Vender é bom, manter é melhor…

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Ainda bem que Mangala e Fernando não saíram! Este foi o primeiro pensamento que me veio à cabeça aquando do fecho do mercado. As opiniões sobre a venda de Mangala e Fernando divergem. Enquanto algumas pessoas vêm o negócio dos dois jogadores como algo excelente face ao encaixe financeiro significativo, outras tantas – eu incluído – não o vêm com tanto excitação.

Fernando tem sido um dos titulares indiscutíveis de Paulo Fonseca. Na verdade, não há outra forma de ser. O médio luso-brasileiro é o pilar de segurança do meio-campo e das manobras ofensivas e defensivas. A alcunha de “Polvo” assenta-lhe como uma luva e esta época Fernando voltou a mostrar o porque de ser tão cobiçado. Ao longo do tempo em que vestiu um dragão ao peito, foi notável a mudança do estilo de jogo de Fernando. No início da carreira (no Porto entenda-se), o médio era exclusivamente trinco. No que toca a recuperar a bola ninguém, no plantel do Porto, se saía melhor. No resto, Fernando era demasiado contido e limitado. A sua acção no ataque era nula e deixava demasiadas vezes a equipa desprotegida. Agora, o trinco tornou-se um médio mais completo, que integra melhor as acções ofensivas e mantém a rentabilidade enquanto recuperador de bolas.

Nesta época, Fernando tem sido o médio mais constante e seguro dos habituais titulares. Como já disse, o pilar de segurança do meio-campo. Caso a transferência para o Manchester City fosse consumada seria, como foi Lucho, um grande rombo nas aspirações ao título por parte do Porto, até porque as alternativas não me parecem prontas para preencher o lugar do “Polvo”. Defour ou Herrera, as duas principais alternativas, não se encontram preparados.

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O “Polvo” em acção
Fonte: misticadodragao.blogspot.com

O caso do francês é diferente. Quando vi Elaquim Mangala, ex-Standard Liége, chegar ao Porto, fiquei algo céptico. Os primeiros jogos do central não me convenceram e cheguei a pensar que poderia até ser um flop. Então, tudo mudou…

Num curto espaço de tempo, Mangala tem demonstrado, na minha opinião, que é o activo mais valioso (a par de Jackson) do plantel do Porto. O central francês é extremamente rápido e forte. É imponente no jogo aéreo e não compromete quando joga com os pés. O francês é capaz, como já mostrou no Porto, de avançar no terreno e, até certo ponto, de iniciar o processo de ataque. Na defesa do Porto é rei e senhor. No sector central é sempre Mangala e mais um, seja Otamendi ou Maicon. Perante este trio, Diego Reyes ainda tem muito para evoluir… Se o Porto perdesse Mangala, ia perder meia defesa. Apesar de Maicon e Otamendi serem dois centrais muito competentes e capazes, não chegam à qualidade de Mangala.

Ficam os jogadores, afastam-se as libras inglesas. O hipotético negócio dos dois jogadores renderia por volta de 56 milhões de euros. Qualquer clube em Portugal não se pode dar ao luxo de ignorar uma proposta deste calibre. Porém, se combinarmos as cláusulas de rescisão de Fernando e Mangala, a soma perfaz um total acima da hipotética proposta da equipa de Manchester. Não tenho a menor dúvida de que este duo portista possui qualidade mais do que suficiente para alinhar numa equipa como o Manchester City, nem que o tempo de Fernando e Mangala com dragões ao peito se aproxime do fim. Tenho ainda a certeza de que Pinto da Costa não irá deixar dois activos valiosos saírem mesmo que dêem um retorno financeiro massivo. A minha única preocupação nesta situação é o contrato de Fernando. O luso-brasileiro termina contrato esta época e isso pode influenciar o mercado no que toca à potencial contratação do médio. A proposta era boa, sim. Mas sem duas peças fundamentais a já complicada conquista do título seria uma tarefa equiparável aos 13 trabalhos de Hércules…

José Rafael Lopes
José Rafael Lopes
O José rejeita a expressão “portista desde pequenino”, uma vez que até nem nasceu do Porto. Mas rapidamente entendeu que é no norte que se pratica bom futebol. E, como defensor dessa prática, afirma convictamente que o Porto é mesmo a melhor equipa em Portugal.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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