Académica OAF 0-0 SC Braga: A balada da despedida

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Sente-se que um tempo acabou, numa Primavera de flor adormecida. Qualquer coisa que não volta (a esperança), que voou, que foi um rio, um ar, na vida… da Académica. Durante 13 anos, o futebol de Primeira esteve em Coimbra, assistiu a histórias lindíssimas, com uma Taça de Portugal e uma presença europeia que fizeram renascer a esperança da Académica no regresso ao passado glorioso.

Esse passado, agora, está distante, e o futebol de primeira leva de Coimbra, para além dessas histórias, um choro de uma balada, recordações do passado e, claro, o bater da velha cabra. É assim, por entre a letra da Balada da Despedida, que se entende o adeus da Académica ao primeiro escalão do futebol profissional, depois de empatar, a zero, com o Braga, em casa.

A primeira parte teve uma temperatura morna, com lances de perigo a ambas as balizas, mas com o Braga a vincar a superioridade dos seus executantes, fazendo uso da qualidade técnica e das dinâmicas há muito assimiladas pelo grupo. que causaram calafrios aos estudantes, sempre com Wilson Eduardo em evidência – primeiro, cabeceou junto ao poste; depois, aproveitando um desentendimento entre João Real e Iago, isolou-se e atirou colocado, mas Trigueira, com uma grande defesa, impediu que o marcador sofresse alterações e, por fim, assistiu Josué, para um disparo a rasar o poste direito de Trigueira.

Do outro lado, estava uma Académica que nunca deixou de demonstrar vontade, mas que parecia “manca”, funcionando apenas do lado direito, onde Hugo Seco esteve em evidência com vários rasgos que empolgaram as bancadas, embora sem grande sequência prática – os bracarenses só sentiram perigo quando o 77 da Briosa lançou Pedro Nuno e este, em boa posição, atirou por cima.

Não foi por falta de comparência que a Briosa "chumbou"
Não foi por falta de comparência que a Briosa “chumbou”

A segunda parte conheceu uma Académica mais expedita, com Gonçalo Paciência em evidência. O avançado sub21 português rematou ao poste numa boa antecipação a Boly e ainda obrigou Marafona a defender com os pés no lance que se seguiu.

A partir daqui, porém, os estudantes estabilizaram, e deixaram de criar perigo, permitindo ao Braga subir linhas. Esta permissividade causou vários calafrios à defesa da Académica. Primeiro Josué obrigou Trigueira a grande defesa e depois Hassan, por duas vezes, não teve arte nem engenho para ludibriar o guardião academista, que ainda deu esperança à Briosa, materializada numa bola à barra, enviada pela cabeça de Gonçalo Paciência.

No ultimo suspiro do jogo, num livre, Trigueira ainda subiu à área contrária, o público galvanizou-se, mas sem resultados práticos. Manuel Mota fez soar o apito final, pondo fim à comoção vivida nos últimos instantes da partida.

Sobraram apenas capas negras (e foram muitas, provando que os estudantes da Universidade de Coimbra estão com a Briosa), que já são de saudade, no momento da partida, e a promessa de que os segredos desta cidade serão levados para a vida, para a história do campeonato português.

A Figura:

Pedro Trigueira (Académica OAF) – Não teve uma actuação irrepreensível, longe disso, mas foi graças a ele que se acreditou durante os 90 minutos no Estádio Cidade de Coimbra. Hassan, Wilson Eduardo e Josué viram os seus intentos de serem carrascos travados, e a esperança cresceu graças ao guardião da Briosa.

O Fora-de-Jogo:

Iago (Académica OAF) – Frequentemente desposicionado, pareceu muitas vezes dessintonizado da dinâmica (que não era muita, convenhamos) da equipa, deixando fugir por três (!) vezes adversários sobre os quais tinha responsabilidades de marcação (Wilson Eduardo e Hassan por duas vezes), provocando calafrios nas bancadas.

Sala de Imprensa:

Paulo Fonseca:

Em primeiro lugar, quero lamentar a descida da Académica. É um clube que faz falta à Primeira Liga e no próximo ano vou torcer para que a Académica regresse”.

Foi um jogo em que poderíamos ter vencido em função do que produzimos. Um jogo sobre o nosso domínio, sobre o nosso controlo, com a Académica a tentar encontrar desequilíbrios da nossa parte“.

Temos os objectivos praticamente consumados, mas primeiro vamos pensar no Sporting; só depois vamos pensar na final da Taça”.

Fizemos uma segunda volta melhor do que a primeira”.

Boly vai ser reavaliado”.

Miguel Pinto (Adjunto de Filipe Gouveia):

Sentimento de tristeza profunda, como devem calcular. Uma descida de divisão é uma descida de divisão“.

Faltou-nos alguma atitude ao longo da época, mas são erros nossos e temos de os assumir“.

Hoje fizemos um bom jogo, foi um dos melhores esta época; criámos oportunidades de golo, mas faltou-nos a estrelinha“.

Em Tondela vamos honrar o nosso compromisso“.

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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