Belenenses 1-1 Marítimo: Sem provar o sabor dos 3 pontos

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Ainda não foi desta que Belenenses e Marítimo conseguiram somar três pontos no campeonato. A equipa de Ricardo Sá Pinto acusou alguma falta de frescura (como o técnico reconheceu na análise à partida) após o brilhante apuramento europeu, demonstrando previsibilidade e dificuldades na criação ofensiva. Os azuis ainda têm de se habituar a fazer dois jogos por semana. Já os insulares, que estiveram melhor na primeira parte, limitaram-se a segurar a magra vantagem (Ivo Vieira tirou um extremo e colocou mais um médio ao intervalo) na etapa complementar e permitiram que o adversário fizesse a igualdade. No final, o empate acaba por ser o resultado mais justo.

Não foi pela ausência de Carlos Martins, nos azuis, e de Marega, nos madeirenses, que o jogo não teve animação na primeira parte. O Restelo assistiu a um jogo aberto, com duas equipas à procura da vitória. A estratégia do Belém passou pela exploração das costas da defesa insular, mas o conjunto da casa, à excepção de uma jogada em que Miguel Rosa apareceu na cara de Salin, raramente conseguiu incomodar o adversário, ora por ser assinalado fora-de-jogo (Tiago Caeiro foi apanhado várias vezes), ora por o guardião francês antecipar os lances. A equipa de Sá Pinto demonstrou fraca ligação entre sectores, com a bola a passar pouco pelos médios Rúben Pinto e André Sousa, e praticamente não teve oportunidades para marcar. O Marítimo foi mais esclarecido ofensivamente, explorando bem a velocidade dos seus homens mais adiantados. Édgar Costa, após deixar Filipe Ferreira para trás, viu Ventura negar-lhe o golo, que chegaria na sequência de um canto. Fransérgio subiu mais alto e aproveitou uma saída algo tardia do guarda-redes português para adiantar a turma de Ivo Vieira, que, mesmo sem atacar mais, atacou melhor do que o adversário.

O início de segunda parte trouxe um Marítimo cauteloso e com um meio campo reforçado. Ivo Vieira fez entrar Éber Bessa, que se colocou ao lado de Fransérgio, e abdicou do extremo André Xavier, que passou ao lado do jogo. O Belenenses teve dificuldades para ultrapassar o bloco madeirense (Sturgeon ia sendo o único a sobressair) e obrigou Sá Pinto a mexer no ataque. Tiago Caeiro não esteve no seu melhor, e a sua saída, juntamente com as entradas de Camará e Betinho, serviu para empurrar os homens do Restelo para a frente. As bolas foram sendo bombeadas para a área e, num desses lances, Camará cruzou largo para o segundo poste, onde surgiu Rúben Pinto a colocar a bola para o “Nolito português”, Miguel Rosa, encostar para dentro das redes. Estava feito o empate, uma recompensa merecida para os guerreiros de Sá Pinto. O jogo continuou embrulhado, com as duas equipas a revelarem incapacidade para irem à procura da vitória. Ainda assim, houve uma oportunidade para cada lado e uma boa resposta dos guarda-redes. Salin travou um cabeceamento de Sturgeon, e Ventura fez a defesa da tarde a um livre de Tiago Rodrigues, que ainda foi a tempo de ser expulso por acumulação de amarelos.

Foi de Miguel Rosa que nasceu a oportunidade mais perigosa da primeira parte Fonte: Facebook do Belenenses
Foi de Miguel Rosa que nasceu a oportunidade mais perigosa da primeira parte
Fonte: Facebook do Belenenses

A equipa da casa foi vítima de uma problemática consistente: a falta de continuidade nas competições europeias. Os jogos a meio da semana são fatais para as formações portuguesas e estas acabam sempre por sucumbir ao cansaço. No meio da falta de ideias tivemos um Miguel Rosa a tentar levar a equipa para a frente, embora nem sempre da melhor forma, e Sturgeon a assumir-se como o principal quebra-cabeças para a defensiva do Marítimo. O Belenenses tem um plantel capaz de repetir o sucesso da época transacta, resta saber qual será o peso que os jogos europeus terão no conjunto de Sá Pinto.

O Marítimo também se prepara para repetir o que fez na temporada anterior. Não há equipa para almejar voos muito altos, mas há qualidade suficiente para realizar uma época tranquila. No jogo de hoje em específico, a dupla de centrais composta por Deyvison e Raúl secou Tiago Caeiro com a ajuda de Fransérgio, imponente no meio campo. Dyego Souza fez com que não se sentisse a ausência de Marega no ataque, onde Édgar Costa, com a sua velocidade, criou problemas aos laterais adversários. Pela negativa destacou-se Rúben Ferreira, bastante conflituoso e com dificuldades perante Sturgeon, e o médio Tiago Rodrigues, sobretudo pela expulsão.

A Figura:

Fransérgio – A clarividência que faltou às duas equipas foi sempre contrastante com a serenidade que o médio do Marítimo empregou no jogo. Seguro a sair a jogar e imponente a recuperar bolas, Fransérgio carimbou a boa exibição com o golo que deu vantagem momentânea aos insulares.

O Fora-de-jogo:

Tiago Rodrigues – Não vinha fazendo uma exibição particularmente positiva, tendo pouco peso na criação ofensiva da equipa de Ivo Vieira, mas é pelo disparate desnecessário já na parte final do encontro que merece esta nota negativa. Simulou uma falta, agarrou-se à bola e recebeu o segundo amarelo.

Artigo de Alexandre Ribeiro e Tomás da Cunha

Redação BnR
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