Um miúdo de 17 anos e uma questão … central

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Depois de um jogo de apresentação (a)típico aos sócios (os adeptos esperavam ver uma equipa fresca e futebol espectáculo, mas os jogadores estavam claramente em ritmo de treino, em ritmo de equipa que está a gerir índices físicos), a calmaria voltou ao reino ao dragão e cada vez mais o plantel azul-e-branco começa a ganhar contornos finais: Abdoulaye, Josué, Licá e Ghilas viram confirmada a já anunciada saída da equipa (ao que tudo indica, o argelino irá rumar a Braga para ganhar minutos e… golos), Jackson chegou ao Porto e mostrou-se disponível a renovar (o que é um volte-face nesta novela que o empresário do colombiano insiste em continuar), e Kadu, Graça, Kayembe e Paciência nem jogaram no jogo de apresentação, o que dá a certeza de que numa fase inicial serão relegados para a equipa B.

Para “arrumar a casa” restam fechar os dossiers de Defour, Varela e Sami (no caso do médio a saída para a Holanda é eminente; o extremo, que pediu para sair, ainda não se sabe onde será colocado, e Sami é dado como outro possível jogador a rumar a Braga por empréstimo, coisa que em nada me agradaria) e concluir o plantel com a aquisição de um defesa central e, a sair Sami, de um avançado com características de “nº 9” (visto que com a entrada de José Angél fechámos assim as alas da defesa portista). Para estas posições fala-se no espanhol Marcano e no mexicano Jimenéz – coisa que em nada é novidade para quem tem andado dentro do universo portista.

Posto isto, e acreditando que o nosso plantel não fugirá muito destes nomes acima referidos, venho aqui escrever sobre a minha principal preocupação neste Futebol Clube do Porto: “os centros”. Não os centros cruzados, porque aí temos um leque de opções que qualquer equipa gostaria, mas sim os centros da defesa, meio campo e ataque.

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José Ángel chega ao FC Porto para competir por um lugar com Alex Sandro
Fonte: uefa.com

No centro da defesa, Martins Indi está destinado a ocupar a vaga de Mangala e jogar como “central esquerdo” ao lado de Maicon/(outro central), pois o brasileiro não me parece mostrar ainda a consistência para ser um jogador regular, embora goste muito dele e acredite que poderá vir a ser! No “extremo oposto dos centros”, a posição de nº 9, a ser entregue a Jackson, e se Jackson estiver com a cabeça no Dragão, estou descansado.

Resta-me o “centro central” (perdoem-me esta dança de centros!), e é aqui que reside a minha dúvida/medo: Lopetegui é um treinador que aposta em jovens, que não tem medo de atacar o título com uma equipa liderada maioritariamente por miúdos, miúdos que, por virem do Barcelona, Real Madrid e Atlético, podem ter egos bastante perigosos… Mas será que Lopetegui será corajoso o suficiente para apostar num jogador que já demonstrou ter qualidade para agarrar desde já a posição 6 e ser o novo “polvo” do onze azul-e-branco? Falo, pois claro, de Rúben Neves. Com 17 anos feitos em Março do corrente ano, tem idade de júnior mas uma maturidade que impressiona todo e qualquer espectador que o veja jogar. Devo referir que, como Jorge Jesus falou quando Matic saiu do conjunto da Luz, concordo que apostar num jovem da formação de imediato é quase impossível (“era preciso nascerem 10 vezes”), mas, no caso de Rúben, parece-me que este menino é um desses casos raros. Transporta a mística do dragão ao peito e, a par de Helton e Quaresma, é o jogador com mais anos de casa. Não peço que lhe entreguem a braçadeira de imediato (como é lógico!), não peço que façam dele o “novo William de Carvalho” (que apareceu em circunstâncias semelhantes, lembro…); peço, sim, que Lopetegui… aposte nele!

Ser o novo “polvo” pode ser demasiado para um jogador que não se limita a defender (relembro o jogo de apresentação e muitos da pré-época que confirmou que o jovem gosta de aparecer em zonas de finalização), um jogador que se assume marcador de cantos e bolas paradas laterais e que, acima de tudo, não tem medo de ser o pêndulo do meio campo quando a equipa faz as rápidas viragens de jogo que tanto temos visto serem efectuadas.

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Varela com a camisola do FC Porto – uma imagem que não se repetirá na nova época
Fonte: uefa.com

Não quero atribuir a Rúben o peso (que é impossível de lhe fugir) de ser uma espécie de novo Fernando, com o sentimento de dragão de Lucho e uma alma de Moutinho que enche o campo. Por isso, vou apenas chamar-lhe… Miúdo. Um miúdo no qual tenho imensa esperança, um miúdo cujo futebol me transmite imensa alegria e ainda mais vaidade quando tenho oportunidade de dizer “aquele miúdo joga no meu clube!”. Por isso, Rúben, não deixes de trabalhar! O futebol é recompensado pelo esforço que cada um deposita no seu dia-a-dia, e acredito, do pouco que vi, que ainda serás uma das revelações da época (sendo que da pré-época já foste a maior dos três grandes).

Com isto, não me estou a esquecer de Casemiro, Herrera, Oliver e até mesmo de Evandro, Carlos Eduardo, Quintero ou Brahimi (estes últimos dois só num esquema com um “nº 10”, e quanto a Evandro ou Carlos Eduardo parece-me que um deles terá um empréstimo à espreita), mas, respeitando sempre as escolhas do treinador, penso que, pelo menos para competições internas, começar a introduzir Rúben Neves seria o tónico perfeito para a explosão de um jogador que tem tudo para vingar de dragão ao peito e, quiçá, com o tempo ser um dos mais jovens capitães de sempre da equipa da Invicta. São 17 anos de puro talento que espero não ver serem desperdiçados devido aos milhões gastos em jogadores de grande qualidade mas que até ao momento justificam menos estarem a jogar do que a nova coqueluche azul-e-branca.

Os próximos dias serão demonstrativos daquilo que são as ideias finais do timoneiro portista, e estou confiante de que as minhas palavras se traduzirão em campo…

FORÇA, MIÚDO!

Redação BnR
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