Poupar ou ritmar: o dilema

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Na ressaca da paragem para os compromissos com as seleções, o FC Porto vai preparando a estreia na Taça da Liga, que definiu a receção ao GD Chaves na jornada inaugural. Foi precisamente contra o conjunto transmontano que os azuis e brancos conseguiram o resultado mais robusto da presente época (5-0) e ao qual aliaram uma exibição quase perfeita a todos os níveis. Esse jogo, porém, dista praticamente um mês do que agora se realiza, pelo que os momentos, as motivações de ambas as equipas e, sobretudo, as competições são completamente diferentes. Há outro fator que pode pesar na preparação deste desafio, que acontece após uma paragem competitiva de duas semanas e que se chama contexto.

É natural que se escute não raras vezes o habitual cliché de que se entra em todas as competições para as vencer e isso é mesmo verdade, especialmente no caso dos dragões que, contudo, têm mais uma estreia marcada já na próxima semana, e essa sim, de grau de dificuldade aparentemente bem superior e de importância bem maior do que aquela que é conferida à Taça da Liga. Falo pois claro da Champions League e da visita do FC Porto a Gelsenkirchen, para defrontar o Schalke 04.

Aí entra um dilema com o qual Sérgio Conceição se terá debatido nos últimos tempos e que se prende com a possibilidade de poupar habituais titulares para o desafio com os alemães ou, por outro lado, conceder-lhes o tempo de jogo necessário para que readquiram o tal ritmo competitivo que os 15 dias das seleções retiraram à maioria deles. É certo que muitos dos que se perfilam como indiscutíveis do onze de Sérgio Conceição jogaram (oficialmente ou de forma amigável) durante este período, mas isso não é exatamente a mesma coisa, desde logo porque as dinâmicas são completamente diferentes.

Jorge pode ter a primeira oportunidade no jogo com o GD Chaves
Fonte: FC Porto

O caso mais preocupante está no centro da defesa, já que todos os quatro centrais disponíveis estiveram nos trabalhos das respetivas seleções, jogaram, e apenas hoje, véspera do jogo com o GD Chaves, é que se vão juntar ao grupo de trabalho. Isto, claro, se não houver contratempos com as viagens.

Há, também, a curiosidade de perceber se este será o momento ideal de lançar os mais recentes reforços Jorge e Bazoer, essencialmente pelo facto que destaquei anteriormente. Estará um jogador como Alex Telles em condições de ser poupado para terça feira ou, pelo contrário, deverão ser-lhe concedidos minutos para readquirir ritmo?

Essa é, então, uma das grandes dúvidas que acerca a cabeça do técnico portista neste momento. Do outro lado da defesa perspetiva-se o mesmo imbróglio em relação a Maxi Pereira e a eventual estreia de João Pedro. No meio campo Danilo e Óliver devem ter lugar garantido no onze, mas há os casos de Herrera e Sérgio Oliveira (o primeiro não esteve na seleção e o segundo pouco jogou por Portugal) para serem geridos, sem esquecer o reforço holandês que aguarda uma oportunidade. Na frente, Marega parece indiscutível e Marius pode fazer-lhe companhia, em virtude das limitações físicas de Aboubakar. Soares e André Pereira são cartas fora do baralho neste momento.

Chegados a meio de setembro, eis o teste mais exigente que se coloca a Sérgio Conceição na presente época: conjugar as necessidades da equipa enquanto coletivo mas também individualmente e, no meio desse equilíbrio, conseguir não hipotecar nenhuma das competições que se jogam neste momento. E não esquecer que há clássico na Luz daqui por três semanas…

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo
Ricardo Anselmohttp://www.bolanarede.pt
O azul e o branco é parte fundamental da vida do Ricardo. O amor pelo FC Porto faz dele um adepto ferrenho dos 'dragões'. Tem na escrita um amor quase tão grande como o que tem pelo clube, sendo sobre futebol que incide a maior parte das suas escrituras. No futuro, espera encontrar no jornalismo a sua ocupação profissional.                                                                                                                                                 O Ricardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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