Penafiel e Lourosa encontraram-se num duelo importante nas contas da classificação no jogo de encerramento da 22.ª jornada da Segunda Liga. Duas equipas com objetivos distintos, mas com igual necessidade de somar pontos.
A formação penafidelense chegava à jornada em situação delicada, ocupando o último lugar com 23 pontos, enquanto o Lusitânia de Lourosa surgia na quinta posição, com 31 pontos, ainda a sonhar aproximar-se dos lugares que dão acesso à subida de divisão e ao respetivo play-off de apuramento, ocupados neste momento por Sporting B e Académico de Viseu, embora os leões não possam subir de divisão, uma vez que a equipa principal do Sporting disputa a Primeira Liga.
Os números revelavam equipas com perfis diferentes: o Penafiel apresentava 18 golos marcados e 22 sofridos, registo de jogos normalmente equilibrados, enquanto o Lusitânia de Lourosa somava 31 golos apontados, mas também 33 consentidos, evidenciando maior propensão ofensiva, ainda que com fragilidades defensivas.
O Penafiel não vencia em casa há três jogos, embora também não perdesse nesse período, ao passo que o Lusitânia de Lourosa chegava embalado por duas vitórias consecutivas e três encontros sem conhecer o sabor amargo da derrota.


De destacar a excelente condição do relvado no Estádio Municipal 25 de Abril, apesar da chuva intensa que se fez sentir sobre o reduto do Penafiel. Os primeiros minutos foram de claro estudo entre as duas equipas, sem ocasiões dignas de registo. O primeiro remate surgiu apenas aos seis minutos, por intermédio de João Vasco, numa tentativa tímida da equipa visitante.
O Lusitânia de Lourosa procurava muitas vezes o jogo direto, tentando explorar a profundidade e a defesa subida do Penafiel, mas sem conseguir criar verdadeiro perigo. Aos nove minutos, Rodrigo Martins protagonizou uma aproximação prometedora, mas sem encontrar destinatário que pudesse ajudar a sua equipa a colocar-se na frente do marcador.
Contudo, e apesar do domínio territorial da equipa lourosense nos minutos iniciais, a primeira grande oportunidade pertenceu ao Penafiel (13’) quando um excelente passe de rutura de Rúben Alves (excelente primeira parte) isolou Ricardo Schutte. No entanto, Vítor Hugo saiu com qualidade, fechando o ângulo e evitando o golo.
O jogo sofreu depois uma interrupção para assistência ao guarda-redes visitante e entrou numa fase mais física, com Tóquinho Dória a ver o primeiro amarelo.
Aos 24 minutos, o Penafiel chegou mesmo a marcar pelo defesa-central Cláudio Silva, após livre de Bruno Pereira, mas o VAR interveio e anulou o golo, numa decisão que gerou alguma contestação dos adeptos da casa. O golo foi anulado por escassos centímetros após uma revisão de quase 5 (!) minutos, não sendo um caso virgem nas competições nacionais durante esta época, e que carece do necessário aperfeiçoamento da ferramenta e dos timings para as respectivas tomadas de decisão.
A equipa da casa não se deixou afetar e, no reatamento da partida, chegou mesmo ao merecido golo. Gonçalo Negrão cruzou com precisão pela direita e Álvaro Santos (31’) apareceu na área para finalizar com um cabeceamento muitíssimo colocado, sem hipóteses para o guardião da equipa visitante.
O Lusitânia de Lourosa reagiu bem ao golo sofrido e esteve perto do empate num cruzamento-remate venenoso de Luís Rocha, que não foi desviado com sucesso por Silvério Júnio por escassos centímetros.
Até ao intervalo, o Penafiel manteve uma saída apoiada e organizada, enquanto os visitantes revelavam dificuldades em ligar o seu jogo ofensivo. A primeira parte teve ainda seis minutos de compensação e uma baixa importante para os penafidelenses, com Jorge Meré (uma das contratações mais sonantes e surpreendentes da equipa do Penafiel no último mercado de transferências) a sair lesionado, dando lugar a Iano Simão.
Jorge Meré é um jogador que vinha recuperando os índices de confiança que o levaram a ter anos muito interessantes ao serviço do Colónia na Bundesliga e a chegar inclusive a ser convocado para a seleção espanhola.
Será fundamental que um jogador da sua experiência consiga continuar a dar o seu contributo a uma equipa como a do Penafiel, pelo que todos os adeptos durienses devem estar a torcer para que não seja um problema muscular que o afaste dos relvados por um período prolongado.
Inconformado com o rumo dos acontecimentos e com a prestação da sua equipa, Pedro Miguel (o técnico do Lusitânia de Lourosa) tentou mexer com o jogo logo ao intervalo, lançando Miguel Teixeira para dotar o seu meio-campo de uma maior agressividade e propensão ofensiva. A equipa visitante entrou pressionante, mas da primeira vez que o Penafiel saiu em transição, conseguiu aumentar a sua vantagem.
Novamente Gonçalo Negrão (na minha modesta opinião, o melhor jogador em campo, apesar de Álvaro Santos ter bisado na partida) a fazer estragos pela direita, cruzando tenso. Vítor Hugo não conseguiu afastar com eficácia e o avançado espanhol Álvaro Santos apareceu oportuno para bisar na partida.
O segundo golo trouxe maior tranquilidade à equipa comandada pelo espanhol José Manuel Lindoso, que passou a controlar melhor os ritmos do jogo. O Lusitânia de Lourosa ainda tentou reagir, obrigando Joan Femenías a uma boa intervenção após livre lateral de Arsénio, mas nunca conseguiu desmontar a organização defensiva penafidelense.
As substituições sucederam-se nas duas equipas, baixando claramente o ritmo do encontro. O Penafiel procurava gerir o esforço e refrescar a sua equipa, enquanto que o Lusitânia de Lourosa ia introduzindo alterações para tentar encontrar novas soluções ofensivas.
Ainda assim, as melhores oportunidades continuaram a pertencer à equipa da casa, com Vítor Hugo a evitar o terceiro golo em várias ocasiões, negando as intenções de Davo (que apareceu completamente isolado aos 77’) e de Reko na mesma jogada numa excelente dupla intervenção do guardião brasileiro, e um minuto depois voltando a exibir-se a grande nível para deter o remate de Álvaro Santos, impedindo o mesmo de fazer um hat-trick.
Nos minutos finais, o jogo perdeu intensidade e a turma lourosense revelou dificuldades para criar real perigo para a baliza duriense, enquanto o Penafiel controlava com maturidade uma vantagem preciosa.
Com este resultado, o Penafiel somou uma vitória fundamental, não apenas pelo impacto imediato na classificação, mas pelo significado emocional e competitivo que representa num momento crucial da época. O Lusitânia de Lourosa vê Académico de Viseu aumentar a sua diferença para sete pontos, pelo que começa a parecer uma miragem que a equipa de Lourosa, possa conseguir concretizar o sonho de subir pela primeira vez ao escalão principal do futebol nacional.
Há vitórias que são mais do que números, e podem ser viragens de rumo. Álvaro Santos deu luz ao Penafiel e tirou a equipa do último lugar, sendo que esta vitória permite ao Penafiel voltar a respirar e estar mais confiante na luta pela permanência no segundo escalão.
O Bola na Rede esteve presente no Estádio Municipal 25 de Abril, e pôde fazer uma questão a José Manuel Lindoso, treinador do Penafiel. Pedro Miguel, treinador da Lusitânia de Lourosa, só prestou declarações à Sport TV.
Bola na Rede: Vitória muito importante da sua equipa, que com este resultado salta várias posições e sai da zona de descida. O envolvimento atacante do Gonçalo Negrão foi determinante para este resultado. Que balanço faz da prestação do Negrão e da postura da sua equipa ao longo de todo o jogo?
José Manuel Lindoso: O papel do Gonçalo é importante, assim como de todos os jogadores. Não gosto de individualizar exibições num desporto colectivo. A nossa ideia é que o colectivo esteja sempre acima das individualidades. Contudo, e respondendo directamente à sua pergunta, o colectivo estará sempre melhor se os jogadores se exibirem a um grande nível, como foi o caso do Gonçalo e de toda a equipa hoje. O Gonçalo nesta estrutura e nesta ideia de jogo, encontra-se muito confortável. É um jogador jovem, que tem de ir evoluindo, e vamos ajudá-lo a que cresça o seu entendimento do jogo e que melhore como jogador. Mas como disse anteriormente, o mais importante hoje foi a concentração da equipa em todos os momentos do jogo, a confiança de que goza a equipa neste momento. O trabalho que fazemos durante a semana está a dar os seus resultados, em que todos os jogadores estão a competir por um lugar, e que dificultam a minha tarefa (e ainda bem que assim é) de fazer um onze inicial e uma convocatória.

