Académica 1-2 Gil Vicente: A sorte merece-se

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Na conferência de imprensa de antevisão a este encontro, José Mota afirmou que a sua equipa ainda não tinha beneficiado de erros de arbitragem. Na antevisão do próximo encontro, contra o Benfica, poderá voltar a queixar-se do mesmo, porém, não terá tanta legitimidade para tal, pois os dois golos marcados pelo Gil Vicente foram conseguidos através de duas grandes penalidades, a última bastante duvidosa.

Sorte? Talvez (José Mota admitiu-a na conferência de imprensa). Mas esta, diz a sabedoria popular, protege os audazes e o Gil Vicente procurou a sorte que teve e os três pontos que traz de Coimbra não têm ponta de injustiça. A formação de Barcelos foi sempre a mais inconformada, aquela que mais quis vencer a partida e que mais bola teve no meio campo contrário (os números apontam para 58-42 a favor da Académica, mas a maior parte desta posse foi tida no seu meio-campo). Entrou pujante, com o lado esquerdo do ataque em particular destaque, beneficiando da envolvência da Ruben Ribeiro com o mesmo, ajudando Yazalde a ser o principal desequilibrador do ataque gilista.

O golo da Académica surgiu, portanto, contra a corrente do encontro, através de uma grande penalidade (duvidosa) cometida por Berger (de regresso a Coimbra para disputar um jogo com “significado especial”, segundo o mesmo em declarações na conferência de imprensa) sobre Rafael Lopes e convertida por Rui Pedro.

Estar em desvantagem no marcador não diminuiu a vontade do Gil Vicente. Nem isso, nem o facto de jogar fora de portas, nem a posição que ocupa ou o facto de o terreno sobre o qual jogava estar muito molhado. A equipa gilista continuou a carregar sobre a Académica e viu-se recompensada. Evaldo viu-se em posição privilegiada, “patrocinada” pela passividade da defensiva da Académica e isolou-se perante Cristiano, que, ao ver o brasileiro fugir para o golo, não teve outra opção senão cometer grande penalidade (o guardião da Briosa viu, no nosso entender erradamente – deveria ter sido expulso -, o cartão amarelo, falhando o próximo compromisso). Ruben Ribeiro, da marca dos onze metros, não falhou.

O jogo acabou para a Académica quando Ivanildo foi expulso Fonte: Facebook da Académica de Coimbra
O jogo acabou para a Académica quando Ivanildo foi expulso
Fonte: Facebook da Académica de Coimbra

A Académica mostrou um esboço de reacção depois do golo do Gil Vicente, mas só durou até ao intervalo. Na segunda parte, a prioridade passou a ser a contenção, e isso foi conseguido durante algum tempo, pois não houve grandes situações de perigo dos de Barcelos e menos bola no meio-campo dos estudantes, porém, à medida que a segunda parte ia passando, ia aumentando a vontade do Gil de sair de Coimbra com os três pontos e Yazalde voltou a ser determinante neste capítulo, trazendo consigo a equipa, aproveitando um lado direito estranhamente descompensado.

Não havia resultados do esforço gilista, no que a oportunidades de perigo diz respeito, mas a recompensa surgiu com uma grande penalidade (muito duvidosa) cometida por Oualembo sobre Avto. Cadu não falhou.

Ivanildo tentou inverter a tendência, mas, apesar de Rafael Lopes e Rui Pedro estarem entrosados com o guineense, este parecia sozinho na batalha de garantir, já, a presença na próxima edição da Liga Nos e, claro, foi insuficiente. Frustrado, e, depois de criar um lance perigoso na área do Gil Vicente, reclamou grande penalidade. Artur Soares Dias assim não entendeu e expulsou-o, aparentemente, por protestos. Acabava aí (minuto 80) o jogo para a Académica.

A Figura

Ruben Ribeiro: Não vacilou da marca dos onze metros, e ajudou muito a sua equipa a garantir uma vitória importantíssima. Foi fundamental na construção ofensiva, enconstando-se ao lado esquerdo do ataque, ocupado por Yazalde, o mais produtivo. Também teve um papel importante a defender e a garantir supermacia a meio-campo.

O Fora de jogo

Artur Soares Dias: Três grandes penalidades assinaladas (Viterbo e José Mota estiveram de acordo sobre a legitimidade das mesmas – “foram bem marcadas”). Duas delas foram muito duvidosas (a primeira e a última), na outra cometeu o grave erro de não expulsar o guarda-redes da Académica.

Erros com influência no resultado – foi volumoso para as oportunidades que exisitiram.

Caso do jogo

Segundo Penálti marcado a favor do Gil Vicente (65 minutos): Avto domina a bola, flete para um dos lados e cai perante um eventual contacto de Oualmebo. A existir, terá sido muito leve e provavelmente insuficiente para fazer cair o avançado gilista. Deu origem ao 2-1 que sentenciou o encontro.

Foto de capa: Facebook da Académica de Coimbra

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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