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Académica OAF 3-1 Casa Pia AC: Barnes afogou os Gansos

Pedro Machado · 4 min

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O tempo cinzento que se abateu sobre Coimbra condizia de forma perfeita com o estado de alma vivido pela Académica, privada de vitórias desde há quatro jogos a esta parte e afundada, por esses resultados, para um lugar impensável (16.º) dados os objectivos traçados (subida) no início da temporada.

O cenário podia ganhar contornos dramáticos caso a Briosa perdesse para um Casa Pia que, em zona de despromoção, podia ultrapassar os estudantes.

Feridos no orgulho, provavelmente, os comandados de João Carlos Pereira, montados num 4x3x3 clássico, entraram a todo o gás. Barnes Osei deu o primeiro sinal de perigo, logo aos dois minutos, numa boa iniciativa individual caída nas mãos de Rodolfo, antes de Derik Lacerda atirar à trave num lance que culminaria no primeiro golo do jogo – Cerqueira insistiu sobre o lado esquerdo e cruzou para o coração da área, onde apareceu Marcos Paulo a inaugurar o marcador com quatro minutos decorridos.

Parecia bom demais para ser verdade. E a verdade é que o golo do empate não demorou a surgir – astuto e aguerrido, Jeka trabalhou sobre o flanco esquerdo do ataque do Casa Pia e serviu Kenidy para uma finalização fácil.

Estes oito minutos de alta intensidade conheceram, de imediato, um travão. O Casa Pia soube trazer água ao seu moinho, com a organização do seu 5x3x2 a neutralizar todas as iniciativas dos capas negras, que só voltaram a criar perigo através de um canto – Mike, ao primeiro poste solicitou a entrada de Ricardo Dias, mas o seis da Briosa chegou atrasado.

Barnes marcou dois dos três golos da Académica
Fonte: Bola na Rede

A segunda parte começou com um ritmo ainda mais lento. O Casa Pia assumiu o controlo do jogo tanto de forma ativa (em posse) como passiva (linhas defensiva e do meio-campo bem compactas) e foi preciso esperar até aos 60 minutos para se encontrar uma oportunidade de perigo – Jeka foi rápido demais para os centrais da Académica e isolou-se perante Mika, mas o antigo vice-campeão do mundo de sub-20 impôs-se.

A Briosa pareceu acordar com este lace e, na primeira oportunidade de que dispôs na segunda parte, foi eficaz e voltou à liderança do marcador. Aos 64’, Barnes Osei, servido por Traquina, disparou para o fundo das redes de forma impiedosa.

O Casa Pia tentou reagir, mas, três minutos depois, um tiro do meio da rua (vale a pena ver, mas só no fim de ler esta crónica) do mesmo Barnes Osei afundou a moral dos Gansos.

Rui Duarte mexeu na equipa, tirando Pedro Machado para incluir mais gente na frente, mas foi a Académica a estar mais perto de ampliar – Traquina tentou um chapéu, mas tinha a aba larga.

O final do encontro foi pintado por bons momentos de recreação dos jogadores da Académica com a Académica, em jeito de reconciliação e harmonia com os 1429 adeptos que se deslocaram ao Estádio Cidade de Coimbra. O tempo cinzento passou a ser, apenas, um adereço contrastante com a alegria dos conimbricenses.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Académica OAF: Mika; Mike, Zé Castro, Silvério, Cerqueira; Ricardo Dias, João Mendes (Ki, 85’), Marcos Paulo (Leandro Silva, 41’); Traquina, Barnes Osei e Derik Lacerda (Dani, 77’)

Casa Pia AC: Rodolfo; Rosa, Machado (Sountoura, 68’), Marcelo, Lucas e Jorge Ribeiro; Kikas, Jean (Tharcysio, 73’) e Mateus; Kenidy (Sávio, 63’) e Jeka

A FIGURA

Fonte: Académica AOF

Barnes Osei – Não estava a ter uma tarde particularmente inspirada mas revelou-se decisivo ao apontar dois golos que devolveram a liderança à Briosa.

Depois disto, conseguiu soltar o perfume do seu futebol pela ala esquerda do ataque da Académica, usando a velocidade como principal destabilizador.

O FORA DE JOGO

Fonte: Liga Portugal

Pedro Machado – É ingrato atribuir este prémio ao defesa-central de uma equipa que se apresentou organizada no seu terço defensivo. Porém, a verdade é que, com o passar dos minutos, a equipa se revelou permeável e por alguma razão terá sido ele o sacrificado por Rui Duarte na altura de tentar inverter o rumo dos acontecimentos.

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Académica OAF

BnR: Parabéns pela primeira vitória ao serviço da Académica. O facto de a Académica ter marcado tantos golos ao Casa Pia quanto o FC Porto vai servir de mote para moralizar os seus jogadores?

João Carlos Pereira: (risos) Cada jogo tem a sua história. Se tivéssemos um bocadinho mais de eficácia até teríamos ultrapassado o FC Porto!

Há que enaltecer o crer, a ousadia dos jogadores. Os jogadores têm todo o mérito porque as circunstâncias não são as melhores e reagir a elas que só está ao alcance dos melhores.

Casa Pia AC

BnR: O Casa Pia chegou a esta partida depois de ter jogado a meio da semana com o FC Porto. Neste contexto, foi mais difícil preparar a equipa a nível físico e/ou psicológico? Pode ter tido inflsuência no desfecho do encontro?

Rui Duarte: Sim, eu tinha dito que nos não tínhamos plantel para andar em mais que uma competição. Nós nem 72 horas tivemos para preparar o jogo. Psicologicamente, acho que não houve tanto impacto mas fisicamente, sim, obviamente que se sentiu.

Não é fácil estar na posição em que está e reagir a uma adversidade.

Temos mantido uma boa qualidade de jogo, embora hoje acho que não tenhamos jogado bem.

Não conseguimos tirar partido de alguma intranquilidade da Académica. Na primeira parte sim, mas na segunda parte, tudo mudou com o segundo golo.

Foto de Capa: Bola na Rede

Pedro Machado

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