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Uma estrada com dois sentidos

Rui Sousa · 2 min

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O futebol de formação do FC Porto sofreu durante vários anos pela ausência de uma equipa B. Esse elo perdido entre a cantera e o plantel principal retirou a vários jovens a possibilidade de evoluir dentro de portas e condenou-os a serem entregues à própria sorte ainda em tenra idade. Com o regresso das equipas B, apoiadas com a entrada directa na II Liga, o FC Porto não perdeu a oportunidade de restaurar a ponte entre o futebol de base e o futebol profissional.

“Um plantel; três equipas”, segundo Luís Castro, era desta forma que os Dragões viam o intercâmbio de jogadores entre formação B, equipa sub-19 e plantel principal. Apesar de tudo, essa troca de atletas têm vindo a diminuir, principalmente no sentido A-B, sendo que desde a época passada, em que os Bês venceram a II Liga, as “descidas” de jogadores da equipa A à formação secundária têm sido praticamente nulas.

Com I e II Liga sensivelmente a meio, o FC Porto vive uma situação que merece ser tratada com cuidado: a equipa A luta pelo título, a B pela manutenção. Os comandados por Nuno Espírito Santo (NES) estão ainda a disputar a Liga dos Campeões, mas já foram eliminados das taças internas. Tendo o FC Porto como objectivo crónico vencer o campeonato e ir o mais longe possível na Champions, é natural que as oportunidades para os jogadores menos utilizados sejam cada vez mais escassas, muito por causa dessas eliminações na Taça de Portugal e Taça da Liga.

NES tem sido um bom potenciador dos jovens da equipa B Fonte: FC Porto
NES tem sido um bom potenciador dos jovens da equipa B
Fonte: FC Porto

Contudo, essas chamadas segundas linhas ainda têm um papel a cumprir nos objectivos que o clube traçou para esta época. Jogadores como Boly, Layún, Rúben Neves, Otávio ou João Carlos Teixeira, com falta de ritmo de jogo que lhes permita render a 100% na equipa principal, podem e devem seguir o exemplo recente de Rui Pedro e aproveitar a equipa B para melhorar os índices físicos enquanto ajudam Folha e os “miúdos” a saírem dos últimos lugares da tabela.

Esta situação beneficiaria não só a equipa B – que receberia, ainda que temporariamente, jogadores de nível superior -, mas também NES que veria os jogadores menos utilizados ganharem melhores condições para ajudarem o FC Porto para o que resta da presente temporada, caso venha a ser necessário recorrer a qualquer um deles. O que, diga-se, é bastante provável.

Foto de Capa: FC Porto

Rui Sousa

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