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Académica de Coimbra 3-0 FC Famalicão: Sorte, audácia, e a falta delas

Pedro Machado · 5 min

Académica de Coimbra 3-0 FC Famalicão: Sorte, audácia, e a falta delas

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Cabeçalho Futebol Nacional

O Famalicão visitava uma Académica ferida no orgulho, depois de uma derrota penosa, em casa, aos pés do Vizela, pelo que o embalo moral de uma vitória sofrida na última jornada podia esbater-se numa equipa determinada em mudar o rumo dos acontecimentos.

A equipa de Ulisses Morais, avisada, veio precavida, apresentando um bloco compacto no 4x4x1x1 com que iniciou a partida, dando aos seus médios-centro, Mércio e Lima, a responsabilidade de equilibrar a equipa. A sinergia foi evidente e patrocinou a competência táctica que foi sendo evidenciada, sobretudo quando o adversário entrava no seu meio-campo, altura em que condicionava a zona central, reforçada pela interiorização dos laterais (Joel e Jorge Miguel), compensado pelo recuo dos médios-ala (Feliz e Perre).

Uma conjuntura táctica que dificultava a penetração da Académica no último terço do campo, apenas por uma vez explorado com perigo, com Marinho a inventar um lance, que só não foi concluído, em zona prometedora, por Toze Marreco graças à pronta intervenção de Nuno Diogo. De resto, foi o Famalicão a criar os lances mais perigosos. Primeiro, através de Vilaça, que aproveitou um ressalto na sequência de um livre lateral para assustar o guarda-redes da Académica, Ricardo Ribeiro. 5 minutos depois, Feliz atirou as malhas laterais da baliza da Briosa, depois de Perre ter explorado a linha de fundo e cruzado para o coração da área, onde apareceu o 30 do Famalicão.

O Famalicão ia neutralizando a Académica, quase que adormecendo, com excelente posicionamento e, também, faltas constantes no início do meio-campo famalicense. Porém, a Académica tornou esse condicionamento em algo a seu favor, e foi através de uma bola parada que a Briosa chegou ao golo – livre a meio do meio-campo do Famalicão, batido de forma curta por Pedro Nuno para Marinho, que cruzou para a área adversária, onde apareceu Toze Marreco, a subir mais alto que toda a gente e a aproveitar uma saída em falso de Victor Braga para inaugurar o marcador. O Famalicão não conseguiu reagir nos minutos que se seguiram até ao intervalo (15), e a Académica não teve pressas em ver o relógio passar até à hora de recolher aos balneários.

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Os adeptos da Académica estiveram incansáveis no apoio

A segunda parte começou intensa. Ulisses Morais tirou Medeiros e colocou Correia em campo, oferecendo mais verticalidade ao jogo, ainda que correndo mais riscos. A Académica aproveitou para se infiltrar por entre as fendas que se iam abrindo na estrutura posicional do Famalicão, com Toze Marreco (de cabeça) e Nuno Santos (num bom lance individual, tirando um adversário do caminho e disparando a baliza) a darem o mote.

Isto terá assustado o Famalicão, que nunca se sentiu cómodo a jogar de forma mais “desprotegida”, talvez por não ter intérpretes com a sagacidade necessária para ir em busca do empate. Ulisses Morais terá interpretado isso e colocou Mendes em campo, retirando Mércio, oferecendo ao ataque aquilo de que mais necessitava – largura e… Irreverência.

A partir daqui, o Famalicão conseguiu criar perigo, chegando mesmo a trazer fantasmas de derrotas passadas ao Cidade de Coimbra, tendo Mendes como protagonista, quer a ganhar faltas, quer a cobrá-las. Primeiro, em zona frontal, rematou rasteiro, com a bola a rasar o poste esquerdo da baliza de Ricardo Ribeiro. Depois, cruzou para Chico, que teve o golo na cabeça, mas o guardião da Académica, primeiro, e a falta de pontaria, depois, impediram a igualdade.

Poucos minutos depois, foi Correia a criar perigo, servido por Joel, e cabeceando por cima. O Famalicão acreditava, galvanizava-se, e parecia real a hipótese de sair de Coimbra com pontos… Mas começou a pensar mais com o coração que com a cabeça, e a Académica, matreira, aproveitou para explorar o contra-ataque. Primeiro, Enrst falhou o golo de baliza aberta. Depois remediou-se e, aproveitando uma arrancada fantástica de Marinho, ampliou a vantagem para a Briosa. 2-0 aos 88 minutos. Um cenário que não era descabido, mas que terá desiludido o Famalicão. Sentiu-se um baixar de braços e, em novo contra-ataque, Traquina fechou as contas. 3-0, e a bola nem foi ao centro.

A Académica venceu, outra vez, em casa, e conseguiu marcar tantos golos neste jogo quantos aqueles que já tinha apontado até então em toda a campanha na Liga 2. Um importante embalo moral para os desafios que se seguem, numa altura em que já se questionava a equipa. Quanto ao Famalicão, demonstrou alma e querer, mas também disciplina táctica. Faltou a sorte… Que protege os audazes.

 

Ulisses Morais, treinador do Famalicão:

“Tivemos 5/6 oportunidades flagrantes de jogo e não o fizemos. A Académica não tem culpa, mas não fomos felizes.”

“Sofremos dois golos quando arriscávamos tudo. Eu prefiro perder assim que olhar para o campo e não fazer nada. Esse é um lema do Famalicão, com o qual eu me identifico.”

“Na primeira parte, se se tem marcado penálti sobre o Medeiros, as coisas teriam sido diferentes.”

“Queria deixar uma palavra aos adeptos do Famalicão, que se deslocaram aqui numa sexta-feira à tarde. Senti um apoio muito grande. Queria agradecer em nome do grupo. É o primeiro sinal de recuperação física e anímica para quarta-feira.”

 

Costinha, treinador da Académica

“Foi importante a forma como vencemos perante uma boa equipa. A Académica entrou bem na primeira parte, dominou o jogo.”

“Na segunda parte, o Famalicão empurrou-nos, o Ricardo Ribeiro fez uma grande defesa, mas conseguimos sair por cima.”

“Achámos por bem usar um meio-campo mais ofensivo, com o Kaka e o Pedro Nuno, porque jogámos em casa.”

 

Fernando Alexandre, jogador da Académica

“Sem fazer um jogo fantástico, ganhámos, mas também já perdemos injustamente. ”

“A palavra “subida” não me assusta.”

“Com continuidade, vamos mostrar qualidade.”

A FIGURA

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Fonte: Associação Académica de Coimbra / OAF

Marinho (Académica) – Foi de uma entrega extraordinária ao longo de todo o encontro, fosse a dar o mote para invadir o terreno contrário, fosse para travar as investidas, através da pressão alta. Sempre ele a voz de comando, em ambos os casos, e sempre ele a dar o exemplo, pela forma como se agarrou ao jogo, revelando enorme disponibilidade física para alguém com a sua idade.

A isto, somou duas assistências. Numa delas fez meio golo, e arrancou, aos 88 minutos, do meio-campo da Académica até à área contrária, tirando um adversário do caminho, para oferecer o golo a Ernst.

O FORA-DE-JOGO

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Fonte: Futebol Clube de Famalicão

Victor Braga (Famalicão) – O guarda-redes do Famalicão teve várias abordagens infelizes, nas saídas dos postes, e uma delas saiu cara à equipa, pois acabou por “patrocinar” o primeiro golo da Académica, obrigando a uma mudança de estratégia que se revelou fatal para as ambições dos famalicenses.

Pedro Machado

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