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O FC Porto acabou o mês de novembro com apenas uma vitória para o registo: 1-0 frente ao Brugge, no passado dia 6 (já lá vão 26 dias). De resto, contam-se 5 penosos empates, com a agravante de não se registarem golos marcados nos últimos quatro. Nuno Espírito Santo, que vem acumulando recordes negativos, apresenta, também, argumentos favoráveis (não perde há dois meses e cinco dias e nos últimos oito jogos sofreu apenas um golo). Isso, naturalmente, não tem grande importância para o comum adepto se, por outro lado, as vitórias não aparecem. Mas nomear um apoiante do FC Porto como ‘adepto comum’ é completamente despropositado.
Desde logo, porque o FC Porto tem os melhores adeptos do mundo, logo, não são tão comuns como isso. Este grupo restrito de ‘fiéis’ (a maioria deles) já experimentou sensações de vitórias de que mais nenhum outro português apoiante de outro qualquer clube se pode gabar. Os portistas vêm de um longo e glorioso trajeto de trinta anos repletos de sucessos, dentro e fora de portas. Triunfos que elevaram o nome e a marca FC Porto como uma das principais bandeiras desportivas do nosso país. Ora então, como explicar à massa adepta mais exigente (a nível de resultados) que por cá existe que, neste momento, é altura de recomeço e que as coisas vão levar o seu tempo a voltar à normalidade que todos desejamos?
Desde 2013, ano da última conquista, por cá passaram Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e José Peseiro. Todos com o mesmo problema: foram o rosto principal do declínio que o clube vem registando desde então. Em tempos idos, teriam obtido o mesmo sucesso dos seus antecessores. Mas as coisas mudam. Benfica e Sporting registaram um crescimento assinalável e são, hoje, fortes concorrentes à altura de um FC Porto que procura reencontrar-se no seu ADN ‘perdido’.
Tudo isto é palavreado bonito que não interessa ao comum adepto do FC Porto. Só assim se explicam os lamentáveis lenços brancos que NES viu no Restelo e no Dragão, na última terça feira. Ao fim de três anos a seco, seria, porém, de esperar uma onda de indignação logo após os primeiros falhanços. Quatro jogos sem faturar só podem agravar a situação e o público já dá mostras de perder a paciência. Não é fácil ser-se, hoje, treinador do FC Porto! Nuno tem desenvolvido um trabalho formidável ao longo de seis curtos meses. A sua chegada implicou uma limpeza cirúrgica. Ao primeiro grande teste de fogo, Nuno – qual líder de uma armada repleta de juventude – silenciou o Olímpico de Roma com um brilhantismo formidável. Seriam os primeiros sinais de retoma do ‘velho FC Porto’. As primeiras jornadas do campeonato mostraram uma equipa com raça, empenho, atitude, vontade de ganhar, chama e, a espaços, qualidade de jogo.
O jogo com o Benfica terá sido, até agora, o ponto alto em termos exibicionais. Um ‘partidazo’ como ousaram chamar-lhe os nossos colegas espanhóis. Tudo teria sido tão perfeito se, por obra do Espírito Santo (que ironia!), os encarnados não tivessem sido ‘bocejados’ pela sorte naquele fatídico minuto 92. Já antes, em Setúbal, o nulo obtido no final do jogo não fora condizente com a qualidade ofensiva da equipa. Nem posteriormente em Chaves, nem em Copenhaga, nem agora no duplo confronto com o Belenenses. A sorte, esse mítico fator (tantas vezes chave), também anda de costas voltadas. Que o digam André André, em Chaves. E agora o miúdo Rui Pedro (merece mais tempo com os graúdos). No meio disto tudo, Otávio (Setúbal) e André Silva (Chaves) poderiam também pedir explicações aos respetivos árbitros.

Fonte: FC Porto
Pois bem, o FC Porto tem, em 2016/17, uma frente de ataque predominantemente jovem: Óliver Torres, Otávio, Corona, Jota e André Silva perfazem uma média de idades cifrada nos 21,2 anos. A juventude pode até ser “uma virtude” como refere o prodígio espanhol, mas tem custado pontos importantes à equipa. Cinco jogos consecutivos a falhar constantemente na finalização tem os efeitos conhecidos na cabeça destes miúdos. A confiança esvai-se a cada lance de golo desperdiçado. A baliza parece começar a encolher, as pernas tremem e os desperdícios aumentam. À parte disto, os homens do apito gostam sempre de ajudar à festa, sempre em desfavor dos do costume.
É Nuno o grande culpado por um jogador falhar um golo em cima da linda ou de um experiente árbitro não apitar um abalroamento dentro da grande área? Não me parece…. O FC Porto queixa-se de 12 penaltis na presente temporada, o que é manifestamente exagerado. No entanto, contam-se alguns que seriam determinantes no desfecho da maioria das partidas em que os dragões não conseguiram chegar à vantagem. Tudo somado, temos cinco rapazes recheados de talento e margem de progressão presos psicologicamente por um conjunto de fatores. Infelizmente, nem todos estão ao alcance de serem trabalhados por Nuno Espírito Santo, sendo, por isso, urgente maior igualdade de critérios para com o FC Porto em relação aos rivais.
Ao mister, apenas passar-lhe uma mensagem de esperança no trabalho que tem sido desenvolvido, porque tudo o que de bom esta equipa já mostrou esta época (e não foi pouco, ainda que o queiram fazer parecer) é mérito dele. Aos adeptos (os de vitórias), o sincero pedido de que não compareçam no Dragão para criar ainda mais ansiedade nesta jovem mas valorosa equipa. Seguem-se dois importantíssimos jogos que podem definir muito do que será a época do Dragão. Tenho plena confiança de que, como diria o outro, isto é uma questão de ‘ketchup’: quando recomeçarmos a marcar, ninguém mais nos para. A confiança voltará e aí, não haverá árbitro, bruxedo ou força do mal que nos impeçam de vencer. Porque esse é, desde 1893, o nosso destino!
Foto de capa: FC Porto














