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A época fantástica do FC Paços Ferreira fazia com este fosse um dos jogos mais emotivos da edição 2018/19 da Segunda Liga.
Afinal, sobrava apenas um poleiro para três ‘galos’ (FC Famalicão, Académica OAF e Estoril-Praia SAD) na luta pela subida à Primeira Liga e dois deles encontravam-se em Vila Nova de Famalicão com cinco pontos a separá-los e seis jogos por disputar até final.
Os famalicenses, motivados por duas vitórias consecutivas, não se limitaram a baixar linhas em busca de eventuais contra-ataques e partiram, determinados, em busca de conquistar terreno ao adversário. Os estudantes, por outro lado, não se intimidaram e foram, também, à procura dos três pontos de que tanto necessitavam.
Isto resultou num jogo aberto, com a bola a rondar as duas balizas. Jonathan Toro e Anderson tiveram situações prometedoras, mas desperdiçaram-nas e teve de ser um central, Luís Rocha, a dar uma lição de eficácia aos avançados, respondendo da melhor forma a um cruzamento perfeito de Feliz com 10 minutos decorridos.
O golo madrugador do Famalicão não afetou a reacção da Académica, que manteve um jogo fluído no terço atacante. Porém, faltou sempre qualquer coisa no último passe e o único sinal de perigo dos estudantes surgiu de um remate de longe de Mike, que obrigou Defendi a grande defesa.
Insatisfeito com o resultado, João Alves decidiu mexer cedo na equipa. Tirou Traquina, fez entrar Femi Balogun. Porém, a equipa parece não ter reagido bem à opção do técnico e o Famalicão passou a conseguir sair a jogar, com mais conforto, pelo lado lado direito do ataque academista (onde estava Traquina, e onde passou a estar Baldé).
Neste contexto, conseguiu criar duas oportunidades flagrantes de perigo até final da primeira parte – a primeira por Anderson, que ultrapassou Yuri e, isolado, falhou o chapéu a Ricardo Moura, e a segunda, através de Walterson, que uma perda de bola de Ricardo Dias a meio do meio-campo da Académica para se posicionar e rematar, com perigo, ao lado.

Fonte: Bola na Rede
Do intervalo esperava-se uma reacção da Académica, mas foi o Famalicão quem acentuou o domínio. Os quatro homens da frente (Feliz, Walterson, Anderson e Fabrício) iam causando o caos no setor defensivo da Académica, pecando apenas na finalização – Anderson, por duas vezes isolado, e Walterson, de livre direto, não conseguiram desfeitear Ricardo Moura.
A cadência ofensiva, porém, fazia adivinhar um golo do Famalicão… que surgiu mesmo. Walterson, num pontapé fulminante fora da àrea, fez o 2- 0.
Com praticamente meia hora por disputar, esperava-se que a Académica remasse, inconformada, contra uma maré que parecia levá-la, fatalmente, para o ponto de partida desta época e não para o ponto de chegada que todos ambicionam – o futebol de primeira. Não aconteceu. João Alves ainda colocou Marinho, o herói do Jamor, em campo mas a Briosa só “cheirou” o golo quando dispôs de uma grande penalidade caída do céu, a sete minutos do fim, no seguimento de um lance infeliz da defesa famalicense. Yuri assumiu a responsabilidade de tentar bater Defendi dos onze metros… mas a bola saiu ao lado.
O penalty falhado foi o canto do cisne para a Académica. Não só no jogo, como no campeonato. Com 15 pontos por disputar, e a 8 dos lugares de subida, é preciso um milagre. O Famalicão, por outro lado, eliminou, praticamente, uma das equipas que com ela concorria ao futebol de primeira e colocou pressão na outra, o Estoril, que só joga amanhã. Para os famalicenses, a Primeira é já ali.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
FC Famalicão: Defendi, Garcia, Ricardo, Rocha, Jorge Miguel; Feliz (Guzzo 87’), Pathé Ciss, Capela (Hocko 79’),Walterson; Anderson e Fabrício.
Académica OAF: Ricado Moura, Brendon, Zé Castro, Yuri Matias, Mike; Ricardo Dias e Fernando Alexandre (Reko 51’); Traquina (Femi 35’), Jonathan Toro (Marinho 67’), Romário Baldé e Hugo Almeida.
FIGURA:

Walterson – Um golaço de fora de área e muito futebol nos pés. O brasileiro foi, a par de Feliz, o principal dinamizador do ataque do Famalicão, tirando o melhor partido da velocidade e da espontaneidade de remate.
FORA DE JOGO:

Yuri Matias – O quarteto ofensivo do Famalicão não era fácil de lidar, mas a passividade da defesa da Académica permitiu algumas veleidades aos jogadores famalicenses. Seria injusto atribuir o prémio de “pior em campo” a um só jogador da defensiva estudantil, mas Yuri, pelo penalti falhado, e algumas desatenções, acaba por levá-lo para casa.
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Académica OAF
BnR: Acabou por deixar Donald Djoussé no banco. Pergunto-lhe se não se arrependeu de ter tirado o Traquina tão cedo, sabendo que podia ter tido mais uma opção ofensiva em campo?
João Alves: O Marinho é um avançado e tem um metro e setenta. O Femi também. O Famalicão pelo ar é uma equipa forte e acho que pelo chão são muito mais vulneráveis, daí ter apostado neles. Não concordo muito com o conceito de avançado robusto.
FC Famalicão
BnR: Deixou o comando técnico da Académica há vários meses. Perguntou-lhe que diferenças encontrou da Académica de então e de agora.
Carlos Pinto: É uma equipa diferente, para melhor. Eu tive pouco tempo para trabalhar. Agora a Académica tem jogadores mais fortes. Tem Romário que vinha de lesão, tem Junior. Nós tivemos de fazer uma segunda parte fantástica para os levar de vencidos. A Académica com João Alves é melhor do que a Académica com Carlos Pinto.
Foto de Capa: Bola na Rede













