Última horaEm Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)
Publicidade

Tello: Com somente uma opção… decide bem

David Guimarães · 3 min

Tello: Com somente uma opção… decide bem

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

a minha eternidade

Cristian Tello facturou três golos neste último clássico entre o Futebol Clube do Porto e o Sporting Clube de Portugal. O resultado do jogo tem a sua assinatura exclusiva, numa exibição pautada por uma eficácia tremenda em frente ao guardião sportinguista Rui Patrício.

Já por algumas vezes critiquei negativamente este velocista espanhol recém-chegado do Barcelona. Em inúmeros jogos anteriores, este extremo denotou, na minha óptica, erros de interpretação de jogo. Quando confrontado com mais do que uma opção para concluir uma jogada, escolhia erradamente, perdendo assim oportunidades clamorosas para chegar ao golo. Em vários lances, quando deveria temporizar para passar, acelerava; quando deveria assistir ao lado, rematava; quando tinha de atirar para o golo, fazia uma finta desnecessária.

Na fantástica partida de domingo frente aos ferozes leões, o que sobressaiu mais no jogo de Tello foram os seus movimentos verticais pelo corredor central. Também já anteriormente dissertei sobre a sua pouca vocação para jogar aberto, junto à linha lateral. O seu potencial futebolístico não se manifesta tão exemplarmente quando procura movimentos em largura, numa ocupação espacial de dentro para fora (fugindo da grande área). É perceptível a ideia do treinador portista, Julen Lopetegui, quando “algema” o explosivo na faixa. Com Tello dando largura, o treinador pretende criar dinâmicas para a subida do lateral, com o intuito de empreender combinações entre este e o extremo, possibilitando desta forma espaço suficiente para a descida de Jackson em troca posicional com os médios interiores (que invadem, em forma de pinça, o espaço do ponta-de-lança para finalizar).

Foi interessante observar que trinta segundos antes do terceiro golo de Tello (em nova invasão do espaço central), o treinador Lopetegui estava a pedir ao extremo para abrir na linha (fazendo o jogador, logo depois, exactamente o oposto). O técnico deve apostar mais noutras nuances estratégicas que Tello possibilita (tendo como base analítica e representativa os três golos ao Sporting). Insistir nos seus movimentos pelo corredor central parece-me o treino diário mais acertado e a ser explorado com mais vigor – julgo que estão a ser bem trabalhados em termos técnicos mas quantitativamente pouco aplicados. Tello pode, como vimos no jogo com o Sporting, trocar de espaço de ocupação com o avançado-centro aparecendo para finalizar, e também, embora não tão visível nesta última peleja, executar movimentos de fora para dentro para assistir Jackson ou os médios que apareçam em movimentos verticais de ruptura.

Inúmeros analistas viram no brilhante jogo que Cristian Tello fez contra o Sporting uma prova da sua evolução positiva e de uma melhoria substancial ao serviço dos dragões. Que este espanhol é um craque, com técnica apurada aliada a uma velocidade estonteante, não é difícil descortinar. No entanto, não creio que este jogo seja a prova de que o atacante tenha debelado por completo as lacunas que tinha quando confrontado com as diversas opções no último terço do terreno: passo ou temporizo? Acelero ou remato? É neste aspecto que os espanhóis (treinador e atleta) devem laborar e aprimorar com mais afinco e minudência. Tello, no jogo com o Sporting, decidiu eximiamente: em cada momento, escolheu a opção correcta – neste caso, remate para golo. Mas é importante não escamotear que o jogador decidiu bem porque Jackson e Herrera (os assistentes) o “coagiram” a atirar à baliza; não havia qualquer dúvida (a inquietar o jogador naquele instante), tinha de chutar para golo. É relevante tentar ajudar o jogador a perceber qual a correspondência perfeita entre momentos/decisões, ou seja, para determinada situação de jogo, qual a acção adequada a tomar. Lopetegui ou faz o seu atleta maturar neste aspecto, ou trabalha colectivamente a equipa para o colocar na cara do golo. Assim, o avançado irá escolher sempre a opção correcta para aquele momento. No entanto, uma coisa é certa: com apenas uma opção Tello decide bem… escolhendo o golo.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

David Guimarães

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Em Portugal, as listas são horizontais, em Espanha, são verticais: o Real Bétis também é uma escola de extremos (e Souleymane Faye passou por lá)

SEVILHA, ESPANHA- Ao pensarmos em escolas de formação, com a sua especialidade em extremos, o nosso cérebro vai pensar automaticamente no Sporting. Cristiano Ronaldo, Nani, Simão Sabrosa e Ricardo Quaresma são o expoente máximo de craques saídos da cantera do emblema do José de Alvalade, capazes de fazer magia a partir da linha, procurando espaços interiores ou dando profundidade nas zonas exteriores, aliando-se ao lateral. Nos últimos anos, Espanha assumiu-se como o país protagonista no futebol, não apenas nos seniores, mas também na formação. As academias ganharam um papel importante no desenvolvimento do desporto rei desde a viragem do século, com vários emblemas a apostarem na manutenção e criação de infraestruturas para que os atletas possam atingir os níveis máximos. As conquistas do Euro 2024 e do Mundial 2026 provam este ponto. São a cereja no topo do bolo de um processo que obviamente não se construiu de um dia para o outro.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Denílson no Real Bétis: o brasileiro que encantou Manuel Lopera e que chegou a deter o título de jogador mais caro da história

SEVILHA, ESPANHA- Em 1997, o mundo preparava-se já para a viragem do século, com todos os países do mundo ocidental a procurarem a modernização e o protagonismo global. No futebol, não era distinto. Vivíamos os primeiros anos da Premier League, que procurava destronar a Serie A como o campeonato mais poderoso do mundo. Os ingleses tinham dinheiro e queriam a maior audiência possível, proporcionando assim ao espetador os melhores encontros possíveis. Era uma batalha entre poderosos, que hoje em dia é quase inimaginável. Em Espanha, a La Liga tinha uma boa cotação, mas ainda não estava no mesmo patamar que as suas congéneres. No entanto, o caminho traçado era claro. Ainda em 1990, o governo espanhol, farto de ver os clubes a gerarem prejuízos dantescos, criou a Ley del Deporte, que levava a que os clubes profissionais criassem uma Sociedade Anónima Desportiva. A partir desse momento, as instituições também passavam a ser empresas. Os únicos que escaparam a isto (por terem fechado as contas no positivo)? Barcelona, Real Madrid, Athletic e Osasuna. Presentemente, estes quatro emblemas continuam a pertencer aos sócios.

Ricardo João Lopes · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.