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SC Braga 2-0 CS Marítimo: Esta Pedreira virou uma Fortaleza!

José Baptista · 5 min

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Está a ser uma temporada de sonho para os Guerreiros do Minho, que vão batendo recordes atrás de recordes e, a somente quatro jogos do final da Liga, têm o pódio ali tão perto e, matematicamente, podem até ainda sonhar com o título. A consequência disso – além de chamar mais adeptos ao estádio, hoje com 12564 nas bancadas – é o fosso que abre abaixo de si na tabela.

Aí entra o Marítimo, que está apenas dois lugares abaixo na classificação, mas entra para esta partida com mais de 20 pontos de atraso para os arsenalistas. Ainda assim, não se pode estranhar muito esta discrepância, já que, se o Braga tem nomes já com algum pedigree no futebol nacional, como os irmãos Horta ou Wilson Eduardo, os insulares têm uma equipa de remendos, curiosamente incluindo dois dispensados do Braga, Gamboa e Rodrigo Pinho, e só o excelente trabalho de Daniel Ramos lhes permite ambicionar voos tão altos na tabela.

O Braga tomou controlo do jogo desde o início e foi, ao seu ritmo, aproximando-se da baliza dos madeirenses. Aos 10 minutos, deu-se o primeiro lance de perigo quando, após falta amarelada de Fabrício, Amir saiu de forma atabalhoada e quase permitia aos da casa inaugurar o marcador. Tanto dentro como fora da área, o Braga tentava chegar à vantagem, mas o Marítimo ia-se aguentando.

A melhor oportunidade de primeiro tempo surgiu pouco depois da meia hora de jogo, com um canto mal aliviado a permitir aos bracarenses colocar rapidamente a bola na área adversária, mas o nº 1 visitante esteve à altura e, não havendo nada mais de nota, as equipas seguiriam para intervalo com o nulo no resultado.

Enquanto as equipas descansavam no balneário, foi tempo de subirem ao relvado os atletas das modalidades do SC Braga, que tiveram direito a um sóbrio e merecido momento de reconhecimento junto de um público mais amplo que o habitual.

O Braga reentrou com a mesma vontade de conquistar mais um triunfo e, logo aos 52 minutos, Vukcevic, no coração da área, abriu a contagem com um remate colocado após recuperação de bola a meio campo num erro dos visitantes.

Vukcevic e Paulinho resolveram para os da casa
Fonte: SC Braga

E como a melhor forma de defender o resultado é atacando, os da casa não desarmaram e foram sempre os mais perigosos. Ainda assim, Matheus, num dia menos sólido que o que nos tem habituado, ainda teve uma má saída que causou calafrios, mas resolveu à segunda. Por outro lado, os Guerreiros quase chegavam ao segundo. A bola até entrou, mas o lance foi bem anulado por fora-de-jogo, numa recarga após cabeceamento à barra.

Aos 86 minutos, Paulinho surgiu frente a frente com o guardião adversário e fuzilou para estabelecer o resultado final. No entanto, ainda houve lugar a um grande sobressalto para os arsenalistas. Matheus errou o passe e entregou o golo a um adversário, mas teve a presença de espírito de mergulhar num carrinho perfeito para salvar a situação.

E assim se contou a história de mais uma vitória caseira do SC Braga que, com a concorrência mais próxima a 27 pontos, continua a morder os calcanhares aos três grandes e, para já, vai mantendo o sonho da frente do campeonato vivo por mais uns tempos. 

SC Braga: Matheus; Goiano, Raúl Silva, Bruno Viana, Jefferson; Esgaio, Vukcevic, André Horta (Danilo 85’), Ricardo Horta (Fábio Martins 89’); Wilson Eduardo (Dyego Sousa 75’), Paulinho.

CS Marítimo: Amir; Bebeto, Zainadine, Pablo, Rúben Ferreira; Correa (Valente 85’), Gamboa (Ghazaryan 70’), Fabrício, Jean Cleber; Tagueu, Rodrigo Pinho (Everton 83’).

FIGURA:

Fonte: SC Braga

Fonte: SC Braga

Paulinho – Além de marcar o golo da tranquilidade, o seu estilo de jogo aguerrido é um pesadelo para as defesas adversárias. Foi fundamental para os da casa manterem o domínio durante toda a partida, nunca deixando de pressionar os maritimistas.   

FORA DE JOGO:

Fonte: CS Marítimo

Abedzadeh – As constantes perdas de tempo do guarda-redes do Marítimo foram irritantes. Não sendo o mais bonito de se ver, há uma razoabilidade em que se aceita este tipo de atitudes, mas aqui bem ultrapassada, já que o iraniano nem com a sua equipa a perder mudou de atitude.

CONFERÊNCIA BnR

CS Marítimo

BnR: Apesar de estar a perder, deixou as duas últimas substituições para os 10 minutos finais. Qual o foi racional para esta escolha?

Daniel Ramos: À medida que o jogo foi avançando, a determinado momento da segunda parte, a equipa estabilizou e, com isso, não me pareceu oportuno mexer mais cedo. Contudo, na ponta final, com essas substituições modificamos a nossa forma que estávamos a adotar e revertemos para o nosso 4-4-2 e estávamos a sentir que com o 1-0 a equipa ainda desse esse cliquezinho, que ainda havia energia positiva.

Outras respostas:

“Um empate claramente justo na primeira parte.”

“O golo tirou-nos aquela crença que estava presente ao intervalo.”

“A forma da equipa atuar em casa tem outro tipo de peso. Fora de casa, hoje sabíamos que íamos encontrar um Braga extremamente forte.” 

“Este ano, o Braga tem esses indicadores de equipa grande.”

SC Braga

BnR: Este ano, o Braga transformou a Pedreira numa verdadeira Fortaleza. Qual tem sido o papel dos adeptos no sucesso da equipa?

Abel Ferreira: Os adeptos em relação a nós é exatamente igual a mim para com os meus jogadores. Nós temos que passar confiança e receber de volta essa confiança. E é isso exatamente que se nota. Eu não vou pedir aos nossos adeptos quando não se reveem nesta equipa que sintam este espírito. Agora, desde os primeiros jogos que eles se reveem, sabem que lutamos em cada jogo pela vitória. Nós podíamos ter chegado ao hoje ao fim do jogo aqui e, por qualquer razão, não ter vencido o jogo, mas nós sabemos e sentimos isso que se tivéssemos o feito o que fizemos na Feira e já tínhamos feito noutros jogos antes, mesmo que a vitória não nos sorria, os nossos adeptos sabem reconhecer o nosso esforço, a nossa qualidade, a nossa ambição e vocês viram. Há pequenos pormenores que fazem a diferença: estávamos a ganhar 1-0 e os lançamentos fazíamos rápido, porque esta equipa sabe que o jogo os avalia, o jogo é a nossa oportunidade de continuar a crescer e, portanto, não adianta fazer perdas de tempo, fazer anti-jogo, porque se nós queremos melhorar, temos que melhorar a todos os níveis, no tempo de jogo. Quando nós temos os sonhos e sabemos aquilo que queremos e acreditamos naquilo que estamos a fazer, as coisas acontecem. Portanto, vamos continuar a envolver todos os nossos adeptos e também a criar-lhes esta expectativa que é possível a cada dia fazer mais e melhor. 

Outras respostas:

“Não ando aqui à procura de recordes. Eu e o meus jogadores andamos aqui para sermos cada vez melhores.”

“A nossa equipa, no momento da perda de bola, sabe que tem de pressionar para a frente.”

“As vitórias também têm este lado de aumentar as expectativas, a pressão, porque não vão admitir que façamos menos.”

“Não vamos ganhar sempre, mas vamos lutar sempre.”

“O Ricardo [Horta] é um jogador que pode fazer várias posições e isto permite-nos fazer alterações sem queimar uma substituição.”

Foto de Capa: Bola na Rede

José Baptista

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