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Académica OAF 0-0 CD Mafra: ninguém desfez um nulo teimoso

Pedro Machado · 4 min

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A tarde quente que caiu sobre Coimbra convidava os seus habitantes a sair de casa. Alguns deles deslocaram-se ao Estádio Cidade de Coimbra. No início, parecia que não iam ficar arrependidos com a decisão, tal a intensidade do jogo. Porém, o desenrolar do encontro pode ter provocado alguma desilusão entre aqueles que esperavam ver golos.

A vitória do Varzim SC sobre o SC Braga B obrigava o Mafra a procurar pontos em Coimbra, de forma a manter uma almofada pontual confortável para a zona de descida; e foi de forma abnegada que tentaram impor o seu jogo.

Os orientados por Nuno Capucho começaram por tentar travar as investidas da Académica, que começou melhor, com alguma agressividade. Por vezes excederam-se (que o diga Djoussé, lesionado aos 23 minutos), mas conseguiram os seus intentos, abrandando o fulgor ofensivo dos estudantes antes de partirem para o ataque, onde Harramiz e Flávio conferiam largura.

Foram estes, aliás, a dispor das melhores oportunidades de perigo na primeira parte. O primeiro, num toque de calcanhar, obrigou Ricardo Moura a grande defesa; o segundo, isolado, deslumbrou-se com as facilidades concedidas pela defensiva da Académica e atirou ao lado. A Briosa, com Nélson Pedroso (não jogava desde Outubro) e Ki (somou os últimos minutos pela equipa principal a 4 de Janeiro), respondeu por inciativas individuais levadas a cabo por Jonathan Toro. Porém, não conseguiu assustar os visitantes e o nulo arrastou-se para o intervalo.

Zé Castro evitou males maiores para a Académica
Fonte: Bola na Rede

No segundo tempo, o Mafra pareceu perder um pouco de intensidade e a Académica foi ganhando algum domínio territorial. Porém, este domínio tardou até se transformar em oportunidades de perigo, sendo preciso esperar até aos 15 minutos da etapa complementar para que se sentisse que um golo estaria próximo – Romário Baldé, com uma boa execução à entrada da àrea, rematou a rasar o poste.

João Alves decidiu mexer na equipa e dotá-la de uma referência ofensiva (inexistente após a saída de Djoussé, substituído por Toro) e isto teve o condão de mexer com o jogo. A entrada de Hugo Almeida para o lugar de Traquina teve uma reação em cadeia, com o internacional português a prender os centrais, deixando algum espaço livre para os seus companheiros finalizarem.

Parecia que o jogo ia animar, mas os lances acabaram por ser fumo… sem fogo. É que, até ao final da partida, com excepção feita a um lance em que Mike quase fez autogolo, não houve situações dignas de registo.

O nulo deixa a Académica a dez pontos da zona de subida, com 12 por disputar. Já o Mafra conseguiu um ponto precioso num terreno difícil, mantendo três importantes pontos de distância para a zona perigosa.

 

ONZES INICIAIS:

ACADÉMICA OAF: Ricado Moura, Mike, Zé Castro, Yuri Matias, Nélson Pedroso; Reko e Fernando Alexandre (Reko 51’); Traquina, Ki (Hugo Almeida 63’), Romário Baldé; Djoussé (Jonathan Toro 23’);

CD MAFRA: Godinho, Rúben Freitas, Lourenço, Ventosa, Ruca; Bruno, Cuca, Rui Pereira, Zé Tiago; Harramiz e Flávio (Tanque 69’).

A FIGURA

Fonte: CD Mafra

Zé Tiago – Partindo da esquerda para o meio, foi um dos principais dinamizadores do ataque do Mafra e pareceu sempre inconformado com o 0-0. Não conseguiu mais que um ponto no regresso a Coimbra, mas merece a distinção.

O FORA DE JOGO

Fonte: Académica OAF

Reko –Foi notória a dificuldade da Académica a ligar o seu jogo e, apesar de haver culpas a apontar à agressividade do Mafra, há também que responsabilizar a falta de intensidade do meio-campo da Briosa. Fernando Alexandre estava próximo da defesa e Ki próximo do ataque. Cabia a Reko ser o elo de encaixe entre ambos, mas não conseguiu; e neste aspecto há que dar mérito ao meio-campo do Mafra.

BnR na Conferência de Imprensa

Académica OAF

BnR: Disse que ia aproveitar a reta final do campeonato para dar algumas oportunidades. Está a pensar em colocar algum jogador para lançar nesta reta final da época?

João Alves: Ora bem, jovens na equipa principal, que eu saiba, não há ninguém disponível. Mas estou a pensar num miúdo que tem qualidade na equipa de Sub-23 e que pode ter a sua oportunidade.

CD Mafra

BnR: Chega ao comando do Mafra depois de uma série negativa da equipa. Este empate, frente a, como disse, uma das melhores equipas da Segunda Liga, acaba por ser moralizador para o que resta da época?

Nuno Capucho: Sem duvida nenhuma. O ponto só é positivo devido a isso mesmo. Ao trabalho coletivo da equipa. Tínhamos jogadores em apoio, demos largura, e perante uma equipa que não é uma equipa qualquer; que tem jogadores que podem decidir a qualquer momento. Saio daqui com a sensação de que o Ovo da Páscoa me vai saber bem amanhã.

 

Foto de Capa: Bola na Rede

Pedro Machado

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