Zé Luís: uma carta fora do baralho de Sérgio Conceição?

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Era com enorme expectativa que a maioria dos portistas via a chegada de Zé Luís à cidade Invicta, mas, agora, parece ser uma carta fora do baralho de Sérgio Conceição. O cabo-verdiano, à época com vinte e oito anos, chegava tremendamente elogiado por grande parte da crítica desportiva, apesar da sua idade e do esforço financeiro que esta transferência obrigaria o FC Porto a fazer. 

Independentemente de todos esses fatores menos positivos, Sérgio Conceição via no ex-Spartak de Moscovo uma solução válida para a frente de ataque azul e branca, pelo seu poderio físico (característica que, convenhamos, o técnico portista aprecia imenso), pela sua mobilidade e pelo seu poder de finalização, sobretudo no jogo aéreo.

E a verdade é que o início da temporada, em termos individuais, não poderia ter corrido melhor. Contínuas presenças no onze inicial, algumas boas exibições e, o mais importante, golos: Zé Luís parecia estar a cimentar um lugar cativo nas escolhas de Sérgio Conceição.

Todavia, a vida do número vinte azul e branco não voltaria a ser a mesma após o jogo no Dragão frente ao FC Famalicão: pela primeira vez em jogos do campeonato, Zé Luís não constava nas escolhas iniciais de Sérgio Conceição, algo que, a partir daquele momento, viria a tornar-se rotineiro.

E essas ausências do avançado nascido na Ilha do Fogo começaram a coincidir com uma maior produtividade de Soares, o que, convenhamos, não facilitou nada a tarefa ao cabo-verdiano.

Outro fator que impedia uma maior sequência competitiva a Zé Luís eram as lesões. Foram já múltiplos os encontros em que o ponta de lança não esteve à disposição do técnico portista devido a este tipo de infortúnio, algo que, na verdade, já vinha sendo comum nas últimas épocas do jogador em território russo.

Apesar de algumas exibições influentes no início da temporada, Zé Luís caiu do onze do FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso/ Bola na Rede

Portanto, era já, de certa forma, expectável que, mais tarde ou mais cedo, os problemas físicos voltassem a atormentar Zé Luís, o mesmo jogador que, em quatro épocas em Moscovo ao serviço do Spartak, em quase três dezenas de jogos esteve impedido de competir por complicações de ordem física.

Conhecendo de antemão estes asteriscos no seu currículo, foi uma boa jogada contratar Zé Luís? Tendo em conta todos os contornos que envolveram a sua contratação, não acho que tenha sido uma movimentação, particularmente, feliz.

Primeiramente, pelas lesões que anteriormente enunciei; como se estas não bastassem, a sua idade já algo avançada, juntamente com o preço excessivamente elevado que o clube teve que desembolsar pelo seu passe, perfazem uma situação que, num clube com os problemas financeiros que o FC Porto possui, acaba por ser tremendamente arriscada.

E, lembremos, Zé Luís foi um risco que Sérgio Conceição pediu à estrutura azul e branca para tomar. Contudo, tem sido um risco que, até ao momento, o treinador dos dragões não tem conseguido justificar. É verdade que o jogador já esteve um período lesionado, todavia, não raras vezes, Conceição, o mesmo que “exigiu” esta contratação, não o vê como uma opção primária, mesmo com o sub-rendimento evidente de algumas outras unidades ofensivas.

Se concordei com a contratação de Zé Luís, principalmente com os moldes em que esta se concretizou? Não, como já afirmei anteriormente; o montante que foi investido neste reforço poderia, facilmente, ter sido direcionado para um outro alvo, mais jovem e com maior margem de progressão. No entanto, isso não o transforma num jogador sem qualidade: em termos técnicos, a nível de finalização, sobretudo de cabeça, Zé Luís em nada fica atrás de Soares e Marega, muito pelo contrário, aliás.

Agora que o “mal” já está feito, de nada vale chorar sobre o leite derramado. Vale, isso sim, tentar valorizar, ao máximo, um ativo presente no plantel, um ativo que, diga-se, está longe de ser uma carta fora do baralho.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

José Mário Fernandes
José Mário Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Um jovem com o sonho de jogar futebol profissionalmente. Porém, como até não tinha jeito para a coisa, limita-se a gritar para uma televisão quando o FC Porto joga.                                                                                                                                                 O José escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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