Taremi e Toni Martínez: o que pode mudar na frente de ataque portista

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Muito se tem falado das possíveis contratações de Taremi e Toni Martínez para o FC Porto. Foram dois dos avançados que mais se destacaram na Liga Portuguesa ao longo desta última época e seriam ambos, a meu ver, boas adições à frente de ataque dos Dragões.

Ataque esse que teve alguns problemas nesta temporada. Nenhum dos avançados do plantel se destacou particularmente e houve sempre alguma dificuldade em encontrar a melhor dupla. Marega era obviamente indiscutível, mas também não conseguiu ter uma época tão bem conseguida, pelo menos ao nível dos golos marcados. Soares e Zé Luís também não conseguiram propriamente afirmar-se como titulares, sem margem para dúvida. Conseguiram os dois fazer, a espaços, boas exibições, mas nunca com a consistência necessária. Ainda assim, fazendo as contas no final da época, foi Soares que ganhou a luta pelo segundo avançado a ser selecionado na ficha de jogo.

Mas uma coisa foi óbvia aquando do final do campeonato: a posição de avançado era uma que necessitava de ser reforçada. Especialmente tendo em conta que a relação entre Sérgio Conceição e Zé Luís parece já não ser a melhor e que o cabo-verdiano parece estar na porta de saída do Dragão. Outro aspeto que ficou claro, tendo em conta os nomes que foram associados aos Dragões, é que o FC Porto olhou para o mercado nacional para preencher esta vaga. Desta forma, Taremi e Toni Martínez fazem todo o sentido.

 São os dois avançados muito competentes que podem trazer coisas bastante diferentes ao jogo de Sérgio Conceição, comparando com os avançados atuais. São os dois bem capazes de atacar a profundidade, mais pela inteligência de movimentos do que pela velocidade, como o estilo do treinador pede, mas não é aí que se destacam de Soares ou Zé Luís. Taremi tem uma capacidade técnica muito acima de qualquer um dos já mencionados e associa-se muito bem com os médios atrás dele. Mais do que um ponta-de-lança puro e duro, é um avançado muito completo, capaz de recuar para trazer jogo para a frente, enquanto é sempre uma ameaça para as costas dos defesas.

Toni Martínez não diferencia em muito de Taremi, apesar de ser um jogador que usa mais a sua qualidade física. Ainda assim, consegue na mesma jogar aquele futebol associativo. Aliás, estes dois jogadores não conseguiriam ter tido papéis tão relevantes nas respetivas equipas (Rio Ave e Famalicão foram duas das equipas que melhor futebol jogaram no campeonato) se não fossem fortes no jogo de equipa, se não tivessem boas capacidades técnicas e se não fossem fortes a ler o jogo de posição.

A meu ver, seriam duas muito boas opções para aumentar a qualidade e a competitividade na frente de ataque dos Dragões. Trazem qualidades que o plantel atualmente não tem e ambos já mostraram mais que competência suficiente na nossa Liga. Parece-me a mim que Taremi seria o melhor preparado para fazer dupla com Marega, e creio que se iria adequar muito bem naquele papel de avançado ligeiramente mais recuado.

Mas com todos estes pontos positivos, também existe um senão. Enquanto acho positivo que o FC Porto tente encontrar avançados com um perfil diferente ao existente, a verdade é que o estilo de jogadores dos que estão hoje no plantel é o estilo de Sérgio Conceição. Com isto quero dizer que não se pode contratar jogadores que jogam de maneiras claramente diferentes e pedir-lhes o que se tem pedido aos atuais avançados.

Porque embora ache que Taremi e Toni podem ser muito boas adições, não será no jogo direto e vertical de Conceição que estes se vão destacar. Um aspeto que acho que não é tido em conta suficientemente quando se fala em novas contratações é o contexto para o qual o jogador vai entrar. E não tenho dúvidas de que para que estes dois jogadores possam atingir todo o seu potencial no FC Porto, é preciso que o treinador adapte algumas das suas ideias para os servir.

Artigo revisto por Joana Mendes

Alexandre Matos
Alexandre Matoshttp://www.bolanarede.pt
O Alexandre é um jovem que estuda Ciências da Comunicação no Porto. Apaixonado por tudo o que seja desporto, encontra a sua maior obsessão no futebol. Como não tinha grande jeito para jogar, decidiu que o melhor era apostar no jornalismo desportivo. Amante incondicional de bom futebol, não tem medo de dar a sua opinião nem de ser polémico. Sendo qualidades inerentes à profissão que deseja exercer no futuro, rege-se pela imparcialidade e pelo critério jornalístico na sua escrita.

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