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A zona de subida estava mais próxima depois do empate do Aves em Famalicão. Era a primeira oportunidade de a Académica encurtar distâncias para a zona de subida depois de uma série de sete vitórias consecutivas do rival. Tinha de ser aproveitada. Como foi.
Porém, a Académica entrou um bocado baralhada, ressentindo-se de um elemento de ligação meio-campo-ataque, que não teve em Jimmy, adaptado a essas funções em função das ausências de Fernando Alexandre (lesionado), Nuno Piloto e Pedro Nuno (já a treinar em Tondela). A equipa não conseguia, assim, construir lances de perigo, apesar de ter mais bola, e o Braga B aproveitava para explorar o contra-ataque, mas teve em João Real uma pedra no sapato, surgindo sempre no caminho de lances potencialmente perigosos.
Ainda assim, o central da Académica não evitou que os bracarenses conseguissem causar calafrios junto da baliza dos estudantes, tendo Piqueti sido o principal alvo de uma construção bracarense (por duas vezes obrigou a defensiva da Académica a puxar dos galões – primeiro João Real com corte providencial a corrigir erro de Diogo Coelho; depois Ricardo Ribeiro com uma boa defesa) que partia desde o meio (onde havia o tal buraco deixado pela ausência de jogadores nucleares) e divergia para os flancos em busca de desequilíbrios.
A Briosa tremeu, mas não caiu. Equilibrou-se mental e tacticamente e, com o avançar dos minutos, ganhou ascendente, chegando a rondar o golo à medida que o intervalo chegava. Tiago Sá, porém, estava atento e negou os intentos a Kaká (remate forte, dentro da área, após incursão de Nii Plange) e Tozé Marreco (servido por Marinho, cabeceou para defesa do guardião internacional pelas camadas jovens nacionais), que também não teve a sorte do seu lado, mais tarde, quando, outra vez servido por Marinho, viu um toque de calcanhar sobrevoar a baliza contrária. Assim terminou a primeira parte, com a Académica a crescer e o Braga B a ‘mingar’.

A segunda parte manteve a toada de domínio caseiro, ainda que com uma alteração significativa: havia mais critério na saída de bola da Académica e menos à vontade na circulação bracarense. O jogo passou, portanto, a ser disputado quase exclusivamente no meio-campo do Braga B, fruto da forma agressiva como a Académica pressionava e conseguia explanar o seu jogo.
Este contexto teve dedo de treinador. Costinha fez entrar Nuno Santos para o lugar de Jimmy, colocando Makonda no meio e o português na ala esquerda da defesa. Não havia situações de perigo reais, mas sentia-se o golo a qualquer momento. E ele apareceu.
Num lance ocorrido dentro da grande área do Braga B, e que motivou muitos protestos por parte dos bracarenses, Piqueti cometeu falta sobre Rui Miguel, e este, chamado a marcação, inaugurou o marcador, deixando o domínio da Académica devidamente ilustrado no marcador.
O Braga B continuava adormecido, e só acordou quando Rodrigo Pinho entrou em campo (para o lugar de Ogana), pertencendo ao avançado as maiores situações de perigo da sua equipa. Primeiro, de livre, atirou ao poste da baliza da Académica; depois, numa iniciativa individual, voltou a assustar os estudantes.
Porém, foram dois lances esporádicos, excepções que confirmaram a lei da superioridade da Académica, perfeitamente encaixável num resultado mais dilatado do que o magro 1-0, conforme explicam os lances de perigo levados a cabo por Tozé (de cabeça, a responder a excelente cruzamento de Rui Miguel) e Ernest (iniciativa individual, partindo da esquerda para o meio), parados por grandes estiradas de Tiago Sá.
Até final, a Académica congelou, sem sobressaltos (exclui-se daqui o anti-jogo de Rui Miguel, que lhe valeu a expulsão momentos antes do apito final), o resultado, os 3 pontos e a garantia de encurtar distâncias para os lugares de subida.
Artigo de Pedro Machado e Jorge Fernandes
A FIGURA

Fonte: Soccerway
Rui Miguel – Tal como a equipa, não foi feliz na primeira parte. No segundo tempo, Rui Miguel foi uma muleta importante para Tozé Marreco. Marcou o golo decisivo e, a seguir, foi expulso.
O FORA DE JOGO

Fonte: MB Media
Jimmy – A sua substituição ao intervalo foi plenamente justificada. Jimmy nunca conseguiu ser o tampão de que a equipa precisava, muito menos o seu primeiro construtor. As ausências de Fernando Alexandre e Nuno Piloto fizeram-se sentir.
SALA DE IMPRENSA
Abel Ferreira, treinador do Braga B
“Não vou falar do árbitro. Fizemos 18 jogos, e 90% deles foram apitados por estagiários. Quem nomeia sabe que as equipas B não complicam o jogo, não tem a experiência de ‘sacar’ faltas em alguns lances.”
” A Académica é uma equipa experiente, tem alguns jogadores contra quem tive prazer de jogar. Foi construída para subir, e é uma pena que este campo e estas instalações estejam na segunda liga.”
“Na primeira parte entrámos bem, com vida, o adversário tentou bloquear as nossas saídas. Na segunda parte o adversário teve mérito, mas surgiu de um lance duvidoso, numa bola lançada para o ar, há um jogador que cai e o que posso dizer? O árbitro é que manda. Fizemos o suficiente para ter um resultado diferente, e é pena.”
Pergunta BnR: “O que a Académica fez na segunda parte foi semelhante ao que fizemos na primeira. Fechou os laterais, puxou os interiores para dentro, e foram superiores. Tirando uma ou outra transição após o 1-0, conseguimos controlar o adversário. Tivemos bons lances, com uma bola ao poste, um remate do Joca que o guarda-redes defendeu.”
Costinha, treinador da Académica
“Nós sabíamos que ia ser um jogo difícil, uma equipa com uma forma de jogar que eu aprecio, tomara que fossem todos os jogos assim.
A primeira parte é de domínio do Braga, mas com a segunda parte passamos a dominar, pedi mais bola. Até fizemos mais um golo, mas foi anulado.”
“Na primeira parte não conseguimos entrar bem no jogo, não por demérito da Académica, mas por mérito do Braga. Na segunda, invertemos. A equipa foi mais forte, mais equilibrada. E ganhamos três pontos saborosos.
Se houvesse um nulo neste jogo, não era escandaloso.”
“Temos que continuar a trabalhar diariamente, com consciência do que o fazemos. A nível exterior, quer-se tudo, quer-se subir, mas nós lutamos todos os jogos pelos três pontos. ”
“Sobre o pênalti, tenho a dizer que Não sei porque foi marcada a falta sobre o Kaka, se formos contabilizar tudo o que se fez contra a Académica…
Este foi o primeiro pênalti a favor da Académica na época.”
“No jogo passado, em Freamunde, aos 4 minutos, houve um lance com duas expulsões, perguntei ao árbitro o que se tinha passado, ele disse que era muito cedo para mostrar cartões. Fiquei com vontade dizer aos meus jogadores que até aos 5 minutos se podia dar fruta”
Pergunta BnR: “[sobre a ausência de Nuno Piloto e de Fernando Alexandre] É uma pergunta inteligente, mas se falar do Fernando e do Piloto, mas a Académica vive de um todo e não de um só jogador.”










