima e já tinha sido afastado do Vasco da Gama no início da temporada. A dança das cadeiras começou ainda em fevereiro, com a saída do argentino Jorge Sampaoli do Atlético-MG, e transformou a mudança de treinador numa das imagens de marca da competição.Num campeonato onde a paciência parece cada vez mais curta e os resultados pesam imediatamente sobre os treinadores, a presença portuguesa ganha particular relevância. Dos seis técnicos que passaram pelo Brasileirão em 2026, quatro continuam no ativo e dois já ficaram pelo caminho. E entre os que resistem há perfis bem diferentes: da longevidade quase excecional de Abel Ferreira à estreia de Pedro Emanuel, passando pela liderança de Leonardo Jardim e pela reconstrução de Artur Jorge no Cruzeiro.

João Esteves · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.