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Problemas de finalização resolvidos?

Pedro Nuno Silva · 4 min

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O mercado de inverno trouxe uma surpresa para o ataque dos Dragões – Tiquinho Soares veio juntar-se aos permanentes Diogo Jota e André Silva e aos intermitentes Depoitre e Rui Pedro para melhorar um aspecto que o jogo portista necessitava – a finalização. Já deu frutos marcando 3 golos em 2 jogos mas será que o problema está resolvido? Na minha qualidade de treinador de bancada, não totalmente.

Foi exasperante ver alguns jogos dos azuis e brancos em que a bola não só teimava em não entrar como o jogo portista gritava empate a cada jogada perdida. Nisto do futebol gostamos de confiar no sexto sentido, às vezes sente-se que o golo vai aparecer nem precisamos de ver muito perigo na área adversária outras vezes a bola rola perto da baliza e nem por isso nos aumenta a fé na vitória. Mais uma vez tive esta última sensação em várias partidas do Porto e há diversos factores que contribuem para este sentimento.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

 

Juventude dos atacantes
Um pormenor mitigado pela vinda de Soares mas presente no ataque portista é a juventude dos 2 atacantes. A Jota e André Silva ainda lhes falta uma certa “ratice”, conhecer as manhas e as provocações dos defesas, perceber para que lado os guarda-redes experientes têm tendência a atirar-se… Só com jogos na carreira vem esta experiência que é um posto e que faz com que um avançado que parece estar pouco móvel (Mário Jardel foi o exemplo mais flagrante) consiga marcar um golo de um momento para o outro na única oportunidade que tem.

Trabalho constante dos atacantes
Já abordei este tema num artigo sobre André Silva mas é plausível que o volte a referir – constante trabalho dos atacantes. Foco-me mais em André Silva pois é suposto ser o avançado finalizador mas Jota também tem um pouco a melhorar no timing e escolha das batalhas. Um avançado que vem iniciar um ataque rápido poucas vezes consegue estar na zona de finalização para marcar golo ou fazer o último passe e se está é depois de mais de 50 metros em corrida (mais o tempo de jogo que passou) o que faz com que chegue à zona mortal cansado sem a disponibilidade física e mental para marcar golo. O problema é que as equipas rapidamente se habituam a um avançado que é pivot e que trabalha muito e é difícil deixar esse vício, cabe a Nuno trabalhar esse aspecto. Ter mais um avançado no plantel ajuda claro.

Foto de Capa: FC Porto

Poucos homens na área
Pode parecer estranho uma equipa que joga em 4-4-2 ter poucos jogadores na zona de finalização mas isso acontece muito no FC Porto. Muitas vezes estão Silva ou Jota (mais André Silva) no meio de 3 defesas e são a única solução na área, ora quantas mais soluções houverem perto da baliza mais aumentam as opções de passe maior é a probabilidade do golo. Também aumenta o factor sorte! Sim pode parecer mera inspiração divina mas um ressalto mais depressa sobra para um jogador do Porto se em vez de 1 estiverem 2 na área e mais depressa a bola bate acidentalmente e vai para o companheiro ou mesmo para a baliza se estiverem 3 em vez de 1 jogador. Penso que Nuno Espírito Santo (NES) não adoptou uma estratégia que favoreça a quantidade ou pelo menos tem demorado a conseguir resolver veremos como fica este “pormaior” daqui para a frente com Soares. De resto parece-me uma consequência do ponto seguinte.

Disposição das peças em campo
O Porto de NES nem sempre é um bloco coeso em campo, os jogadores estão muito “espalhados” pelo relvado e acaba sendo acentuado caso o Porto esteja em vantagem na segunda parte (Benfica e Sporting no Dragão são exemplos claros).
Uma equipa que dá pouco espaço ao adversário e que consegue ter os jogadores coesos em constante pressão ou que consegue atacar em bloco acaba por ter mais jogadores na zona de finalização e acaba por errar menos passes já que as distâncias são mais curtas. Fazer o 2 contra 1 (a famosa tabelinha) mesmo numa defesa super populosa também se torna muito mais fácil e eficaz tornando uma situação de desvantagem numérica em vantagem – Nisto dou o mérito a Rui Vitória, o Benfica consegue fazer muito bem isto e o resultado é que marca muitos golos e faz perigo. O Porto vive muito das investidas de Brahimi e Corona o que envolve partir no 1 contra 1 e criar desequilíbrio individual; há equipas que fazem mais perigo do que o Porto e não têm jogadores com a técnica individual de Brahimi, Corona ou Oliver. Faz com que também estejamos muito dependentes da inspiração individual que não é sempre a mesma em todos os jogos.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Ansiedade na hora da finalização
À medida que o tempo passa e que as oportunidades vão-se perdendo aumenta a tensão dos adeptos e dos jogadores e é preciso uma boa dose de força mental e, mais uma vez, experiência para gerir a situação. Gosto de ver a vontade e fixação com que esta época procuramos a vitória mas o reverso da medalha é alguma ansiedade que transparece no último passe ou na finalização. Acho que temos vindo a melhorar depois daquele bloqueio de 5 jogos e com a aproximação ao Benfica veio também uma nova dose de confiança.

Estes foram pontos que identifiquei como sendo causas da dificuldade na hora do golo que temos vindo a apresentar embora a vinda de Soares possa abrir um novo capítulo (como parece que já abriu) no ataque portista. O Porto tem vindo gradualmente a melhorar e todos os portistas notam o novo alento que a equipa tem, esperemos que o mantenham e que os Dragões sejam constantes na luta pelo título já que só dependemos de nós.

Foto de Capa: FC Porto

 

Pedro Nuno Silva

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