Multiplicaram-se as polémicas, dividiram-se os pontos | Boavista FC 2-2 FC Famalicão

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A entropia do jogo entre o Boavista FC e o FC Famalicão foi tal que percecionar alguma ordem no meio da desordem torna-se difícil. Não me interpretem mal, foi um jogo emotivo, bem disputado e com uma qualidade bastante aceitável.

No entanto, os casos, casinhos e casões, a falta de pulso de Gustavo Correia na gestão disciplinar do jogo e as provocações e conflitos entre os dois conjuntos foram escamoteando aquilo que devia ter sido mais visível: a qualidade individual e coletiva das duas equipas – recorde-se que, à entrada para esta jornada, o FC Famalicão era a defesa menos batida do campeonato e o Boavista era o segundo ataque mais produtivo.

Ainda assim, tivemos uma partida com quatro golos, com ambas as equipas a estarem em vantagem no marcador, com o golo do empate a surgir nos descontos. E, acima de tudo, pudemos ter, apesar das expulsões e confusões, um encontro onde ficou patente qual a zona de conforto de cada equipa.

Este Boavista é cada vez mais uma equipa de posse, de controlo, de gestão com bola. O Famalicão é cada vez mais uma equipa defensivamente coesa, muito forte nas transições e muito difícil de desfeitear em bola corrida (apesar de ter sofrido, no 2-1, o primeiro golo de bola corrida esta temporada).

Na primeira parte, é de realçar algo que João Pedro Sousa já havia referenciado na antevisão da partida: a coesão defensiva do Fama vai do guarda-redes ao avançado e passa por todos os jogadores. Essa afirmação ficou bem atestada pelo “policiamento de proximidade” constante que Aranda exerceu sobre Vukotic.

No primeiro tempo, na construção axadrezada, onde o médio montenegrino estava, estava também o espanhol a respirar sobre o pescoço do “18” das panteras. No segundo tempo, Liimatta assumiu a posição no meio e Aranda deslocou-se para a esquerda e Vukotic teve muito mais espaço para respirar, pensar e executar.

No segundo tempo, a nota de destaque vai para a capacidade do Boavista FC para colocar em sentido a defesa menos batida do campeonato e conseguir mesmo o golo da reviravolta (que se viria a esfumar) num lance de bola corrida. O apetite da pantera pelo bom futebol não parece ter fim. No final das contas, as contas foram muito simples: quatro golos, três expulsões, duas vantagens distintas no marcador e um ponto para cada equipa.

Ajustado ou desajustado, justo ou injusto, esses são juízos de valor difíceis de fazer. A verdade é que ambas as equipas saíram da partida com menos do que pretendiam e com menos do que procuraram. Assim é o futebol.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

BnR: Neste momento, as melhores defesas do campeonato são as de Casa Pia AC, Sporting CP e FC Famalicão. O Boavista FC já defrontou duas dessas equipas, em casa em ambos os casos, e, apesar de ter feito golos a ambas, foi precisamente nessas partidas que perdeu pontos em casa. Olhando para esses dois encontros, mas em particular, claro, para o jogo de hoje, o que faltou para conseguir mais do que um ponto, sobretudo atendendo a que o Boavista FC fez ao FC Famalicão duas coisas que ninguém tinha feito nesta Liga – marcar mais de um golo e marcar de bola corrida?

Petit: Faltou aquele detalhe, logo no início, o Morais não consegue a receção, depois o guarda-redes do FC Famalicão faz uma grande defesa. Depois, na primeira aproximação à nossa baliza o FC Famalicão faz o golo e tivemos ali um bocadinho alguma intranquilidade, mas continuámos a trabalhar à procura do empate e conseguimos chegar ao empate na primeira parte. Na segunda parte, entrámos diferentes, conseguimos chegar à vantagem no marcador e depois deu-se a expulsão do Cádiz, depois a do Morais e deu-se ali alguma intranquilidade. Estamos tristes por perdermos estes dois pontos, mas estou muito satisfeito pelo comportamento.

BnR: O Vukotic na primeira parte foi muito patrulhado pelo Aranda, mas no segundo tempo, com a passagem do Liimatta para o meio e do Aranda para a esquerda, teve mais espaço. Essa alteração do FC Famalicão ajudou a que isso acontecesse?

Petit: O Liimatta fazia ali um quadrado com os dois médios e nós queríamos que na primeira fase de construção do FC Famalicão o Robert Bozenik pudesse levar com ele o central e, depois, tínhamos aquele triângulo Makouta – Morais – Bruno Lourenço. Depois, tinha o duplo pivô com o Vukotic e o Reisinho e, às vezes, tivemos essa dificuldade, porque o FC Famalicão tinha a referência do Cádiz, que segura muito bem a bola. Na primeira parte, tivemos ali algumas dificuldades. Na segunda parte, o FC Famalicão começou a jogar em 4-3-3 com o Liimatta na frente dos médios e foi mais fácil para nós ajustarmos.

Outras declarações:

“Estou de acordo (com o presidente do FC Famalicão). Abrimos os programas de TV e só se fala de arbitragens, só se olha para as arbitragens e não para o produto do futebol português”.

“Temos de dar mais tranquilidade aos árbitros”.

Miguel Ribeiro, presidente do FC Famalicão, compareceu na sala de imprensa, apenas acompanhado do assessor de imprensa. João Pedro Sousa não prestou declarações.

“Assistimos a uma absoluta intranquilidade, com muitas decisões erradas”.

“O nosso futebol anda à volta das arbitragens”.

“A nossa insatisfação é clara e pública”.

“O nosso apelo é à tranquilidade e competência. O FC Famalicão, desde que voltou à Primeira Liga, sempre se pautou por estes dois pontos”.

“Temos vários desafios pela frente, temos direitos de transmissão para serem centralizados, temos uma marca para vender, um futebol para vender”.

“Passadas sete jornadas, só falamos de arbitragens, não de futebol”.

“O clima é demasiado instável e intranquilo para eu poder julgar a competência”.

“Estar a apitar com este tipo de alheamento pessoal e emocional do jogo revela o que eu disse até agora sobre o clima em que estes homens (árbitros) estão a trabalhar.”

Márcio Francisco Paiva
Márcio Francisco Paivahttp://www.bolanarede.pt
O desporto bem praticado fascina-o, o jornalismo bem feito extasia-o. É apaixonado (ou doente, se quiserem, é quase igual – um apaixonado apenas comete mais loucuras) pelo SL Benfica e por tudo o que envolve o clube: modalidades, futebol de formação, futebol sénior. Por ser fascinado por desporto bem praticado, segue com especial atenção a NBA, a Premier League, os majors de Snooker, os Grand Slams de ténis, o campeonato espanhol de futsal e diversas competições europeias e mundiais de futebol e futsal. Quando está aborrecido, vê qualquer desporto. Quando está mesmo, mesmo aborrecido, pratica desporto. Sozinho. E perde.

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João Prates está na Tribuna VIP do Bola na Rede. É treinador de futebol, licenciado em Psicologia do Desporto e está no seu espaço de opinião no nosso site.

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